Surge hoje mais uma central de trabalhadores no país. Representantes de categorias de vários setores se reúnem até amanhã em Brasília para lançar a entidade, que tenta contrapor-se em especial ao projeto de reforma sindical do governo.
Esta idéia foi lançada em março do ano passado, quando o Fórum Nacional dos Trabalhadores reuniu 30 mil pessoas para discutir os rumos da proposta do governo, hoje em tramitação na Câmara.
Os fundadores da Nova Central Sindical dizem que não se trata de uma dissidência. Amparam-se nos dados do IBGE, os quais apontam que 62% dos sindicatos brasileiros não pertencem a qualquer central. A entidade que nasce considera o texto da reforma confuso e inconstitucional.
- Enquanto alardeia a liberdade de organização dos sindicatos, (o projeto) propõe a criação de um conselho tripartite, que em vários aspectos remeterá a decisão final sobre eventuais litígios ao Ministério do Trabalho, o que representa um retorno ao que ocorria antes da atual Constituição - diz José Calixto Ramos, um dos coordenadores da nova central.
Xadrez intrincado
Se o presidente Lula quiser o PMDB de corpo inteiro no governo terá de agradar à maioria dos caciques do partido espalhados pelo país afora. Não são poucos.
Muitos pedidos
Por isso, hoje, a missão de obter o apoio integral do PMDB é considerada complicada pela maioria dos pemedebistas. As demandas regionais são muitas.
Afago providencial
Há no núcleo político do governo quem defenda uma reunião urgente com os governadores do partido mais refratários à ocupação de mais cargos na estrutura administrativa.
Soou mal
Auxiliares do presidente reclamam da articulação que culminou com a ''trágica'' foto de Lula de mãos dadas com os líderes do PMDB após o encontro sexta-feira no Planalto.
Constrangimento
O presidente Lula teria se constrangido porque a foto, que denotava um suposto acordo, não traduziu o encontro.
Pelo menos uma boa
Mas o governo não vive só de más notícias. Ontem, Lula acertou a liberação de recursos para as obras do metrô de Salvador.
Abrindo a torneira
A liberação foi possível após descontingenciamento de R$ 525 milhões no orçamento de dez ministérios, entre eles o das Cidades, almejado pelo PMDB.
Os ases do baralho
Na reunião que definiu a situação do metrô baiano, além de Lula, ministros que cresceram depois da crise: Antonio Palocci, mais forte do que nunca, e Jaques Wagner, este outra vez como articulador político.
Partilha
Na divisão das quatro pastas que o PMDB teria direito na reforma, a Câmara manteria uma, mas mudaria de mão. Ontem, havia a versão de que Michel Temer (SP) indicaria um deputado de sua confiança.
Partilha 2
Neste caso, Eunício de Oliveira voltaria para sua cadeira de deputado. Completaria a fatia, uma pasta para o Senado, outra para os governadores e a última para a família Sarney.
De saída
Swendenberg do Nascimento Barbosa deixou ontem a Secretaria Executiva da Casa Civil. Em seu lugar, Dilma Rousseff levou Erenice Guerra, que trabalhava nas Minas e Energia.
Desarmamento
Severino Cavalcanti prometeu colocar em votação, nesta semana, o decreto que cria as regras para a realização do plebiscito sobre a venda de armas. Por carta, convocou todos os deputados para que a pauta da Câmara seja desobstruída hoje.
'Briefing'
Em tempos de reforma ministerial emperrada, o trocadilho ganha validade. Quando é que André Singer vai começar a cantar?
A faca e o queijo
Diante da crise que afeta o Planalto, Lula resolveu incorporar de vez o PMDB na Esplanada e em postos-chave do governo. Ocorre que o partido resolveu aumentar o dote para oferecer seu apoio.
Fala-se que, além dos quatro ministérios oferecidos pelo chefe do Executivo, os pemedebistas querem mais dois e uma fatura de bilhões de reais.
- O PMDB está com a faca na mão para cortar o queijo - brinca um auxiliar do presidente.
Jogo Rápido
A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara realiza hoje, às 15h, audiência pública para discutir o projeto do governo que define o marco regulatório do saneamento. Este é o primeiro debate da proposta, que levou dois anos e meio para chegar ao Congresso.
O plano de recadastramento, elaborado pelo TSE, será apresentado hoje aos representantes dos partidos, em reunião na sede no tribunal. A parte técnica será explicada pelo secretário de Informática do TSE, Paulo Camarão. A filtragem atingirá 122 milhões de eleitores.
SÉRGIO PRADO (Com equipe)