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Por baixo dos panos


Ninguém quer ver o circo pegar fogo e a rejeição de gregos e troianos ontem à arapongagem multinacional que chegou até o primeiro escalão do governo provou isto sendo unânime. O escândalo Kroll ofuscou duas boas notícias. As de que, pela segunda vez consecutiva, caiu o nível do desemprego e, mesmo de forma modestíssima, começa a melhorar a renda do trabalhador brasileiro. Pelo menos nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE.

O que incomoda, sem querer ser estraga prazeres, é o que fica por baixo dos panos e que, um dia, pode assustar vindo à tona, como as espionagens pagas com dinheiro dos fundos de previdência. Ninguém sabe o tamanho exato do mercado informal no Brasil, onde sobrevivem os sem carteira assinada e os que vivem de alguma espécie de bico. O Dieese, em seus levantamentos, pesquisa além do desemprego, o que chama de desemprego oculto - a percentagem daqueles que, por desalento, embora sem trabalho desistiram de procurar emprego. Em São Paulo, onde o problema é maior, ela vem crescendo constantemente desde 1998, quando começou a ser medida e era de 6,5%, até os 7,4% da medição mais recente. O Dieese mede ainda como se sustentam os desempregados. A família é o esteio a que recorrem mais de 70%. Amigos e parentes atendem outros 18%. Impressionam as baixíssimas percentagens dos que se valem dos recursos do Estado. Apenas 1,6% usa o FGTS e menos de 3% o seguro desemprego.

Bem ao lado

O presidente Lula só precisa chegar à janela do Palácio do Planalto para ver a real do tal mercado informal. Ao lado do ponto de ônibus, na passagem entre a sede do Executivo e o Congresso, instalaram-se três barraquinhas. Duas vendem balas e a maior, queijos e doces mineiros. Pelos dados do Dieese, os desempregados que recorrem a bicos são 23,8%. Assustam mais os 10,7% que se viram ''por outros meios''.

Ainda longe

Os programas financiados pelos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) estão sendo reavaliados pelo Codefat. O Conselho Deliberativo do FAT quer reformular ou extinguir os programas que não estejam apresentando os resultados esperados. Embora a conclusão vá sair em agosto, um dos integrantes do conselho, Canindé Pegado, adianta que programas como o Primeiro Emprego e o de recuperação de imóveis urbanos usados não funcionaram e precisam ser reformatados.

Perto demais

A Brasil Telecom, recentemente, queria instalar uma torre de comunicação sobre o prédio da Controladoria Geral da União. Alertado para o poder de interceptação do equipamento, o controlador Waldir Pires, vizinho da Esplanada dos Ministérios, achou por bem negar.

Outro assunto

O presidente do banco no Brasil, Cássio Casseb, não bastasse estar envolvido no escândalo Kroll, tomará outro susto ao voltar de Portugal. O vice-líder Alberto Goldman (PSDB-SP) enviou requerimento ao procurador-geral da República solicitando abertura de inquérito contra ele, para investigar possível improbidade administrativa na compra de convites por R$ 70 mil para jantar em prol da compra da sede do PT.

Vigilância do bem

O presidente Lula inaugura, dia 3, o Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais. Será um banco de dados com as impressões digitais de pessoas com ficha criminal, em meio eletrônico. Já começa com 800 mil fichas que a PF colocará à disposição dos estados. O sistema custou US$ 36 milhões e promete acabar com as fichas de papel que lotam arquivos de polícias estaduais.

Tudo eu

Nem bem estourou o escândalo Kroll já havia políticos apontando possível dedo de José Dirceu no imbróglio. Tudo porque o chefe da Casa Civil, quando deputado, foi um dos defensores da contratação da multinacional que invadiu a privacidade do ministro Gushiken para apoiar uma CPI. A Kroll foi mesmo contratada - para investigar PC Farias, o tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor. E deu no que deu.

Eu, não

O governador do Paraná reage à denúncia de ter comprado área junto a Curitiba por valor superfaturado por ser da família do falecido deputado Aníbal Khury que, de adversária, teria passado a financiadora das campanhas de seus aliados. Requião garante que os 90 alqueires, comprados por R$ 8,5 milhões, salvarão a área de reserva de ser favelizada. Vai virar parque.

Jogo rápido

  • ONGs com ações voltadas para Educação e Formação dos Direitos Humanos ou para a Prevenção da Tortura podem concorrer ao Prêmio dos Direitos Humanos da República Francesa 2004. As inscrições vão até 13 de setembro e os dossiês de candidatura, redigidos em francês, devem ser enviados à Embaixada da França.

  • O ministro Jaques Wagner participa, segunda-feira, de seminário internacional da Cepal e do BID, em Santiago, aberto pelo presidente Ricardo Lagos, para debater o encontro das aspirações das sociedades com as políticas governamentais. Falará sobre o trabalho do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social nesse sentido.

    Com José Fonseca Filho e Júlia Garcia


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    [23/JUL/2004]


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