Antes de temperar Marilyn Monroe para dormir, o manjericão fez uma longa viagem até chegar ao português. A origem remota da palavra que designa conhecido tempero é o grego
basilikón, erva do palácio. No latim recebeu o nome de
ocimum basilicum (legume do palácio).
Na Idade Média, o ofício do verdureiro que vendia legumes e hortaliças de porta em porta ou nas feiras era conhecido como ocimum cantare (anunciar legumes).
Na viagem que fez até chegar à nossa língua, a palavra pode ter começado o caminho no grego basilikon, relativo a palácio ou edifício público, que em latim virou basilicum, conservando o significado. Passou, porém, a ser pronunciado masilicum no latim vulgar, cuja variante tornou-se magiricum, de onde chegou ao português antigo mangericão. Em francês, manjericão é basilic; em italiano, basilico. O espanhol, porém, por influência dos árabes, adotou albahaca para designar o mesmo tempero.
Às vezes, porém, uma essência culinária pode desdobrar-se em outras finalidades e este é o caso do manjericão. Recentemente pesquisadores descobriram que se pode obter do manjericão um óleo essencial à fabricação daquele perfume, que era o único item que a atriz Marilyn Monroe borrifava sobre sua pele de seda antes de se deitar, em geral para dormir sozinha, que foi como morreu.
O manjericão entrou no ramo dos perfumes como opção ao pau-rosa, da Amazônia. Além de tantos méritos, talvez evite a extinção dessas árvores, que passaram de sete por hectare para apenas uma para cada sete hectares. Na fabricação do perfume, foram acrescidos ao manjericão o coentro, a laranja, o louro, a canela, a camomila, a sálvia e a lavanda.
Outra palavra de origem curiosa é melindroso, radicada no espanhol melindre, designando vários tipos de doces e biscoitos cobertos de finas camadas de mel ou de açúcar. Saborosos, quase derretem na boca, de tão macios. Por metáfora, serviu de base à palavra melindroso, designando indivíduo afetado, incapaz de aceitar qualquer crítica, pois, à semelhança daqueles tipos de guloseimas, se desmancharia em afetações, trejeitos e até lágrimas.
Quem primeiro registrou melindre, no espanhol, designando exagerada delicadeza foi Santa Teresa d'Ávila. Como veio a ocorrer no português, no século 17, a palavra já estava mesclada com o latim Melita, nome de uma das nereidas e designação original da Ilha de Malta, onde havia mel em abundância, e com o reino de Melinde, onde a frota de Vasco da Gama deixou um degredado, além de muitas palavras, antes de seguir viagem. Os degredados desempenharam função importante na difusão do português no mundo.
Na volta, capitães e marinheiros enriqueceram o português com novas palavras que foram arrecadando de porto em porto.