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15 de fevereiro no JB
Há 110 anos
15 de fevereiro de 1893
Dia a Dia: ''Vi, sem sair de casa, o carnaval em sua feição mais suportável e, até certo ponto, simpática: a do mascarado avulso, que passa, melancólico e solitário, na monotonia de uma rua afastada do rumor central. O carnaval é uma tolice em muitos volumes, que se sucedem sem variar. Um tomo, pegado ao acaso, dá-nos perfeita notícia da obra inteira.'' (C. A.)
''Cinzas, cinzas... O dia de hoje resume a época atual. Acabamos de passar três dias de carnaval como já passamos três anos de República, de máscaras nos rostos, vestidos de clowns. E hoje devemos nos purificar, no trabalho, desses três anos de orgias fantásticas e insensatas. Cinzas, cinzas...'' (E. P.)
Há 80 anos
15 de fevereiro de 1923
Registro Literário: A Comédia dos Erros, de Jorge de Lima - ''Eis um livro originalíssimo, que não consegui entender, nem pelo fundo nem pela forma. Mais parece obra de autêntico discípulo de Gôngora, em pleno século XX.'' (Osório Duque Estrada)
Sábado, no Gabinete Português de Leitura, às 21 horas, haverá a sessão inaugural do Instituto Varnhagen, que celebrará o dia de nascimento de seu patrono com uma alocução do historiador Rocha Pombo.
Notas Sociais: O Sr. Alípio Bastos, dono do Bar e Restaurante A Capela, no Largo da Lapa, foi alvo, ontem, de carinhosa homenagem de seus amigos e admiradores, por ter voltado da Europa, aonde foi buscar melhoras de saúde.
Classificados: Duas à noite: duas pílulas do Dr. Ayer ao deitar produzem evacuação natural pela manhã.
Há 50 anos
15 de fevereiro de 1953
O carnaval começa molhado. O tempo, que se vinha mantendo, há dois meses, seco, com temperatura altíssima, ao fim da tarde de anteontem amarrou a cara e fez desabar um temporal. Ontem, também amanheceu chovendo. Tomara que o sol arranque sua máscara e apareça na plenitude da irradiação, pintando a cidade de cores vivas, enchendo de vibração a alma carioca.
''Muita gente lê nos bondes aqueles versos sugestivos, que anunciam com tanta graça: Veja, ilustre passageiro/ o belo tipo faceiro/ que o senhor tem a seu lado;/ e, no entanto, acredite, /quase morreu de bronquite,/ salvou-o o Rum Creosotado! São do farmacêutico Ernesto de Sousa, talentoso poeta, letrista e teatrólogo, hoje apenas lembrado pela rua que tem seu nome, no Andaraí. Reunir suas composições em publicação definitiva seria prestar um serviço à história da cultura brasileira.'' (Maurício Joppert)
Não funcionando nossas oficinas nos dias 16 e 17 do corrente, por motivo dos festejos carnavalescos, o Jornal do Brasil só voltará a circular no próximo dia 19, quinta-feira.
[15/FEV/2003]
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