Já havia começado a madrugada de ontem, quando o senador Ney Suassuna (PB), líder do PMDB, fez um comentário despretensioso, que virou motivo de protesto forte da comunidade portuguesa no país. O parlamentar, ao inquirir o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) na CPI dos Correios, disse que o interrogatório lembrava ''coisa de português''.
A frase de Suassuna foi considerada preconceituosa e motivo de uma carta do embaixador de Portugal, Francisco Seixas da Costa, que lamentou o episódio.
Logo pela manhã, Suassuna redigiu um pedido de desculpas para enviar ao embaixador. Depois, usou a tribuna do Senado para reconhecer ''a infelicidade do comentário que fiz (....), pela injustiça à amada pátria portuguesa e a sua gente irmã e amiga, nossos ascendentes diretos''.
Desfeito o desconforto, no Parlamento foi lembrado o belo verso do poeta Fernando Pessoa.
- Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.
Refinaria
A disputa política pela nova refinaria da Petrobras envolve 11 estados, em especial do Nordeste. O governo chegou a dizer que definiria o local neste mês, quando está prevista a vinda do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, ao Brasil.
Longa espera
Os governadores, entretanto, terão de esperar mais um pouco. A Petrobras avisa que não tem pressa para bater o martelo. Como a demanda por combustíveis está aquém do esperado, o início da operação, previsto para 2008, foi adiado para 2010.
Lobby
No meio político, há a interpretação de que Pernambuco é o mais forte concorrente. Esta idéia é endossada também pela Venezuela, que controla a estatal PDVSA, sócia da Petrobras na refinaria estimada em US$ 1 bilhão.
Meu destino
No início do ano, o PTB dava como quase certo que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, escolheria a legenda se resolvesse concorrer a um cargo eletivo em 2006.
Dúvida
Entretanto, depois do olho de furacão em que os petebistas se meteram, o que era tendência natural virou uma enorme dúvida. No Congresso, outro partido da base do governo começou a esfregar as mãos diante da hipótese de Meirelles trocar de idéia, se deixar mesmo o BC.
Idas e vindas
Foram tantas as idas e vindas ventiladas para o futuro de Aldo Rebelo que poucos se arriscam a prever o que o presidente Lula fará com ele na reforma ministerial. A tendência mais forte é o ministro permanecer na Esplanada.
PCdoB
O comitê central do partido de Aldo Rebelo prepara seu congresso para outubro. Entre os temas que dominarão o encontro está a ratificação de apoio a Lula. Renato Rebelo deve ser reconduzido à presidência da legenda.
Reforma política
A mudança num artigo da reforma política agrada em especial ao PCdoB. É o que muda a cláusula de barreira, pela qual um partido teria de possuir 5% dos votos nacionais para ter tempo na TV e acesso ao fundo partidário.
Nova versão
Na nova versão da reforma, que vai a plenário na Câmara, este índice cai para 2%. A cúpula do PCdoB acha que pode chegar a este patamar de votos em 2006. Na eleição passada, o partido ficou com 2,7% do eleitorado brasileiro.
Arrecadação
Maior conhecedor do cofre da União, o secretário da Receita, Jorge Rachid, rebate a interpretação de que a economia está em desaquecimento. Segundo ele, a arrecadação crescente é fruto do desempenho da atividade produtiva e não do aumento da carga de tributos.
Os juros, sempre os juros
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), cobra do governo uma resposta para a reivindicação do setor produtivo para os custos dos financiamentos do BNDES.
Desde o ano passado os empresários pedem redução dos encargos financeiros sob o argumento de que é preciso estimular o investimento no país e que não faz sentido instituir tributos sobre as inversões. Segundo Armando Monteiro, o Ministério da Fazenda está atrasado na apresentação de um estudo sobre o tema.
Jogo Rápido
A Abimaq, que reúne a indústria de bens de capital, promove segunda-feira, em São Paulo, um seminário sobre as negociações da Alca e União Européia. O governo participa com representantes do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento. Entre as preocupações dos empresários está a pressão, de europeus e norte-americanos, para que se abra o Mercosul para produtos de alta tecnologia, inclusive máquinas e equipamentos. Seria a contrapartida para a abertura (na Europa e nos EUA) aos produtos agrícolas sul-americanos.
SÉRGIO PRADO (Com equipe)