Foi um choque de realidade. Bastou enfrentar um adversário que não fosse uma seleção eliminada da Copa, ou do terceiro mundo do futebol, para que a Seleção Brasileira experimentasse um amargo encontro com suas próprias limitações. Apareceram ontem em Lisboa não apenas problemas já conhecidos, mas até alguns que o próprio Felipão considerará surpreendentes.
A defesa, que o técnico julgava mais sólida que o Banco Central suíço, se pareceu mais com um queijo daquele país, de tantos buracos que apresentou - especialmente após o gol português, quando o time teve que sair para o jogo. Ninguém foi bem no esquema de três zagueiros e dois cabeças-de-área. Roque Júnior, por exemplo, provou uma vez mais que é um jogador regular: sempre falha. Emerson e Lúcio, como de costume, bateram bastante, dessa vez acompanhados até por sujeitos pacatos como Cafu, Gilberto Silva e Ronaldinho Gaúcho.
O meio-campo, com o lento Rivaldo e sem o apoio dos alas, não empolgou. E o ataque, como de costume, passou em branco. Brancura essa sintetizada na atuação de França. De bom mesmo, só algumas boas tabelas no primeiro tempo, a movimentação de ÷Ronaldinho, a criatividade de Ronaldinho Gaúcho e a ousadia de Denílson. Pouco, muito pouco para quem quer ganhar uma Copa do Mundo.