A forma de fazer política do governo Lula conseguiu a proeza de tornar a votação de uma simples medida provisória numa crise inusitada no Congresso. No entanto, a gestão também é criticada até por ministros, pela dificuldade que encontra para tirar do papel vários programas. O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, já reclamou da enorme burocracia. Agora, o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), coloca mais uma cunha nessa discussão, em meio às dificuldades para obter recursos federais a fim de amenizar os graves problemas causados pela seca em seu estado.
- Falta ao governo operacionalização. Vários pontos são acertados em negociações, mas depois emperram, pois não há quem dê andamento às demandas.
Segundo ele, isto decorre da falta de um articulador específico para tocar os projetos do Executivo. De início, o operador político do governo, José Dirceu, viu seu prestígio minguar em detrimento de Aldo Rebelo. Dirceu foi então encarregado por Lula para ser o gerente do governo. Mas projetos e obras dependem de verbas, seara do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que administra o cofre de forma franciscana. E este círculo vicioso do Planalto emperra grande parte da vida na Planície.
Reforma tributária
Dentro de setores da indústria
é claro o sentimento
de frustração em torno
da reforma tributária. Os
empresários acham que,
apesar da promessa diária,
o Planalto não encontrará
mais força para votar o projeto
no Congresso.
Mudança sindical
Até mesmo lideranças
do governo reconhecem
que outra reforma constitucional
prometida por Lula,
a trabalhista, ficará na
gaveta. Enviada à Câmara
no mês passado, o projeto
está abandonado em função
da crise entre as bancadas
da Casa.
Agenda petista
O PT começa a se preparar
para dois temas importantes
que fazem parte da
agenda do partido nos próximos
meses. Neste mês,
decidirá sobre a punição ao
deputado Virgílio Guimarães
(PT-MG) na reunião
do diretório. Em maio, o tema
será a sucessão à presidência
do partido.
Saudosismo
O deputado Alberto
Goldman (PSDB-SP) gosta
de uma boa galhofa. Agora
diz que está com saudade
de seu colega Professor
Luizinho (PT-SP), ex-líder
do governo na Câmara.
Saudosismo 2
O saudosismo do tucano
veio após a frase de Arlindo
Chinaglia (PT-SP), o novo líder,
sobre a medida provisória
que derrubou a MP 232:
“Nós fizemos isso para derrotá-
la (a oposição) na política,
nos fatos e na verdade.”
Por falar nisso...
A parte boa da MP 232,
que corrige a tabela do IR
em 10%, será o item 1 da
pauta da Câmara, na terça.
Poltrona vermelha
O presidente da Câmara,
Severino Cavalcanti (PPPE),
reinaugura o cafezinho
do Salão Verde da Casa
sem atender a um pleito do
PT. Parlamentares petistas
insistiam que fossem vermelhas
as poltronas do espaço
revigorado.
Laços estreitos
A Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB)
resolveu estreitar os laços
com a Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB). A
idéia do presidente, juiz
Rodrigo Collaço, é tornar a
associação uma caixa de
ressonância da categoria.
Laços estreitos 2
Um dos pontos que
unem as duas entidades é a
tentativa de se aprovar
uma lei que proíba o nepotismo
nos Três Poderes.
Sonhar não custa nada
Piadinha maldosa que circulou
durante a última reunião da
bancada do PL na Câmara. Indignado
diante dos escassos recursos
destinados ao Ministério dos
Transportes, administrado pela
legenda, um dos deputados propôs
uma ameaça ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
– Ameaçar o presidente, está
louco? – indagou um dos presentes.
– Sim. Vamos esperar o Lula viajar. Daí, o José
Alencar pede uma licença, alegando problemas de
saúde e o Severino Cavalcanti assume a Presidência.
Rapidinho nossas emendas serão liberadas – tripudiou
outro liberal.
JOGO RÁPIDO
O PTB pretende entregar
nos próximos dias uma lista
de indicações ao Palácio
do Planalto. O partido acalenta
o sonho de emplacar
nomes em diretorias de estatais
como Petroquisa,
Furnas, BR Distribuidora,
Correios, Caixa Econômica
Federal, Anvisa e Itaipu Binacional.
Há quem diga no
governo que a reforma ministerial
está acontecendo
mesmo no segundo escalão.
A diferença da anterior
que frustrou muita
gente é que agora trata-se
de mudança silenciosa.
Quando a disputa por ministérios
cresceu, em janeiro,
ficou claro que o governo
estenderia a mudança a
estes órgãos para acalmar
os partidos aliados.