Está escrito na Comissão de Agricultura da Câmara o texto de um projeto de lei que cria parâmetros para nova renegociação da dívida dos agricultores. São quase R$ 12,8 bilhões os débitos atrasados que os fazendeiros querem rever, em especial com o Banco do Brasil. O total dos financiamentos chega a R$ 34 bilhões.
A costura política para levar adiante a proposta no Congresso está sendo conduzida pelo deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS). No Executivo, o fio condutor é o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, um dos nomes mais fortes da Esplanada.
Esta é a mais ampla renegociação em curso no Legislativo desde 2001, quando o governo de Fernando Henrique Cardoso aceitou rever uma dívida de cerca de R$ 35 bilhões. Mesmo havendo oposição de Pedro Malan, então titular da Fazenda, o lobby do campo dobrou a equipe econômica tucana. Com Luiz Inácio Lula da Silva e Antonio Palocci Filho, o debate tem formato muito semelhante.
Jogo combinado
A licença do deputado Roberto Jefferson da presidência do PTB, depois da sua manutenção no cargo por aclamação, foi uma estratégia acertada antes mesmo do seu depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, na terça-feira.
Cidadão Jefferson
Não por acaso, Jefferson se esmerou em poupar o partido no depoimento. A frase de efeito ''agi como cidadão Roberto Jefferson e não como presidente do partido, deixem o partido fora disso'' já estava no script previamente acertado.
Sem máculas
A solução acabou atendendo tanto Jefferson como a cúpula do PTB. Foi uma maneira ''honrosa'' de livrar ambos do desgaste.
O clima esquentou
As negociações, no entanto, não transcorreram num clima de cordialidade. Segundo um petebista, foi regada a ameaças. Até no depoimento havia quem defendesse que o partido não teria outra alternativa senão destituí-lo da presidência.
De virada
Jefferson enquadrou a cúpula numa reunião, virou o jogo e ainda conseguiu emplacar como sucessor o empresário Flávio Martinez, irmão do ex-presidente do partido José Carlos Martinez e dono da rede de televisão CNT.
Ele era o cara
Inicialmente quem o substituiria era o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia.
Não vai ficar barato
Conhecido pelo perfil conciliador, o líder do PT no Senado, Delcídio Amaral, prepara artilharia pesada contra o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer. Dá a entender que o desafeto não conseguirá se manter no cargo por muito tempo.
Acerto de contas
Sauer é apontado por Delcídio como fonte da reportagem que o acusa de fechar contratos que deram prejuízo de R$ 2 bilhões à Petrobras quando o senador ocupava uma diretoria da estatal. Sauer nega. ''Abrirei minha caixa de maldades'', avisa.
Fogo amigo não
Delcídio disse estar forte como nunca para a desforra. Garante ter recebido telefonemas solidários do presidente Lula e dos ministros Dilma Rousseff (Minas e Energia) e Jaques Wagner (Conselhão). A conferir.
Dia D (lúbio)
A bancada do PT no Senado, em reunião do Diretório Nacional hoje, defenderá o afastamento de petistas supostamente envolvidos em esquemas de corrupção. Delúbio e Silvinho na alça de mira.
Ufa
Segundo um auxiliar do presidente, em meio à efervescência política, a notícia mais comemorada dos últimos tempos no Planalto foi a manutenção da atual taxa Selic em 19,75% ao ano, sem viés. ''Pelo menos isso'', disse um ministro aliviado.
Ministro zeloso, pai coruja
Momentos depois do clima pesado por causa da saída de José Dirceu do governo, na quinta-feira, Antonio Palocci Filho manteve sua rotina de pai coruja. E não faltou à cerimônia de formatura no primeiro grau (8ª série) de sua filha Carolina, aluna da Escola das Nações.
Ficou no Palazzo (salão de festas em Brasília) de 20 horas até uma e pouco da manhã de ontem. Depois da solenidade, claro, teve festa com pista de dança. O ministro não entrou na dança, mas tirou muitas fotos da filha.
Jogo Rápido
O plenário do Senado poderá votar em sua sessão deliberativa de terça-feira o projeto de Lei de Conversão (PLV) 14/05 da Medida Provisória 241/05 que abre crédito extraordinário em favor dos ministérios da Justiça e da Defesa e dos encargos financeiros da União, no valor global de R$ 299,5 milhões. A MP está trancando a pauta de votações por ter sido assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há mais de 45 dias.
SÉRGIO PRADO (Com equipe)