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Philippe Venet, o mestre de tesoura


Philippe Venet é chiquérrimo, grande figura parisiense, que freqüenta e faz parte do supra-sumo do estilo e da aristocracia européia. Mestre da tesoura (posição que não perderá jamais, como poucos de seu meio), soube converter a costura tradicional em moda para as mulheres modernas. No Brasil é pouco conhecido, pois sempre fez somente alta-costura.

Venet não desenhava as roupas que criava, apenas enrolava, dobrava, drapeava o tecido no manequim de prova e a roupa surgia. Então era feito o corte. Considera esta sua especialidade. ''Eu tentava sempre fazer surgir a pessoa, não o modelo criado, e não deixava prevalecer jamais o efeito procurado, isto é demodé.'' Sua moda sóbria e clara foi particularmente apreciada pelas americanas. Suas grandes clientes foram também cabeças coroadas como as rainhas Sonja, da Noruega, e Noor, da Jordânia, símbolos internacionais de elegância.

Sem intenção, Venet foi o precursor de um novo estilo de ateliê de alta-costura. Sua estrutura era pequena, sem uma grande e onerosa equipe, mas igualmente capaz de produzir alta-costura como as outras maisons da época. O que a Daslu faz hoje no Plaza de Paris Venet já fazia há anos. Ia a Nova York a cada estação, e montava um lindo showroom em suítes de hotéis prestigiados, onde recebia suas exclusivíssimas clientes. As americanas chegavam a encomendar até cinco tailleurs de uma vez.

O grande aprendizado de Venet foi na Maison Balenciaga. Lá, foi contemporâneo de Givenchy, de quem se tornou grande amigo. O estilo clássico, elegante, e os bem-estruturados tailleurs se tornaram sua marca.

Bom gosto e refinamento estão presentes também em suas casas na Côte d'Azur, Veneza e no apartamento em Paris. Philippe Venet deixou a alta costura, que fazia desde 1962. Mas, sem abandonar a tesoura jamais, atualmente tem como passatempo preferido lindas colagens que têm feito grande sucesso nas galerias de arte parisienses. É a nova fase do artista cuidadoso que passou a trabalhar com outro meio: os papéis, tintas e cola.


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[30/JAN/2005]


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