O ministro do Planejamento fala hoje na Comissão Mista de Orçamento sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2005. Se conseguir se desvencilhar da enxurrada de indagações sobre dinheiros mais atuais e urgentes. Vice -presidente da comissão, Pauderney Avelino (PFL-AM) prevê que uma das questões será de quanto o governo vai dispor para o reajuste do funcionalismo e se os militares estarão nele incluídos. Outra será o aumento do salário mínimo que, a cada real a mais onera, pelos seus cálculos, em R$ 145 milhões a Previdência. Este ano, o governo já decretou contingenciamento de R$ 6 bilhões e, de R$ 2 bilhões de receita extraordinária verificada no primeiro trimestre, descontingenciamento de R$ 757 milhões. A previsão de Pauderney é que averba irá para custeio e para atendimento de emendas dos parlamentares, orçadas em cerca de R$ 300 milhões. O que significa praticamente nenhuma sobra para investimentos. Por isso mesmo, acha que a reunião vai descambar para o tema que mais incomoda o governo.
- É natural que o rumo da economia roube a pauta. O país está parado.
Líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP) promete que a bancada será aliada eficiente do ministro. Embora garanta que Guido Mantega saberá se defender sozinho.
Valeu!
A revelação, pela coluna, do motivo da viagem a Brasília dos 15 caiapós que morreram em acidente na volta à sua aldeia em Mato Grosso surtiu efeito. Além de carta de pêsames da Funai, o cacique Megaron, que comanda os 3 mil índios da etnia, recebeu, ontem mesmo, telefonema do Palácio do Planalto. O presidente Lula determinou que seja atendido o pedido de recursos para replantio das roças da tribo destruídas por enchentes.
Fim do extra
Deputados estaduais gaúchos aprovaram ontem o fim do pagamento por convocação extraordinária. Causaram inveja. A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que tenta o mesmo no Congresso, lamentou:
- Batalhei durante três mandatos estaduais. O mais perto que cheguei foi convencer outros deputados a não receberem. E, mesmo assim, uma única vez.
Fim da festa
Depois de 22 discursos e seis horas, a oposição adiou ontem, no Senado, a votação da MP que cria 3 mil novos cargos federais sem concurso público. Vice-líder do PSDB, Leonel Pavan estimou os gastos com as contratações em R$ 58 milhões mensais e, comparando-os com o aumento do funcionalismo, concluiu que ferem o princípio constitucional da proporcionalidade. Tasso Jereissati foi mais curto:
- Os cargos são políticos, para filiados ao PT.
Festa cheia
Assessor palaciano justificava, ontem, no Congresso, a demora do Executivo em atender a pedidos de cargos da base governista:
- É que houve overbook.
Bandeira branca
Um grupo de bispos da Igreja Universal do Reino de Deus será recebido hoje por Lula. Articulado pelo senador Marcelo Crivela (PL-RJ), o encontro tenta reaproximar a rede Record do Planalto. A emissora motivou pedido de resposta do BNDES a programa de críticas contundentes aos empréstimos que fará a empresas de mídia. Mas quer garantir isonomia na disputa pelos recursos de até R$ 4,5 bilhões que já foram apelidados de Pró-mídia - alusão ao Proer, que socorreu os bancos no governo FH.
Vistas malvistas
A comissão de Defesa do Consumidor ia aprovar por unanimidade a extinção da cobrança por assinaturas das telefônicas, projeto de Marcelo Teixeira (PMDB-CE) que encheu de manifestações a favor o atendimento da Câmara. Não deu por pedido de vistas. Da petista Maria do Carmo (MG).
Elogios do mal
Na Comissão de Relações Exteriores, a deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP) comentou que as qualidades intelectuais, políticas e morais do colega Paulo Delgado (PT-MG) deveriam tê-lo tornado ministro de Lula. Fernando Gabeira (sem partido-RJ) interveio:
- Mas é por isso mesmo que ele não foi convidado.
Delgado lamentou:
- Elogios como esse só causam prejuízo, a mim e ao partido.
Elogios do bem
A mesma comissão aprovou moção de apoio ao governo no caso do urânio. Em meio a tanta crítica, periga ser emoldurado o requerimento dos deputados Maninha (PT-DF) e Zarattini (PT-SP) que prega, acima de qualquer divergência, união pela soberania nacional.
Jogo rápido
Hoje acontece no Rio de Janeiro o seminário Balanço Corporativo Ambiental: Riscos e Oportunidades do Gerenciamento de Ativos de Carbono, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável e pela Petrobras. Discutirá as possibilidades abertas com o comércio da redução de emissão de gases poluentes.
O novo Conselho das Cidades, a ser empossado hoje pelo ministro Olívio Dutra, formou-se após debate com representantes de 3.457 municípios e vai se reunir trimestralmente para tratar dos problemas comuns. Os temas prioritários, segundo a secretária-executiva, Iria Charao, serão habitação, saneamento ambiental e transporte.
Com José Fonseca Filho e Bruno Arruda