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Novas palavras


Arte JB

O mais antigo computador eletrônico de que se tem notícia, o Colossus, inventado por Max H.A. Newman (1887-1985), era um trambolho de 1.500 válvulas e começou a funcionar em dezembro de 1943. Sua evolução foi rápida e hoje os computadores estão espalhados por todo o mundo.

O computador nos trouxe também palavras novas e ressuscitou outras, dando-lhes novos significados. É o caso de cursor, do latim ''cursore'', nome dado, na Antiga Roma, ao escravo que acompanhava a pé a carruagem de seu senhor.

Designava também o mensageiro do papa. Com a evolução industrial, passou a denominar uma peça que corre ao lado de outra, como nas máquinas de escrever e de imprimir. Modernamente, o cursor é aquele pequeno sinal luminoso que acompanha as palavras escritas num computador, marcando sempre o último bite digitado.

Outra palavrinha que o computador nos trouxe é plugar, do inglês ''to plug'', ligar. É mais uma contribuição da informática para a língua portuguesa. Plugados a redes mundiais, os leitores podem ter acesso a informações disponíveis em mais de 2 mil bibliotecas. Também aqui houve inversão no tráfego. Em vez de o leitor ir a uma biblioteca de sua cidade, pode trazer bibliotecas de todo o mundo para dentro de seu computador.

E temos também a ''winchester'', do americano Oliver Fisher Winchester (1810-1880), que deu seu sobrenome à carabina que inventou, arma que logo mostrou sua eficiência. Em 1866, durante a guerra civil norte-americana, cerca de 300 índios armados com carabinas dessa marca venceram 260 soldados comandados pelo famoso general George Armstrong Custer (1839-1876), contribuindo para a valorização da arma. Ficou tão popular o nome ''winchester'' que passou dali em diante a designar qualquer outro fuzil de repetição, ainda que de outras marcas.

Pois o computador se apropriou também da ''winchester'' em sua guerra contra nós. O vocábulo hoje é utilizado para designar um componente fundamental do computador, dada a analogia entre os sistemas: acionados, um dispara balas; o outro, sinais.

Outras palavras que o computador nos trouxe foram ''bit''e ''bang'', do inglês, abreviação de ''binary digit'', dígito binário, e ''bang'', onomatopéia de estrondo. Os dois vocábulos já têm grafia em nossa língua: bite e bangue. O bite designa a menor quantidade de informação que pode ser armazenada por processos informatizados.

Há ainda o chipe, do inglês ''chip'', literalmente lasca de madeira. Item importante nos computadores, ''chip'' entrou para o português sem alteração na grafia, significando plaqueta de silício com transistores e diodos. Hoje já grafamos chipe sem remorso. Temos ainda deletar, do inglês ''delete'', por sua vez vindo do latim ''delere'', apagar, riscar, radical de indelével, que não se apaga.

Criamos também o verbo acessar, formado a partir de acesso, do latim ''accessu'', ingresso. Designa o ato de entrar num programa de computador, embora seu significado seja mais abrangente.

Na noite de 31 de dezembro de 1999 estivemos ameaçados pelo ''bug'' do milênio. Em inglês, ''bug'' significa besouro, mariposa, inseto. Sua provável origem é ''bud'' ou ''budde'', uma planta cujas folhas são fechadas e dificilmente se abrem. O besouro foi comparado a ela. Sua origem mais remota é Belzebu, o príncipe dos demônios, conhecido também como o senhor das moscas, do hebraico ''baal'' (senhor) e ''zebub'' (mosca).

Em 1945, um inseto (''bug'', em inglês) entrou no computador de um professor da Universidade de Harvard e causou uma bagunça danada. Dali por diante erro de programação foi batizado ''bug'', que no português poderia ser grafado bugue, por analogia com bigue-bangue, do inglês ''big bang'', o começo do universo, segundo os físicos.


[19/JAN/2004]


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