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Briga de ex


Criticado por FH no encontro de empresários de Comandatuba como ''ressentido que fez curso nos EUA e se acha doutor'', o ex-candidato a seu sucessor e ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, abriu o verbo sobre o governo do ex-presidente, ressalvando que nada de pessoal o move e, para ser ''severo'', usando números:

- A dívida interna do país saltou de R$ 61 bilhões para mais de R$ 600 bi, saindo, em oito anos, de 28% para 58% do PIB; a carga tributária aumentou de 28% para 36% do PIB, 1% em cada ano do seu governo; privatizou o equivalente a US$ 100 bilhões e, em vez de abater a dívida interna para fazer caírem os juros, torrou essa montanha de dinheiro para fins de sua reeleição; o MST invadiu a fazenda do presidente da República e o Brasil enfrentou um apagão - faltou energia no país; FH deixou o governo com o dólar valendo quase R$ 4 e o Brasil quebrou em sua gestão, indo três vezes à UTI do FMI; 50 mil km de estradas federais foram destruídos ao mesmo tempo em que a universidade pública perdeu 1/3 de seus mestres e doutores; o Brasil enfrentou epidemias de doenças medievais, como dengue e cólera, com milhares de perdas humanas; mesmo com o extraordinário aumento da carga tributária e da dívida interna, e os US$ 100 bilhões da privatização, a economia só cresceu, em média, 2,5%.

E o governo Lula?

Ciro responde, com direito a autocrítica final:

- Hoje o dólar vale R$ 2,90; os juros reais, ainda muito elevados, são os menores dos últimos nove anos; é a primeira vez, nos últimos 11, que há superávit no balanço de pagamentos e, nos últimos oito, que o governo reduz a relação dívida-PIB. A balança comercial, deficitária durante quase toda a era FH, bateu recorde em 2003, com superávit de R$ 22 bilhões; a inflação, que apontava para mais de 30% ao ano, caminha para a casa dos 5,5%. E o presidente Lula fez as reformas que FH prometeu e não conseguiu. Mas temos ainda problemas graves. O desemprego é alto, tendo crescido ano passado, e o poder de compra da maioria dos brasileiros também caiu.

Noel de Comandatuba

Ficaram deslumbrados os jornalistas convidados pelo empresário João Dória para o encontro VIP na Bahia. A cada dia recebiam, no quarto, mimos variados, entre os quais relógios Bulgari e modernos celulares. Para evitar qualquer constrangimento, no encerramento do certame receberam, para guardar os presentes valiosos, uma mala que a organização se dispunha a entregar diretamente em seus endereços particulares. Um verdadeiro axé!

Não custa crer

Apesar do pessimismo dos colegas, o líder do governo, deputado Professor Luizinho (SP), afirma que a imagem do governo vai se tornar positiva em maio, quando o presidente Lula tomar atitudes concretas para aquecer a economia. Para começar, mais estímulos à construção civil e absorção de 30 mil novos recrutas pelas Forças Armadas, visando a reduzir o desemprego. Luizinho disse ainda que Lula considera intocável a meta de 4,25% do superávit, mas já admite aumentar os 5,5% deste ano e os 4,5% de 2005 da meta de inflação.

Sugestões concretas

Vice-presidente do Senado, Paulo Paim (PT-RS) promove, dia 27, seminário sobre desemprego. Economistas, sociólogos e representantes do IBGE debaterão redução da jornada de trabalho, estímulo à abertura de pequenos negócios e desoneração da folha de pagamentos. As sugestões que possam virar ações legislativas serão enviadas ao presidente Lula.

E justificadas

O presidente da CUT, Luiz Marinho, confirmou para amanhã sua audiência com o presidente Lula. Justificará a reivindicação da CUT para que se eleve o salário mínimo a R$ 300 com dados do Dieese: no mercado formal, há 1,5 milhão recebendo o piso; para cumprir o que reza a Constituição, o mínimo deveria ser, hoje, de R$ 1.442,46; e seu poder de compra real equivale a 28,52% do praticado em 1940.

Disputa íntima

O PTB paulista decide hoje seu candidato à Prefeitura de São Paulo entre os deputados Ricardo Izar e Arnaldo Faria de Sá. O colégio eleitoral é mínimo: oito integrantes do diretório estadual.

Só nós?

O deputado João Paulo Gomes, do PL - com os senadores já fora da base de apoio do governo -, duvida que deputados se beneficiem por nela permanecerem:

- Só quem está ganhando com este governo são os partidos de oposição.

Bom para alguns

No Senado, há um lado bom na perda de apoio do PL. Com o número de senadores do PMDB superior à soma dos colegas dos outros partidos do bloco de apoio, o regimento permite a criação da figura do líder da maioria - mais uma voz, além das lideranças do governo, do PT e do PMDB, a poder falar diariamente em plenário e encaminhar proposições na defesa do governo. Ney Suassuna (PB) deve ficar com o cargo.

JOGO RÁPIDO
  • De 27 a 29, Brasília sedia o International Software Business Meeting 2004, encontro voltado para empresas brasileiras interessadas em exportar soluções tecnológicas e ampliar seus negócios. O evento será promovido pelo Centro de Tecnologia de Software de Brasília (Tecsoft), com apoio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL Nacional).

  • No dia 13 de maio, o professor Bayard Boiteaux, do curso de Turismo da Univer- Cidade, no Rio de Janeiro, promove o IV Seminário de Políticas Públicas de Turismo, para discutir as novas tendências do setor. O evento está sendo organizado pela Eventura, empresa gerenciada pelos próprios alunos da faculdade.

    Com José Fonseca Filho e Bruno Arruda


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    [22/ABR/2004]


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