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Governo joga PMDB contra Greenhalgh


A tendência de razoável número de parlamentares do PMDB é votar contra o candidato oficial do PT à presidência da Câmara, aborrecidos com atitudes do governo e pela influência de governadores como Germano Rigotto (RS), Jarbas Vasconcelos (PE) Joaquim Roriz (DF), Roberto Requião (PR) e Rosinha Matheus (RJ). Todos irritados pelo descumprimento de promessas de liberação de recursos devidos pelo governo federal, mesmo após acordos. Esse panorama foi traçado ao candidato Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) pelo presidente Michel Temer (PMDB-SP), numa conversa franca. O mesmo disse a José Genoino. Michel reiterou fidelidade à decisão convencional do partido de desligar-se do governo e avisa que oficialmente o PMDB vai se colocar sobre a sucessão da Câmara dias antes da eleição. Considera perigoso para o PT o fato de ter dois candidatos, mesmo sendo um considerado avulso. O gestual político do governo em relação ao PMDB tem sido interpretado no partido como de hostilidade, e a reação dos parlamentares é correspondente, admite. Em termos pessoais, Temer não se incomoda em não ser o interlocutor das negociações com o Palácio do Planalto, que acha compreensível preferir o grupo governista do senador Sarney (PMDB-AP). Reconhece a divisão do partido, que considera estimulada pelo governo, com maioria na bancada do Senado e cerca de metade da bancada da Câmara. O que não entende é como o governo pretende indicar ministros e sugerir-lhes a entrada no PMDB.

Ainda é cedo

O PSB vai decidir oficialmente quem apóia na disputa pela presidência da Câmara em reunião da bancada marcada para o dia 10 de fevereiro, em Brasília, adianta o líder Renato Casagrande (ES). Como outros líderes partidários, acha que a existência de dois candidatos do PT favorece a indefinição e o não comprometimento antecipado das bancadas.

Problema petista

A crise vivida pelo PT com a disputa entre dois candidatos é culpa da direção do partido, que não soube conduzir o processo internamente. Um parlamentar governista lembra que consulta do PT aos líderes da base do governo, em dezembro, indicou apoio quase unânime à candidatura do líder Arlindo Chinaglia (SP), mesmo assim desconsiderado.

Guardar pedágio

O deputado Chico Alencar (PT-RJ) defende a prática da solicitação dos recibos de pagamento de pedágios pelos usuários. Sem eles, observa, as empresas concessionárias não atestam em suas planilhas o número exato de veículos em circulação, e o qualitativo irreal permite aumento dos valores. Cerca de 60% dos motoristas não pedem recibo.

Xadrez da reforma

O presidente Lula estuda deslocar o ministro da Integração Nacional para o Ministério da Saúde a fim de abrir a vaga para o PMDB. Provavelmente para o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira. Para as Comunicações, a opção é a senadora Roseana Sarney (PFL-MA). Mas a filha do presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), tem outras preferências. Se puder escolher, quer a Previdência Social ou o das Cidades.

Reforma tem críticas superficiais

O ministro da Educação, Tarso Genro (foto), afirma que até agora as restrições que têm sido feitas a respeito da reforma da universidade não analisam o verdadeiro conteúdo técnico das propostas. Por isso o ministro recomenda que o tema seja amplamente discutido por todos os setores envolvidos, que, considera, vão além da comunidade acadêmica pública ou privada. Tarso reitera que a proposta do Ministério da Educação não é fechada, nem sectária, mas insiste no respeito à Constituição. Para o ministro, a universidade, além de ser uma instituição de ensino, pesquisa e extensão de alto nível tecnológico e humanístico, deve, igualmente, promover o combate às desigualdades regionais e sociais. Algumas restrições à reforma, acrescenta, são ideológicas e pretendem que a universidade se mova só pela lógica do mercado. O ensino privado é importante mas também deve ser integrado à lógica do interesse público, afirma.

Não custa prevenir

Centenas de pedidos dos novos prefeitos empossados estão chegando à Controladoria-Geral da União para pedir a realização de auditorias em suas prefeituras. Com a mesma solicitação: levantamento da situação financeira por eles encontradas para que não venham a ser responsabilizados pelas irregularidades de seus antecessores. Infelizmente, não há auditores suficientes para atender a demanda.

Jogo Rápido

  • A Firjan inicia na terça-feira encontros regionais de competitividade e responsabilidade social no interior do estado. Serão painéis sobre a vocação econômica de cada região e oportunidades de negócios, geração de renda e emprego. O primeiro será em Campos, incluindo municípios da região.

  • O setor coureiro-calçadista do Rio Grande do Sul gera 474.900 empregos, 10,7% do total do estado. São 200.800 diretos, 110.300 indiretos e 163.800 criados graças ao efeito renda. Esses trabalhadores obtêm R$ 4,46 bilhões em salários, o que representa 17,11% do total de rendimentos do estado.

  • O empresário Luiz Otavio Gomes, das Associações Comerciais do Brasil, assume amanhã, em Miami (EUA), a presidência da Associação Ibero-Americana de Câmaras de Comércio, que reúne os países latino-americanos, Portugal e Espanha. Visa a integração continental e o acesso ao mercado europeu.

  • A Executiva Nacional do PSDB reúne-se amanhã em Brasília para oficializar a saída de José Serra do cargo de presidente nacional do partido, por causa de seus encargos como prefeito de São Paulo. Assume a presidência o vice, senador Eduardo Azeredo (MG).


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    [23/JAN/2005]


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