É uma pena, acabou o ciclo Fininho. Suas atuações em Roland Garros, quando chegou à semifinal em 1999, vencendo Mantilla, Corretja e Rafter, antes de perder para Medvedev num jogo duríssimo, ficarão na memória dos seus fãs. Também na Olimpíada de Atlanta em 96 quase levou medalha, batendo o Albert Costa e o Mark Philippoussis antes de perder para o bicampeão de Roland Garros, Sergi Bruguera, na semifinal. E aquela partida contra o Kucera no quinto e decisivo jogo da Davis contra a Eslováquia, foi de pura emoção para colocar o Brasil na semifinal. Todas essas partidas foram memoráveis pela raça, a vontade inquebrantável de vencer e ainda por cima culminadas com show de técnica, alcançando bolas impossíveis, tornando o jogo de tênis uma coisa agradável de assistir, quebrando aquela monotonia que outros tenistas demonstram na quadra. Aliás, o show do Fininho se tornou marca registrada em seus jogos. Ele engrandeceu o tênis com suas atuações, venceu os torneios de Bastad, Pinehurst e Praga em simples, e outras seis vezes em duplas. É um exemplo junto com Guga para toda a nova geração do tênis pela técnica apurada, raça, dedicação aos treinamentos e principalmente pelo espírito esportivo na quadra.
Fininho, você deixará muita saudade, e não deixaremos de acompanhar e torcer por você na sua última apresentação no Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo no mês de agosto.
Dança das cadeiras
Não foi só o João Zwetsch que abandonou o barco, deixando o cargo de treinador para outro. Zwetsch não treina mais o Saretta, em seu lugar entra o ex-campeão Carlos Chabalgoity. Também deixaram de trabalhar juntos Hewitt e Stoltenberg. No seu lugar entra Roger Rashed. Roddick e Benabiles desmancharam a parceria, entrando Brad Gilbert, o ex do Agassi no lugar do Benabiles. Philippoussis e McNamara também não estão mais juntos. Philippoussis terá ao seu lado como treinador agora o pai, Nick. Norman e Rosengren também resolveram seguir caminhos separados depois de cinco anos.
A relação tenista-técnico é muito complicada, havendo um desgaste natural muito grande com a convivência diária dos treinamentos e, principalmente, nas viagens quando estão juntos desde o café da manhã até a última refeição da noite. Na maioria das vezes, ainda dividem o quarto para baixar a despesa. Na minha época de tenista não tínhamos técnico durante os torneios. Quem fazia às vezes essa função era nosso companheiro de duplas, desde que o jogo não fosse contra, é lógico. Falávamos de táticas, maneiras de jogar contra determinado adversário e assistíamos às partidas do companheiro, quando não coincidiam os horários. A integração era grande, estávamos sempre juntos no dia-a-dia. Hoje, o que se vê são o tenista e seu técnico treinando, fazendo as refeições só os dois, essa rotina de clube ou estádio-hotel-restaurante, totalmente monótona e solitária. É mais do que normal um não poder mais ver a cara do outro depois de alguns meses no circuito, principalmente quando os resultados estão abaixo da expectativa. Outras vezes há a agravante da interferência dos pais.
Roland Garros
Brilhante e merecida vitória do Ferrero em Roland Garros, perdendo somente três sets em todo torneio. A final foi a mais fácil desde Borg e Vilas em 78. Naquela ocasião, Borg venceu 6/1, 6/1 e 6/3. Desta vez foi parecido, 6/1, 6/3 e 6/2. O primeiro do ranking ainda é Hewitt, da Austrália, depois Agassi, dos Estados Unidos, Ferrero está em terceiro lugar.
Um barato a vitória da Henin na final contra a Clijsters. Os franceses tiveram de engolir uma final inteiramente belga. Mesmo assim torceram pela Henin na semifinal contra Serena Williams, quebrando sua invencibilidade de quatro torneios seguidos de Grand Slam. Para quem não sabe, a Bélgica está para a França, assim como a Argentina está para o Brasil.