''Eu queria saber quando é que os homens vão aprender a fazer sexo. Eles acham que não é necessário preliminares, vão logo penetrando a mulher e pronto. Por que são tão egoístas?'' Foi esse o e-mail indignado que recebi de uma leitora. E ela não está sozinha na sua queixa. A mulher, de uma maneira geral, acha que o homem dá pouca atenção a ela. Por que hoje um homem, mesmo quando quer satisfazer uma mulher, se preocupa muito mais com o tamanho e a rigidez do pênis do que em prolongar as preliminares? Por que tanta pressa em penetrar a parceira? Temor de perder a ereção e não corresponder ao ideal masculino; desconhecimento da sexualidade feminina; idéia de que sexo não é tão importante assim para a mulher. Estes podem ser os responsáveis por tanto estranhamento na cama.
Apesar de na nossa cultura se insistir em que o sexo é puramente instintivo e natural, não há dúvida de que ele possui uma história. A pouca importância dada ao prazer das mulheres foi de tal ordem que no século 19 os médicos chegaram a considerá-las portadoras de anestesia sexual. Sendo assim, o homem não tinha nada mesmo com que se preocupar. No entanto, o prazer dele sempre foi enaltecido, embora de forma totalmente equivocada.
Quem nunca ouviu elogios ao desempenho sexual de um homem, comparando-o ao macho de algumas espécies animais, principalmente um garanhão, um touro ou um galo? Não dá para entender como sexo assim pode ser bom. A capacidade sexual dos animais implica numa total falta de diversidade, de intimidade, e de liberdade, presos que estão a uma posição única e a um relógio biológico. Hollywood, que há tanto tempo influencia o comportamento ocidental, também fez a sua parte na divulgação de uma idéia falsa do prazer sexual. Num filme, em poucos minutos, às vezes com um simples abraço, a mulher fica instantaneamente lubrificada e a satisfação no ato sexual se dá rapidamente.
Os sexólogos americanos Masters e Johnson, com base em seus estudos, formularam a teoria de que a resposta sexual ocorre em quatro estágios: excitação, platô, orgasmo e resolução. Cada estágio é acompanhado por várias alterações corporais. Como a mulher demora três vezes mais que o homem para ficar no mesmo nível de excitação que ele, a fase do platô, que antecede o orgasmo, deve ser prolongada ao máximo. E aí estamos falando de carícias preliminares. O tamanho e o vigor do pênis serão de muito pouca utilidade, se da mesma forma como ocorre com o homem, não houver a ereção dos órgãos genitais femininos como pré-requisito para a penetração.
Contudo, o homem não é o único responsável pelo prazer sexual da mulher. A idéia de mulher passiva, que se deixa conduzir, incapaz de uma iniciativa, reflete bem a inferioridade que algumas mulheres ainda sentem quando esperam que o homem sozinho produza nelas o prazer. Uma das maneiras que elas têm de aumentar a excitação e chegar a um orgasmo satisfatório é buscando o prazer que podem sentir ao curtir de variadas formas o corpo do parceiro e sendo tão ativas quanto ele na penetração.
Na realidade, um grande amante não nasce do nada. É preciso aprendizagem e muita espontaneidade. Como em qualquer forma de arte, fazer sexo requer técnica e sensibilidade. Não ter preconceitos nem idéias estereotipadas a respeito do papel do homem e da mulher, mas disposição para proporcionar e receber prazer, são requisitos básicos.