Fui assistir ao show da Rita Lee. Sempre vou preparado para as novidades inteligentes que invariavelmente esta artista traz em seus espetáculos. Sem dúvida nenhuma, a Rita, com sua porção de atriz e com uma inteligência invulgar, é um dos melhores shows a que se pode assistir. Creio nos últimos dez anos não ter perdido nenhum dos espetáculos da ''vovó do rock'', conforme a própria se autodenomina.
Este espetáculo, Balacobaco, é o mais roqueiro entre os últimos da dupla Rita e Roberto de Carvalho e o menos criativo em termos de novidades cênicas, cenário e iluminação. Pela primeira vez eu vi a Rita com o show meio que desamarrado.
Beto Lee, por sinal tocando cada vez melhor, e Roberto, usam e abusam do som característico do rock em suas guitarras, às vezes exagerando durante as músicas apresentadas.
A banda é composta por sete figuras, sendo duas guitarras um baixo, percussão, bateria, teclado e uma vocalista.
Com um cenário muito simples - um tecido estampado forrando todo o palco que acaba prejudicando sensivelmente a iluminação (completamente diferente daqueles tão bem executados pelo Gringo Cardia) - Rita aparece causando um frisson na platéia, por sinal platéia das mais concorridas, cheia de divas do cenário televisivo. Estavam lá: Bibi Ferreira, que me dizia estar apaixonada pela performance da Rita, Fernanda Montenegro, Marília Pêra, Luana Piovanni, que teve sua beleza ressaltada várias vezes pela cantora, Cristiane Torloni e Ignácio Coqueiro, Claudia Gimenez, Stella Torreão, Joanna, Moraes Moreira, Lulu Santos, Murilo Rosa, Tiago Lacerda, Vanessa Lóes, Drão (Sandra Gadellha), Maytê Proença, Vitor Fasano, Gabriel O Pensador, a parceira de Rita, Zélia Duncan, e tantos outros.
Adorei a música Hino dos malucos, composta pelos dois casais, Rita e Roberto, Fernanda Young e Alexandre Machado, primeira parceria deste grupo, que traz na letra um hino de amor às mentes de certa forma diferentes, ditas malucas.
Senti falta de uma sonoridade um pouco diferente da tradicional roqueira, principalmente porque Rita Lee não é só rock, é muito além, ela é poesia contemporânea na veia, misturada com arranjos e melodias inesquecíveis.
Alguém que tenha intimidade com duas personalidades do cenário brasileiro, Xuxa e a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, deve avisá-las para não faltar ao show da Rita. A primeira, pelos conselhos que a cantora dá a ela pelo telefone celular, entre outras coisas pela superexposição da filha, etc..., imperdível. A outra é criticada pelo mau jeito de paulista em fazer festas. Diz Rita: a prefeita de São Paulo é tão festeira que, para homenagear São Paulo pelos 450 anos, manda pintar a 23 de Maio (via importante para quem chega em São Paulo de avião) da cor alegre e festiva. Adivinhem? Cinza. E, claro, ela não poderia deixar também de apontar a preferência estética da prefeita pelo excesso de botox ou coisas do gênero usados no rosto.
O humor e a inteligência de Rita são coisas preciosas. Ainda bem que a Suzana Villas-Boas produz um programa de TV onde este lado maravilhoso e importante da artista pode ser visto semanalmente. É o Saia justa, exibido pelo GNT, onde os comentários da Ritinha são absolutamente fabulosos.
Mesmo tendo visto espetáculos melhores e mais bem cuidados do que o atual, não percam nunca a oportunidade de ver Rita Lee, pela importância que esta mulher tem no cenário da música brasileira, sempre inovadora, destemida, desafiadora e, sobretudo, talentosa até o último fio de cabelo.