O círculo vicioso que afeta o Planalto

[03/ABR/2005]

A forma de fazer política do governo Lula conseguiu a proeza de tornar a votação de uma simples medida provisória numa crise inusitada no Congresso. No entanto, a gestão também é criticada até por ministros, pela dificuldade que encontra para tirar do papel vários programas. O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, já reclamou da enorme burocracia. Agora, o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), coloca mais uma cunha nessa discussão, em meio às dificuldades para obter recursos federais a fim de amenizar os graves problemas causados pela seca em seu estado.

- Falta ao governo operacionalização. Vários pontos são acertados em negociações, mas depois emperram, pois não há quem dê andamento às demandas.

Segundo ele, isto decorre da falta de um articulador específico para tocar os projetos do Executivo. De início, o operador político do governo, José Dirceu, viu seu prestígio minguar em detrimento de Aldo Rebelo. Dirceu foi então encarregado por Lula para ser o gerente do governo. Mas projetos e obras dependem de verbas, seara do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que administra o cofre de forma franciscana. E este círculo vicioso do Planalto emperra grande parte da vida na Planície.

Reforma tributária

Dentro de setores da indústria é claro o sentimento de frustração em torno da reforma tributária. Os empresários acham que, apesar da promessa diária, o Planalto não encontrará mais força para votar o projeto no Congresso.

Mudança sindical

Até mesmo lideranças do governo reconhecem que outra reforma constitucional prometida por Lula, a trabalhista, ficará na gaveta. Enviada à Câmara no mês passado, o projeto está abandonado em função da crise entre as bancadas da Casa.

Agenda petista

O PT começa a se preparar para dois temas importantes que fazem parte da agenda do partido nos próximos meses. Neste mês, decidirá sobre a punição ao deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) na reunião do diretório. Em maio, o tema será a sucessão à presidência do partido.

Saudosismo

O deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) gosta de uma boa galhofa. Agora diz que está com saudade de seu colega Professor Luizinho (PT-SP), ex-líder do governo na Câmara.

Saudosismo 2

O saudosismo do tucano veio após a frase de Arlindo Chinaglia (PT-SP), o novo líder, sobre a medida provisória que derrubou a MP 232: “Nós fizemos isso para derrotá- la (a oposição) na política, nos fatos e na verdade.”

Por falar nisso...

A parte boa da MP 232, que corrige a tabela do IR em 10%, será o item 1 da pauta da Câmara, na terça.

Poltrona vermelha

O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PPPE), reinaugura o cafezinho do Salão Verde da Casa sem atender a um pleito do PT. Parlamentares petistas insistiam que fossem vermelhas as poltronas do espaço revigorado.

Laços estreitos

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) resolveu estreitar os laços com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A idéia do presidente, juiz Rodrigo Collaço, é tornar a associação uma caixa de ressonância da categoria.

Laços estreitos 2

Um dos pontos que unem as duas entidades é a tentativa de se aprovar uma lei que proíba o nepotismo nos Três Poderes.

Sonhar não custa nada

Piadinha maldosa que circulou durante a última reunião da bancada do PL na Câmara. Indignado diante dos escassos recursos destinados ao Ministério dos Transportes, administrado pela legenda, um dos deputados propôs uma ameaça ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

– Ameaçar o presidente, está louco? – indagou um dos presentes.

– Sim. Vamos esperar o Lula viajar. Daí, o José Alencar pede uma licença, alegando problemas de saúde e o Severino Cavalcanti assume a Presidência. Rapidinho nossas emendas serão liberadas – tripudiou outro liberal.

JOGO RÁPIDO

  • O PTB pretende entregar nos próximos dias uma lista de indicações ao Palácio do Planalto. O partido acalenta o sonho de emplacar nomes em diretorias de estatais como Petroquisa, Furnas, BR Distribuidora, Correios, Caixa Econômica Federal, Anvisa e Itaipu Binacional. Há quem diga no governo que a reforma ministerial está acontecendo mesmo no segundo escalão. A diferença da anterior que frustrou muita gente é que agora trata-se de mudança silenciosa. Quando a disputa por ministérios cresceu, em janeiro, ficou claro que o governo estenderia a mudança a estes órgãos para acalmar os partidos aliados.
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