Na última coluna comentei que Guga tinha desperdiçado uma grande chance ao perder para Zabaleta na semifinal de Acapulco. Naquele jogo, Guga era o grande favorito, principalmente por jogar no saibro, piso que ele é especialista.
Nesse tipo de quadra, ele é sem dúvida o melhor.
Mas ser o melhor nem sempre é suficiente. Tim Henman, Todd Martin, Gabriela Sabatini e outros eram grandes tenistas, mas em momentos decisivos desabavam. O favoritismo muitas vezes se torna um peso, um fardo. Portanto, a vitória de Guga contra Goran Ivanisevic teve um sabor especial. Ivanisevic, apesar de ser um dos melhores sacadores do circuito, é sem dúvida um grande tenista, mas estava totalmente sem ritmo de competição e Guga não vacilou, jogou com a segurança de um campeão, fez de seu favoritismo um aliado. Vencer dessa forma foi fundamental, mas jogar contra Roger Federer é outra história, principalmente por ser piso duro. Federer embalado por dois títulos na temporada, atual número 4 do mundo e talvez o mais talentoso dos tenistas, desta vez era o favorito. Mas, Guga não se intimidou, jogou com confiança fazendo com que Federer sentisse o peso de ter o favoritismo a seu favor nessa partida. Guga sempre gostou de ter grandes adversários, sua história é essa.
Temos que entender que não existe uma receita de bolo para grandes vitórias. É óbvio que trabalho, talento e preparo físico são fundamentais. Mas a tal da confiança, que falamos tanto, muitas vezes vem como uma onda. Não se explica, é aquele momento em que o atleta não pode ter medo do sucesso, ele tem que embarcar na onda, como um surfista. É preciso sorte, ousadia e a partir daí tudo flui, aí o camarada se solta e tudo dá certo, os astros passam a conspirar a seu favor. Apesar de o Guga ser um mau surfista, ele entende desse assunto.
Bela partida do Guga contra Federer, um jogo de pura emoção. Confirmou tudo aquilo que se esperava dele. Dominou o suíço desde o início da partida e, no segundo set, não se deixou abalar pelos quatro set points contra, 5/4 e 6/5, levou o set ao tie break. Aí pudemos ver, mais uma vez, Guga determinado, resoluto, não deixando escapar dessa vez a chance de uma grande vitória, marcando um novo momento nessa sua caminhada de volta ao topo do ranking.
Em Roland Garros no ano de 1997 foi assim, ninguém esperava nada dele, nem ele, e foi aí quando tudo aconteceu. Guga agora totalmente recuperado da cirurgia e pronto para essa nova fase de grandes conquistas.
Copa Gerdau
Nessa semana está rolando o último torneio do Circuito Juvenil Cosat nas quadras da Sogipa e Petrópole em Porto Alegre. Semana que vem darei mais detalhes sobre este torneio.