6 de Fevereiro no JB
Há 110 anos - 1893
O Jornal do Brasil não circulou de 1º de outubro de 1893 a 14 de novembro de 1894, período final do governo do marechal Floriano Peixoto.
Há 80 anos - 1923
A morte de Wilson provocou no mundo menos interesse do que seria razoável. Os dias voam, a memória dos homens é débil e seu olhar só divisa os horizontes próximos. Esse grande homem que acaba de morrer soube dizer, como os antigos profetas, uma palavra de fé, confiança e idealismo, numa hora em que os homens se entregaram aos instintos belicosos. Ele foi como um homem que falasse a seus semelhantes a linguagem dos pássaros: todos a proclamavam linda e ninguém, entretanto, a compreendia...
Está no Brasil o poeta francês Blaise Cendrars, poeta moderno, o mais moderno possível. O Sr. Cendrars, que se gaba de ser um dos intérpretes da nova musa e seguidor da escola cujos pontos capitais são a incoerência das palavras - que se juntam sem fazer sentido -, a falta da pontuação e o gosto chinês pelas linhas vertiginosas e rápidas, vem especialmente assistir às festas carnavalescas. E é claro que o harmonioso poeta se sentirá infinitamente satisfeito ao chegarem os dias augustos de Momo, pois a poesia brasileira do carnaval é exatamente o correspondente dessa vibrante e moderna corrente, que segue os preceitos de Apollinaire, de Cocteau, de outros bons poetas e do non sense. E, ainda, ao som de vibrantes e ardentes maxixes... Feliz e doce terra, este Brasil!
Pródromos da Folia: A direção do Bloco Espanta Seco, que organiza o banho de mar à fantasia, na Praia do Flamengo, divulgou a letra da marcha a ser cantada na festa, dia 10, e da qual reproduzimos algumas estrofes: ''Isca, pega ele, pum / Mariola com sarampo / Toca, toca, na esquina / Com tinta, papel e grampo. Vermes com pedras de gelo / Pedras trazendo girafas / Lua-de-mel com sabão / Mosca morta de capotão. Tintas com pregos tortos / Ai de mim, dr. Banzé / O Juca dormiu na esteira / Mariposa com café...''
Há 50 anos - 1953
''Um músico russo acaba de descobrir que o jazz é uma invenção bolchevista. Escrevendo na revista Música Soviética, o professor Leonide Utiosov diz, sem o menor constrangimento: 'O jazz, criação musical da União Soviética, está sendo, lamentavelmente, deturpado por compositores capitalistas, em especial nos Estados Unidos. Alguns compositores americanos, como Gershwin e Jerome Kerr, são aceitáveis, mas a maioria não se compara aos jazzistas russos'.''(Al Neto)
Todos se queixam da elevação do preço dos medicamentos. No país onde se toma remédio para tudo e o movimento normal das farmácias parece o dos armazéns no tempo de guerra, o assunto assume importância capital. A nevrose do lucro fácil domina o país e ninguém se conforma em ganhar de modo razoável.
O Partido Democrata Cristão lançou o nome do Sr. Jânio Quadros ao governo paulista.
[06/FEV/2004]
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