Preciso confessar minha total antipatia pela tal de Copa das Confederações. Exceto pelo triunfo brasileiro na primeira edição do torneio, em 1997, a estranha competição vem sendo sinônimo de equipes improvisadas, técnicos desgastados e vexames históricos diante de adversários de pouca ou nenhuma tradição, tais como México, Japão e Camarões. Nada disso, entretanto, chegaria a perturbar a minha santa paz de torcedor, se a convocação dos melhores jogadores em atividade no país não atrapalhasse nosso bom e velho Campeonato Brasileiro justamente quando ele começava a decolar. Os craques que proporcionavam belos espetáculos em nossos gramados foram para a França e acabamos ficando sem bons jogos para ver.
Dias de muito, vésperas de nenhum. A última rodada do Brasileirão, que banalizou um punhado de clássicos regionais ao amontoá-los numa única data, acabou cobrando seu preço. A emoção e os bons jogos que, mesmo com desfalques em função da convocação da Seleção, puderam ser observados na rodada anterior, se transformaram em artigos raríssimos na presente rodada. Foi muito difícil ligar a televisão no final de semana e não topar com uma pelada daquelas de criar calos nos olhos. Apostava minhas fichas no clássico da segunda divisão, entre Palmeiras e Botafogo, mas as equipes pareciam constrangidas de reeditar na divisão de acesso um confronto de tanta tradição e não passaram de um tristonho 0 x 0.
A mesma coisa aconteceu nos jogos da primeira divisão, onde mesmo os times que lutam pelas primeiras posições vêm jogando pedra em santo. O Internacional, por exemplo - que já fora beneficiado pelos tribunais no caso da Ponte Preta -, chegou à vice-liderança com o auxílio do juiz Márcio Resende, que sábado enxergou um pênalti num lance fora da área. Já o Cruzeiro, que ocupa a liderança, depois que cedeu seus astros para a Seleção perdeu o brilho e vem tropeçando aqui e ali. Outro que faz boa campanha sem convencer nem mesmo a própria torcida é o São Paulo, que contou com uma atuação inspirada do reserva Júlio Batista para bater o lanterna Goiás. E nem falar de equipes como Corinthians, Vasco e Grêmio, que chegaram a ser apontadas como favoritas e até aqui vêm patinando.
Bem, se o talento dos times daqui foi exportado para a Copa das Confederações, poderíamos esperar boas atuações do Brasil, certo? Errado. Levados a atuar numa Seleção que ainda busca um mínimo de padrão tático, os destaques do Brasileirão decepcionaram. Alex disputou com Ronaldinho Gaúcho o título de maior frustração do torneio, Ricardinho ganhou o título de rei dos passes laterais, o ''melhor lado esquerdo do mundo'' naufragou e Parreira já começa a ser questionado pelos torcedores. Tem cheiro de mais um sofrimento nas eliminatórias no ar.
Diante de tudo isso, a verdade é que foi uma grande frustração saber que o técnico Leão decidiu cancelar os treinamentos do final de semana na Vila Belmiro. Eu tinha planos de ir até lá para ver o Santos em ação, para aliviar as minhas retinas maltratadas por tantas peladas em flor. A verdade é que o time da Baixada Santista vem sendo o grande oásis de bom futebol nestes dias de pouca inspiração nos campos brasileiros. Vai ter uma parada duríssima contra o Boca, mas eu acredito é na rapaziada. Como não pude ver ao menos um treino dos Meninos da Vila, fui acudido pelo Real Madrid. Com um show dos brasileiros Roberto Carlos e Ronaldinho - que reeditou o cabelo estilo Cascão da Copa do Mundo, fez dois gols e totalizou 30 com a camisa do clube -, os merengues despacharam os bascos e ficaram com o título da Liga.
Bendito título! Que prova que, na hora da verdade, o talento fala mais alto. Como no futebol Brasil é sinônimo de talento, nada mais normal do que vermos jogadores como Dida, Roberto Carlos, Ronaldinho e a brasileirada do Celta e do Lyon, entre tantos outros, brilhando nos campeonatos mais importantes do mundo. Uma pena que, a serviço da Seleção, nossos craques só gostem de jogar à vera, ou seja, nas copas do mundo. Todos os outros torneios de seleções parecem pouco.