Alvinegros opostos

[25/JUL/2005]

Não faz tanto tempo que Corinthians e Vasco se enfrentaram no Rio de Janeiro por aquele que seria o mais importante título de suas trajetórias. Os paulistas levaram a melhor e, numa dramática disputa de pênaltis, conquistaram o Campeonato Mundial interclubes organizado pela FIFA. O Corinthians jogou com Dida, Índio, Fábio Luciano, Adílson e Kleber; Vampeta (Gilmar), Rincón, Marcelinho e Ricardinho (Edu); Edílson (Fernando Baiano) e Luizão. O Vasco teve Hélton, Paulo Miranda, Mauro Galvão, Odvan e Gilberto; Amaral, Felipe (Alex Oliveira), Juninho (Viola), Ramon (Donizete); Edmundo e Romário. Isso foi em janeiro de 2000 e, de lá para cá, muita água rolou.

Do pênalti perdido por Edmundo, que custou o título ao Vasco, até o confronto de ontem, a situação dos dois clubes tornou-se oposta. Enquanto o Corinthians é o mais endinheirado dos clubes brasileiros, o Vasco provavelmente é um dos mais endividados. Resta saber se a dinheirama derramada no primeiro clube é tão inquestionável quanto o quadro desolador do segundo. Foi assim que um Corinthians sem problemas financeiros - dando-se ao luxo até de dispensar patrocinadores - e na briga pelo título mediu-se com um Vasco alquebrado e lutando apenas para não ser rebaixado. Apesar dos desfalques corintianos, da boa vitória vascaína sobre o Santos e do fator São Januário, poucos acreditavam que os cariocas pudessem sair de campo com os três pontos que os permitiriam passar uma rara rodada fora da zona de rebaixamento.

Veteranos marcam

Com a bola rolando, o esperado favoritismo do Corinthians não foi tão notado. O Vasco começou melhor, pressionou e quase chegou lá, através do ímpeto de seu grande jogador na atualidade: Alex Dias. Mas a defesa do Vasco... Ah, a defesa do Vasco... Com 29 gols sofridos em apenas 13 jogos, decidiu arredondar a conta para 30 e permitiu que uma boa tabela de Rosinei e Gustavo Nery fosse concluída pelo ala, que se infiltrou por trás da zaga, sem receber qualquer marcação ou sequer ser percebido.

Sorte do Vasco que, mesmo no outono da carreira, Romário ainda tem faro de gol - ainda mais quando a vítima é o Corinthians. Após bela jogada de Alex Dias, e de cabeça, só para humilhar, o Baixinho igualou o marcador. Curiosamente, o companheiro de ataque de Romário em 2000, Edmundo, também marcou (três vezes!) na vitória do Figueirense sobre o Juventude - o primeiro dos favoritos paraguaios a ficar pelo caminho. Mas quem tem a defesa do Vasco como inimiga, não precisa de amigo. Em outra tabela acompanhada de longe pela zaga vascaína, Jô serviu Marcelo Mattos, que levou o Timão para o vestiário com a liderança no placar.

Frango e falhas

O segundo tempo começou e logo aos seis minutos Fábio Costa, mais uma vez, engoliu um frango de belíssima plumagem, em chute para lá de despretensioso de Morais. Depois, quando escrevo que o elenco galáctico do Corinthians está longe de ser galáctico na defesa, dizem que é má vontade. Empate foi justíssimo, animou os donos da casa e assustou os jovens reservas do visitante. O jogo tornou-se então emocionante, com pressão vascaína e contra-ataques corintianos. Tudo podia acontecer. E quando tudo pode acontecer, o mais provável é que o melhor ataque acabe levando a melhor sobre a pior defesa do campeonato. Foi o que aconteceu. Um lampejo de Roger, o lançamento para Abuda, a defesa mal posicionada e o placar final sacramentado: Corinthians 3 x 2 Vasco. A separar os dois clubes na classificação, um abismo que inclui praticamente todos os participantes do Brasileirão.

Um dirigente do Vasco declarou recentemente que o clube resistirá a tudo - até mesmo a terremotos. Pela primeira vez na vida tenho que concordar com ele. Se o Vasco da Gama resistiu a duas décadas de dirigentes tão lamentáveis, é bem provável que seja capaz mesmo de sobreviver aos mais terríveis cataclismas da natureza.

Quanto aos outros cariocas, decepções parecidas com a do Vasco. O Botafogo empatou com o fraco Brasiliense e perdeu a chance de se aproximar do topo da tabela. O Flamengo sofreu um gol nos acréscimos e deixou escapar um pontinho de ouro, em sua missão de fugir da segundona. Já os jogadores do Fluminense continuam recebendo cartões e sendo expulsos em lances tão tolos quanto desnecessários. Graças a isso, e também por conta de nova falha da defesa e da saída de Tuta - o único atacante tricolor capaz de marcar gols - o time de Abel perdeu para a inacreditável Ponte Preta. Líder há tanto tempo. Limitada há tanto tempo.

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