O embate em torno da refinaria

[07/MAR/2005]

A semana se inicia com mais uma rodada de conversas entre brasileiros e venezuelanos em torno da refinaria a ser construída em conjunto, no Brasil, pela Petrobras e PDVSA. Enquanto os técnicos discutem os detalhes do projeto, os políticos fazem romaria a Brasília na tentativa de convencer Luiz Inácio Lula da Silva sobre o melhor e mais adequado estado nordestino a receber o empreendimento.

Nos últimos dias, vários governadores estiveram com a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Outros, como o pernambucano Jarbas Vasconcelos, foi direto ao terceiro andar do Palácio do Planalto conversar com o chefe do Executivo, que dará a palavra final sobre o assunto.

Poucos se arriscam a um prognóstico, mesmo depois de Pernambuco ter sido citado como favorito. Mas não se deve desprezar as chances do Ceará, que tem mais água do que seu concorrente direto. Além disso, o estado está mais bem situado do ponto de vista geográfico. Sem contar que o médico e amante de livros Lúcio Alcântara é, entre os tucanos, aquele que menos dor de cabeça deu até agora a Lula.

O partido da estrela, o efeito Severino e o divã

Ainda tonto com a derrota pela presidência da Câmara, o PT está no divã, em busca de uma saída para suas crises de consciência. Prepara seminários e pretende organizar sua vida com o olho no futuro próximo, pois 2006 está aí e o partido precisa jogar tudo para manter o poder central. Mas só esse debate retórico em torno de teorias não basta. É por isso que o líder petista na Câmara, Paulo Rocha, eleito pelo Pará, encampou uma costura política no sentido de reposicionar a bancada, hoje a maior da Casa, com 91 cadeiras. O trabalho do deputado tem duas frentes. A primeira é dentro do Parlamento, onde Rocha entende que, sem uma mudança na forma de dialogar com outros partidos, o PT corre sério risco de ficar isolado, como ensinou a eleição de Severino Cavalcanti para presidir a Mesa. Em seguida, vem a busca pela melhoria da interlocução com o Executivo, inclusive a partir de convites a ministros para que conversem mais sobre as votações.

Vida Severina

Está dura a vida de Severino Cavalcanti no que se refere ao cumprimento de sua promessa para tocar a reforma tributária e a emenda paralela da Previdência. Apesar de sua retórica de que não precisa da vontade do Executivo para votar os projetos, até agora inexiste indicação de consenso.

Vida Severina 2

Severino desejava votar as duas propostas na semana passada. Mas teve de render-se aos fatos. Falta consenso entre União e os estados do ICMS, o principal ponto da mudança tributária, e o governo não tem real desejo de tocar no texto da Previdência.

Rigotto e a indústria

O governador Germano Rigotto (PMDB-RS) terá de tirar coelho da cartola se quiser reconquistar o apoio da indústria para sua tentativa de reeleição em 2006. Os donos das fábricas estão pouco propensos a perdoar o governador depois do aumento do ICMS nos combustíveis, telecomunicações e energia.

Reforma ministerial

Não é nova nem nasceu no PP a idéia de que o Ministério do Desenvolvimento deveria ser desmembrado por Lula. Desde 2003, segmentos do empresariado fala em criar uma pasta só para cuidar do comércio exterior. Agora, os partidários de Paulo Maluf fazem lobby para ver Pratini de Moraes nesse posto.

Juros

A média do tal mercado avalia que o Banco Central elevará este mês o juro básico da economia de 18,75% ao ano para 19%, encerrando o ciclo de elevação da Selic. De setembro a fevereiro, a taxa saltou de 16% para 18,75%.

Lavagem de dinheiro

A unificação dos mercados de câmbio ajudará no combate à lavagem de dinheiro. Ainda assim, o diretor de Assuntos Internacionais, Alexandre Schwartsman, acredita ser difícil extinguir esse tipo de crime.

Desabafo

- A gente não consegue acabar com assassinato, excesso de velocidade no trânsito, batedor de carteira e não vamos conseguir acabar completamente com a lavagem de dinheiro. A gente pode aperfeiçoar os controles, acabar, infelizmente, não tem jeito - diz Schwartsman.

Jogo Rápido

  • São mais de 100 mil os inscritos no concurso para preencher 641 vagas de merendeira, em Brasília. A previsão é de que hoje, dia do encerramento das inscrições, este número aumente. O salário a ser pago pelo governo de Joaquim Roriz (PMDB) é de R$ 563. Mais uma amostra do desemprego, num universo de pouco mais de 2 milhões de pessoas. Enquanto no Plano Piloto ostenta a maior renda per capita do país (R$ 14.405), nas cidades que cercam a capital a miséria campeia. O sonho de um Eldorado brasileiro virou pesadelo para milhares de migrantes.

  • No reequilíbrio de forças entre o Executivo e a Câmara, que passa pelo PP, os próximos meses vão mostrar como o Planalto será capaz de capitalizar o peso de um aliado como o de Delfim Netto. Ainda mais agora que o deputado tem até sala no prédio da Fiesp, presidida por Paulo Skaf.

  • A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) abriu fogo contra o procurador-geral da República Cláudio Fonteles. Os juízes consideram uma afronta o pedido feito por Fonteles para que a ação penal sobre o assassinato da freira Dorothy Stang seja federalizada.

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