O Senado pode dar o primeiro passo para exorcizar um fantasma que assombra caixas estaduais depois de amanhã, quando o senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) pretende apresentar seu relatório sobre a PEC Paralela. A tendência é o parlamentar defender a derrubada da regra que limita o salário de delegados de polícia, auditores fiscais e defensores públicos em até 90,25% do vencimento de ministro do STF, que é de R$ 19.115.
Aprovada pela Câmara, a regra enfrenta a resistência dos governadores. Eles querem que os salários de tais servidores continuem atrelados aos seus, que são mais baixos do que o pago aos magistrados do STF.
Se isso não acontecer, alegam os governadores, estará em risco o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita gastos com funcionalismo.
Quando a PEC foi aprovada pelos deputados, houve um coro
no Senado contra a mudança. Resta saber se ele será mantido,
pois o lobby dos servidores é constante no Congresso.
Pode vir quente
Senadores governistas esperam, com faca entre os dentes, o depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) na CPI dos Correios. Prometem mantê-lo, ao contrário do que aconteceu na Câmara, sempre na condição de acusado. ''Aqui o debate será diferente'', afirma um parlamentar.
Mudança de ares
O senador Delcidio Amaral (PT-MS) debate hoje na Câmara Americana de Comércio, no Rio, o projeto que cria a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Relator do texto, ele já havia desmarcado o compromisso duas vezes, por motivos óbvios.
Jogando nas onze
Líder do PT, presidente da CPI dos Correios e pré-candidato ao governo do Mato Grosso do Sul, Delcidio só apresentará o relatório da Anac, antes prometido para este mês, em agosto, depois do recesso parlamentar. ''Estou assobiando e chupando cana'', diz.
Tá pensando o quê?
Governistas não acreditam no espírito ético do governador de Goiás, Marconi Perillo. O tucano diz que avisou Lula sobre o mensalão e se pôs à disposição para comparecer ao Conselho de Ética da Câmara.
Segundas intenções
Dividem-se apenas quanto às razões de Perillo: não sabem se é uma tentativa de desviar o foco da CPI dos Correios ou intenção de se colocar como opção do PSDB para 2006.
Pacote verde
A liderança do governo na Câmara quer votar nesta semana dois projetos que compõem o chamado pacote verde. Relatado pelo deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), o texto que disciplina a gestão de florestas está pronto para ir ao plenário.
De malas prontas
O senador Hélio Costa (PMDB-MG) conta com o apoio da bancada do partido no Senado para ocupar o Ministério de Lula na reforma que se avizinha.
Previdência é o alvo
Costa entrou na briga por uma vaga na Esplanada logo que estourou o escândalo envolvendo o ministro da Previdência, Romero Jucá.
Pode ser outro
Mas Costa confidenciou a interlocutores que aceitaria Cidades ou Saúde. Quem não quer?
O soldado
O ministro da Integração, Ciro Gomes, mais uma vez está cotado para mudar de pasta. Poderá ser remanejado para a Saúde. Na reforma abortada em maio, Ciro se dispôs a assumir a Saúde, se apresentando como um ''soldado'' de Lula.
Interino, eu?!
Quem ouve o ministro de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, vê que de interino ele não tem nada. Pelo menos, no discurso. Na semana passada, em sua primeira coletiva, ele avisou que pretende tornar os contatos com a imprensa cada vez mais freqüentes.
Uma relação de amor e ódio
O plenário do Senado viveu uma tarde cor-de-rosa na última quinta. Depois de fechado o acordo entre governo e oposição que adiou a instalação da CPI dos Bingos, o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), elogiou o líder tucano, Arthur Virgílio (AM). Este, em seguida, ocupou a tribuna com olhos marejados, o que não passou despercebido.
- Vai começar o duelo de amor explícito - disse Heloísa Helena (PSOL-AL).
Jogo Rápido
Em seminário amanhã na Câmara, PPS e PDT lançam, nas palavras do senador Cristovam Buarque, o embrião de um ''novo projeto de esquerda para o Brasil''. É a candidatura de Roberto Freire (PPS) à presidência em 2006 ensaiando os seus primeiros passos.
A Câmara escolhe hoje os deputados que integrarão a comissão representativa da Casa no recesso de julho. O Senado já escolheu os seus integrantes do colegiado. A Casa Baixa indicará 17 deputados como titulares e outros 17 como suplentes.
SÉRGIO PRADO (Com equipe)