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A Igreja aproxima a fé e a política


Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Marco Maciel (PFL-PE) e os ministros Patrus Ananias e Waldir Pires participaram da instalação do Centro Nacional de Fé e Política Dom Hélder Câmara, no início da semana, criado pela CNBB para desenvolver o relacionamento da Igreja com os políticos, acima de questões partidárias e realizar cursos de ciência política em várias capitais. O objetivo - informa dom Mauro Montagnoli, bispo de Ilhéus (BA) e presidente da Comissão do Laicato da CNBB e do Centro - é o debate dos temas de interesse nacional e a aproximação da Igreja com a classe política para disseminar os princípios da ética e da cidadania, de acordo com o pensamento social cristão e à luz da doutrina da Igreja, abrangendo teologia, educação e questões sociais. Convênios com universidades católicas de vários estados, como a PUC/Rio, permitirão a realização de cursos com um ano de duração e tendo por objetivo as relações da Igreja com a política e os diferentes grupos sociais. Líderes políticos serão convidados a participar, independentemente da filiação partidária e ideologia pessoal. Em dez anos cerca de 30 cursos já foram realizados, mas agora passam a ser organizados em todo o país, acrescenta dom Mauro. O relacionamento da Igreja com o Congresso até a criação do Centro de Fé e Política limitava-se aos acontecimentos formais e encontros de grupos de parlamentares católicos, como os senadores Simon e Maciel e o deputado José Linhares (PP-CE), que organizam todo mês missas e reuniões de debate com parlamentares. Não haverá limitações a temas a serem tratados, e a CNBB busca parceiros privados para o custeio da iniciativa. No dia 3 de maio o Centro promove encontro nacional de vereadores católicos em Brasília. Para Simon, ''fé e política, cristianismo e ação pública são essenciais num período de tantas dificuldades para o ser humano''.

Classificação

O senador Jefferson Pérez (PDT-AM) é radicalmente contra o aumento do subsídio dos deputados. Não gostou da classificação dada pelo presidente Severino Cavalcanti, que chamou de demagogos os que afirmam não querer receber. Pergunta como ele classificaria quem inventou tal proposição e comenta:

- O aumento é uma cusparada em milhões de brasileiros.

Meta comum

O tucano Antero Paes de Barros (MT) também é contra o aumento. Lembra que Severino Cavalcanti (PP-PE) foi mais explícito em sua exposição durante a campanha, mas os candidatos Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e Virgílio Guimarães (PT-MG) também defenderam o aumento.

Questão fechada

O PFL vai orientar sua bancada a votar contra o aumento do salário dos deputados. O líder Rodrigo Maia (RJ) adotou a decisão porque o presidente da Câmara, segundo ele, não informou de onde vai tirar o dinheiro para aumentar o subsídio dos parlamentares sem provocar mais despesas.

Até que enfim

Está sorridente o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), depois de realizar um velho sonho: foi eleito presidente da Comissão de Agricultura da Câmara. Caiado é médico e produtor rural, um dos fundadores e primeiro presidente da União Democrática Ruralista.

Dois advogados

O advogado-geral da União, Álvaro Augusto Ribeiro Costa, enviou ofício ao presidente da OAB, Roberto Busato, solicitando a indicação de um advogado público e um privado como representantes da categoria na constituição do Conselho Nacional de Justiça.

Radiografia mostra segredos da Câmara

Durante 26 anos, Paulo Afonso Martins de Oliveira (na foto, ao lado do ex-deputado Ulysses Guimarães) foi secretário-geral da Mesa da Câmara, na qual conviveu com 13 presidentes, de Ranieri Mazzili a Ulysses Guimarães. Depois foi nomeado ministro do TCU, onde se aposentou. Os 40 anos como funcionário da Câmara permitiram a Paulo Afonso viver a intimidade do poder, cujos segredos apresenta em seu livro de memórias, Radiografia do Congresso e da política brasileira, com 320 páginas, que lança nas próximas semanas. Paulo conta como foi avisado pelo general Antonio Bandeira, na noite seguinte à edição do Ato Institucional nº 5, na ditadura militar, que como diretor da Câmara deveria zelar para não haver nenhuma reunião política, caso contrário seria invadida militarmente. Quando presidente, o deputado Bilac Pinto queria cassar um parlamentar que vendeu passagens aéreas de sua cota. Outra revelação: a forma como Tancredo Neves escondeu de sua família e de Ulysses Guimarães a doença grave que o levou à morte. Tancredo comentou com Paulo Afonso que, apesar de suas declarações de apoio, se fosse eleito presidente, não convocaria uma Assembléia Constituinte, faria apenas uma reforma constitucional.

Jogo Rápido

  • A bancada do PT na Câmara reúne-se terça-feira para escolher os presidentes das quatro comissões técnicas a que o partido tem direto na Casa. O PT ficou sem vaga na Mesa mas terá as comissões de Constituição e Justiça, Educação, Direitos Humanos e Legislação Participativa.

  • A Executiva Nacional do Partido Verde reúne-se também, hoje, num hotel de Brasília para discutir temas como os assassinatos de ambientalistas, o Protocolo de Kyoto e as metas do partido para o ano. O deputado Fernando Gabeira participa pela primeira vez, depois do retorno à legenda.

  • O presidente da Comissão de Educação do Senado, Hélio Costa (PMDB-MG), decidiu realizar uma série de audiências públicas sobre a reforma educacional. Começa na terça-feira, ouvindo o secretário-geral do MEC, Fernando Haddad.

  • Para discutir, entre outros assuntos, a situação dos afrodescendentes e as políticas públicas de reparação e ação afirmativa nos países da América Latina e Caribe, haverá seminário internacional segunda-feira, no Itamaraty. Reúne especialistas do Brasil, Haiti, Colômbia, Estados Unidos, Cuba, Etiópia, Uruguai, Costa Rica, Peru, Venezuela, Equador, África do Sul e Reino Unido.


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    [26/FEV/2005]


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