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Além da intriga


O ministro Jaques Wagner se preparava, ontem, para levar à reunião da coordenação política do governo, de que participam mais cinco do chamado núcleo duro - Palocci, Dirceu, Gushiken, Dulci e Aldo Rebelo -, lições aprendidas no sindicalismo do fim da década de 70 entre os petroquímicos da Bahia. Aos temas óbvios e difíceis da conjuntura, como a votação do mínimo e as intrigas palacianas, tinha o propósito de somar itens de agenda positiva - a enorme ampliação do programa de microcrédito em ajustes finais na Fazenda e mudanças que facilitem investimentos na construção civil, ambos objeto de debate do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social que coordena. O ''vamos mudar de assunto'' seria respaldado em análise à la Galego, apelido dos idos sindicais pelo qual o chama, até hoje, o presidente:

- As negociações com os patrões eram sempre mais duras quanto mais acessíveis eles fossem e é o que acontece com o primeiro governo popular. É mais cobrado. Mas o presidente está firme em não fazer demagogia ou populismo e pode usar seu poder de veto se o Senado aprovar mínimo maior. A verdade é que o valor proposto pelo governo foi definido, lá atrás, pelos próprios parlamentares, quando votaram o orçamento. Apresentamos R$ 405 bilhões, eles aumentaram e acabou ficando em R$ 411 bilhões. Se tivessem a postura de hoje, a de que o salário mínimo é o fundamental, deveriam ter destinado os R$ 6 bilhões a mais a seu maior aumento. Como nas mesas de negociação, o governo já deu compensações possíveis, como mais recursos para o Bolsa-Família e aumento do salário-família. Agora é pensar para frente.

Reguladoras abertas

Depois de ouvir os ministros Dilma Rousseff e Antonio Palocci, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) apresenta hoje seu relatório na comissão especial que trata das agências reguladoras. Modificou o projeto original, para dar maior acesso aos consumidores. Torna obrigatório todas as reuniões deliberativas serem públicas e propõe que dirigentes e ouvidores indicados pelo presidente da República passem por sabatina no Senado e tenham mandatos não coincidentes e únicos.

E rápido

Pela vontade expressa ao deputado fluminense pelo presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), o plenário vota antes do recesso o projeto que mexe com a vida de todo mundo. As nove agências mandam nos preços e na qualidade de energia, telefonia, água, saúde, transporte, combustível e até do cinema .

Sem chance

Presidente do PFL, o senador Jorge Bornhausen (SC) atribuiu a decisão do governo de não adiar a votação do mínimo, prevista para hoje, à constatação de que o quórum de 41 senadores estava garantido pelos oposicionistas com os dissidentes da base do governo. Aposta que o governo perde.

Sem culpa

O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, passou ontem na Comissão de Seguridade Social da Câmara onde falava o ministro da Saúde. Considerou natural a oposição reivindicar o afastamento de Humberto Costa. Lembrou ter pedido, como senador do PT, a demissão do economista Mendonça de Barros do governo FH, que acabou saindo. Mas foi modesto:

- Obviamente, não porque eu pedi.

Locomotiva

Maria Christina Mendes Caldeira vai levar à reunião do presidente Lula com empresários em NY pesos pesados que conheceu por meio de seu pai, Cito Mendes Caldeira. Conseguiu no Ministério do Planejamento convites para David Mimran, dono do banco Milestone de Nova York e atuante no ramo de açúcar e grãos na Europa; Diagna Mimran, da Companhia Bancária da África Ocidental, maior banco da região; Rashid Al Habtoor, grupo dos Emirados Árabes, com atividades em construção, hotéis e mídia; e Salman Bin Khalifa Al Khalifa, explorador de petróleo no Barhein.

E fiel

Recém-separada do presidente do PL, deputado Waldemar da Costa Neto (SP), Maria Christina informa que os empresários buscam opções de investimentos para os fundos islâmicos que, por força religiosa, não podem aplicar em juros e bebidas alcoólicas, entre outros:

- Como sou pró-ex e continuo PL, vou sugerir que apliquem em transporte e infra-estrutura.

Vice fora

O governador do Espírito Santo poderá se transferir para o PMDB, atendendo a convite do senador Gerson Camata (ES) e da secretária de Infra-Estrutura, Rita Camata. Paulo Hartung não esconde a irritação com seu PSB, que desrespeitou acordo para indicar seu vice, Lelo Coimbra, candidato à Prefeitura de Vitória.

Vice aberto

Domingo, em São Paulo, as convenções do PMDB, para indicar o deputado Michel Temer à prefeitura, e do PSB, para lançar a deputada Luiza Erundina, não nomearão os vices, aguardando possível aliança. Se a cabeça de chapa for do PMDB, será do PSB o vice. E vice-versa.

Jogo rápido

  • O presidente Lula assina hoje, no Palácio do Planalto, com a presença do governador da Bahia, Paulo Souto, autorização para a construção de partes de uma plataforma submarina para a Petrobras, no valor de R$ 1 bilhão, a ser instalada na Bacia de Campos. Serão mais 2 mil empregos para a indústria naval do Estado.

  • Os governadores do Ceará, Lúcio Alcântara, de Santa Catarina, Luiz Henrique, e do Acre, Jorge Viana, foram convidados pelo ministro José Dirceu para contribuírem com o projeto de saneamento elaborado pelo governo, a fim de aperfeiçoá-lo antes do envio ao Congresso. Terão reunião hoje na Casa Civil.

    Com José Fonseca Filho e Bruno Arruda


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    [17/JUN/2004]


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