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Matemática impura


Do orçamento da União de R$ 1 trilhão e meio, R$ 33 bilhões são destinados a investimentos. Cauteloso, o governo ainda contingenciou R$ 6 bi. A arrecadação extra do primeiro trimestre, de mais de R$ 2 bilhões, permitiu liberar R$ 800 milhões, mil vezes menos que os R$ 800 bilhões destinados à dívida pública. Também triste é o cálculo, do governo, sobre a tragédia das enchentes - nos 1.224 municípios atingidos, entre os 5.565 do país, 376.987 pessoas ficaram desabrigadas. Foram liberados, do dinheiro federal, R$ 119,048 milhões para a reconstrução de casas. O cálculo, também do governo, é de que seja suficiente para 18.018, que, mesmo agrupando 20 pessoas cada, seriam insuficientes.

Na Região Metropolitana de São Paulo, onde o drama é maior, 19,8% são desempregados. Taxa quase igual aos 19,1% da Rocinha, onde o número de mortos na guerra do tráfico, 12, lembra o das medidas provisórias, 11, que trancam a pauta da Câmara e do Senado a partir de amanhã, impedindo a votação de qualquer projeto de lei que sirva para amenizar alguma mazela. O próximo número na berlinda será o do novo salário mínimo. Varia entre os R$ 259 defendidos pelo ministro da Fazenda e os R$ 300 da oposição e da CUT. A emblemáticos 13 dias do 1º de maio, não se decidiu, noves fora, nada.

Urgência vs. penúria

O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, entregou ao presidente Lula plano de recuperação de 25% da malha rodoviária federal danificada pelas chuvas, numa extensão de 13 mil quilômetros. Prevê, para mais de 80% destas estradas, operação tapa-buraco. Ao custo de R$ 2 bilhões, quase o total do orçamento do ministério para o ano, R$ 2,3 bi.

Ciclone vs. municipais

Parlamentares catarinenses têm caprichado na oratória para pedir atenção do governo federal às vítimas do ciclone Catarina. Em reunião com o ministro Aldo Rebelo esta semana, contudo, dos três senadores do Estado, só a governista Ideli Salvatti (PT) abriu mão de suas emendas para que mais verbas fossem liberadas para as vítimas. Leonel Pavan (PSDB) fincou pé no pedido de R$ 3,65 milhões para infra-estrutura turística. E Jorge Bornhausen (PFL) no de R$ 9,9 milhões para programas destinados a portadores de deficiência.

Debilidade

Ex-ministro da Reforma Agrária, o deputado Raul Jungman (PPS-PE) compara invasões e mortes para decretar colapso na política agrária do governo Lula. Em 2002, foram 103 invasões e 20 mortes, contra 222 e 62 ano passado.

- O governo age com tibieza - diz, ignorando a comemoração do governo com a redução da violência rural do trimestre, apontada pela Pastoral da Terra.

Inutilidade

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez discurso, sexta, sugerindo que o presidente Lula escute as ponderações dos partidos de oposição e dos vários segmentos da sociedade. A escutar as suas ponderações, apenas dois senadores no plenário, Mão Santa (PMDB-PI) e Heráclito Fortes (PFL-PI). Prenúncio do deserto que o feriado de 21 de abril anuncia para a Casa, onde nada se vota há 37 dias.

Casa de ferreiro...

Os servidores da Prefeitura do Rio receberam informativo oficial intitulado Entenda seu plano de saúde. Oferece três opções de operadoras privadas, mediante desconto em folha de 2% do salário. O município atesta a falência da saúde pública, igualando-se à prática comum a órgãos estaduais e federais. No país em que um presidente - João Figueiredo - escolheu hospital do Estado para se internar - o Dos Servidores, no Rio - até o Ministério da Saúde oferece plano pago.

Façam o que eu digo

Contrário à construção do muro da Rocinha, Márcio Thomaz Bastos tem erguido barreiras. Primeiro, paredes de blindex em torno de seu gabinete. Sexta, cones impediam a circulação de veículos na entrada principal e na dos fundos do ministério. O alvo eram os grevistas da PF. Mas nada conseguiu livrar a audição de Bastos das músicas típicas tocadas bem alto pelo carro de som dos índios acampados em frente ao Palácio da Justiça.

Façam o que eu faço

A Central Brasileira dos Trabalhadores e Empreendedores, com 7 milhões de representados do mercado formal e informal, e ligada ao PFL, dá início amanhã às comemorações do Dia do Trabalho, com concentração na Central do Brasil, no Rio. As palavras de ordem, contra juros altos e desemprego e a favor da redução da jornada de trabalho, são iguaizinhas às do fogo amigo da reunião nacional do PT.

Façam e aconteçam

O deputado Chico Alencar (PT-RJ) solicitou aos 35 ministros, por ofício, que relatem três a cinco projetos já executados que ''melhoraram a vida da nossa gente''. Mesmo sem nenhuma resposta, sonha com livreto de larga tiragem que exponha as ''principais ações da era Lula''. E confessa:

- Para não irmos às ruas de mãos abanando e discurso vazio, com o que não estamos acostumados.

Jogo Rápido

  • As comemorações do 44º aniversário de Brasília – dia 21 de abril – acontecerão de amanhã a quinta-feira. Para homenagear a capital federal foram marcados lançamentos de livros sobre a cidade, exposição de obras de Tarsila do Amaral, sarau poético e até, aproveitando a quase coincidência do Dia do Índio, uma apresentação dos xavantes.

  • Hoje, no América Futebol Clube, o PPS fará uma feijoada ecológica para lançar seus pré-candidatos à Prefeitura e à Câmara Municipal do Rio. Já confirmaram presença o presidente do partido, Roberto Freire, e o deputado Miro Teixeira. Entre os candidatos a vereador, comparecerá o ator Stephan Nercessian.

    Com José Fonseca Filho e Bruno Arruda


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    [18/ABR/2004]


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