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As lições e missões de uma CPI


O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), está se virando para subir à tribuna e defender o governo das acusações que pipocam na CPI dos Correios. Embalado pelo aparecimento do PSDB nas denúncias de caixa dois, reforçou a necessidade de reforma política séria para normatizar a questão do financiamento.

- Não adianta apenas criminalizar o financiamento. Estamos diante de um problema no qual todos os partidos estão envolvidos - defendeu.

Mercadante lembrou que a função de uma CPI não é apenas levantar indícios suspeitos, encaminhando-os ao Ministério Público, ou propor a cassação de parlamentares. Acima de tudo, uma CPI é fundamental para sugerir alterações na legislação. Recorda o exemplo da CPI dos anões do Orçamento, em 1993.

- Daquela CPI surgiu uma nova lei de licitações e novas regras de tramitação do Orçamento no Congresso - disse.

Agora é com eles

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, designou três procuradores para acompanhar de muito perto as CPIs dos Correios, do Mensalão e dos Bingos. São eles, respectivamente, Claudia Sampaio Marques, Alexandre Espinosa e Raquel Branquinho.

Experiência

A procuradora Raquel Branquinho foi responsável pela investigação que considerou irregulares os contratos da multinacional Gtech com a Caixa Econômica, no escândalo que envolveu Waldomiro Diniz, ex-assessor de José Dirceu, e o empresário de jogos Carlos Cachoeira.

Tucano retira

Três dias após estourar o escândalo Waldomiro, em fevereiro do ano passado, o senador Leonel Pavan (PSDB-SC) retirou um projeto de sua autoria propondo a legalização dos jogos de azar em cassinos.

Tucano repõe

Quando o escândalo esfriou, dois meses depois, Pavan reapresentou a proposta na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Copo meio cheio

Alguns parlamentares da CPI dos Correios acham que, ao afirmar que o deputado José Dirceu sabia dos empréstimos com o Rural e o BMG, a mulher de Marcos Valério, Renilda Santiago, jogou o ex-ministro na fogueira, mas livrou o Planalto do fogo.

Copo meio vazio

Há também quem ache o contrário: analisam que Valério, por intermédio de sua mulher, cravou a faca pública em Dirceu e ameaçou, veladamente, o Planalto. ''Quiseram mostrar que têm bala na agulha.''

Calma nessa hora!

O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), pediu aos parlamentares cautela nas declarações sobre as investigações. Teme injustiças contra pessoas, instituições e empresas.

À disposição

O ministro da Transparência, Waldir Pires, comemora o sucesso de uma iniciativa da sua pasta: o portal da transparência. É um site na internet onde estão disponíveis 200 mil informações sobre os gastos do governo federal.

Em alta

O mecanismo, além de inovador, tem sido um sucesso de público. Em alguns dias, já foram registrados 10 mil acessos simultâneos.

Nada a ver

O senador e bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella (PL-RJ) esteve ontem com o ministro Nelson Jobim. Jurou não ter tratado do caso do deputado João Batista, que quer de volta os mais de R$ 10 milhões apreendidos pela Polícia Federal.

Outro assunto

Crivella disse ter falado com Jobim sobre sua viagem a Houston, hoje, em ''missão da igreja'' para recambiar 300 brasileiros em situação ilegal nos Estados Unidos.

Arrasando corações

Uma disputa acirrada está sendo travada na CPI dos Correios entre o deputado ACM Neto (PFL-BA) e o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Eles dividem a preferência do público gay que assiste aos depoimentos. Por enquanto, o pefelista lidera com 39,23% dos votos, segundo o site Mix Brasil.

''Deputado ACM Neto, muito bem cotado no ranking'', provocou Delcídio. O baiano devolveu: ''Até o fim da semana o senhor me ultrapassa, fique calmo.''

Jogo Rápido

  • O ministro da Educação, Tarso Genro, entrega amanhã ao presidente Lula a terceira e última versão da proposta de reforma universitária. Será sua última ação como ministro, logo depois, ele passa o cargo para o hoje secretário-executivo do MEC, Fernando Haddad.

  • Na próxima semana, a CNI apresenta ao governo e ao Congresso sua sugestão de agenda econômica mínima para fazer frente à crise política. As reformas política e tributária, a lei sobre agências reguladoras e a lei de saneamento estarão entre as prioridades.

    LUIZ ORLANDO CARNEIRO E TINA VIEIRA(Com equipe)


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    [28/JUL/2005]


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