Mais de três mil pessoas pedirem acesso a um estudo acadêmico de 79 páginas sobre eleições municipais dá a medida de que as deste ano incorporam um elemento animador. A discussão, por pressão do eleitor, promete ser de nível bem mais elevado do que a em torno de qual candidato beijou mais criancinhas ou abraçou mais velhinhas. O trabalho cobiçado foi feito pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, a pedido do Instituto Ulysses Guimarães, do PMDB, mas fez questão de se impor como apartidário. Sob o título
Desenvolvimento com justiça social - uma agenda para os municípios , apresenta propostas de ação política em diversas áreas, como tributação e finanças, regularização fundiária, saneamento básico, saúde, educação, juventude e desenvolvimento local. O mais interessante, do ponto de vista de quem vota, é perceber na análise a força do local neste mundo globalizado. E a necessidade imperiosa de que prefeitos atuem em rede, de forma comparável a que impôs ao mundo a chegada da internet. É confortante também ao eleitor ver provado que é insuficiente a interação entre municípios e outros atores como ONGs, entidades privadas, governos estaduais e outras prefeituras, sinal que empurra na direção de maior democratização e transparência das ações dos novos governantes. O economista André Urani, um dos coordenadores dos debates, lembra que, ao urbanizar uma favela, o prefeito vai calçar ruas, sua atribuição. Mas vai também levar eletricidade, telefonia e outros serviços que estão nas mãos da iniciativa privada. É preciso diálogo para não ter que quebrar a calçada pronta para cabear a rua. E sintetiza:
- Ao invés de ser um papai sabe tudo que tenta fazer tudo sozinho, o prefeito moderno será um cara que articula, negocia, lidera sua equipe e procura ativamente parcerias.
Deus o ouça.
Juventude em alta
O presidente Lula receberá, no início de maio, de grupo de trabalho formado por 19 ministérios, sob coordenação do secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, a proposta de uma política para a juventude. Visa racionalizar e integrar 40 diferentes programas do governo que têm os mesmos objetivos. Entre eles, 26 já contam com R$ 2,5 bilhões no orçamento da União, destinados a 33 milhões de jovens de 16 a 25 anos .
Juventude e sexo
A CPI da Exploração Sexual corre contra o tempo para apresentar relatório até maio. Recebeu ajuda inesperada e oportuna. Jovens do 1º Encontro para Enfrentamento à Violência Sexual colocam-se à disposição para organizar, no dia 18 de maio, uma grande mobilização contra abuso e exploração sexual e pedem cursos de capacitação para que eles mesmos atuem como agentes multiplicadores de informação.
Mulher em alta
Ministras e vice-ministras de dez países vão se reunir em Brasília, terça e quarta, para debater a situação das mulheres da América do Sul, preparando a IX Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe, que acontece no México, de 10 a 12 de junho e é promovida anualmente pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) da ONU. Comandará o encontro a ministra Nilcéa Freire, da Secretária Especial de Políticas para as Mulheres que levará as visitantes a almoço com o presidente do Senado, José Sarney, em sua residência oficial.
Começou a campanha
Denise Frossard (PSDB) e César Maia (PFL) estiveram esta semana em diferentes campus. No da Piedade, a tucana falou sobre políticas de responsabilidade da prefeitura para reduzir a criminalidade no Rio. No de Jacarepaguá, o prefeito falou sobre os Jogos Pan-Americanos. Quando soube do tema, Frossard reagiu eleitoralmente:
- O Pan-Americano vai acontecer. A dúvida é se a população resiste até lá.
Presença polêmica
Interlocutor do governo francês com a iniciativa privada, através do Movimento das Empresas Francesas, com mais de 750 mil afiliados, o empresário Ernest-Antoine Seillière, estará na Firjan dia 26 para lançar sua biografia O Barão da República. No final dos anos 90, Seillière despertou o ódio dos socialistas do governo de Lionel Jospin ao combater a redução da jornada para 35 horas semanais. Anos depois, os franceses constataram que a medida, que hoje é defendida pelos sindicalistas brasileiros, não havia reduzido o desemprego.
Promessa ou ameaça?
A quem estranhou sua declaração, no Fórum Nacional do Trabalho, de que à proposta de redução da jornada empresários poderiam contrapor aumento do expediente, o presidente da CNI deputado Armando Monteiro (PTB-CE), explica:
- A redução pode piorar o desemprego porque aumenta custos. A empresa repassa para os preços, o que gera inflação, ou pode até fechar. Aumento ou redução de horas, para ele, tem que ser sempre negociado em função da conjuntura econômica e não forma de lei.
Jogo rápido
Morreu nesta quinta-feira, aos 97 anos, Hélio Dutra, reverenciado como embaixador de fato do Brasil em Cuba, país que escolheu para viver desde 1948. O último brasileiro com quem ele falou foi Frei Betto, seu grande amigo, que lhe telefonou para dar os pêsames pela morte da esposa, dois dias antes.
Ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos terá agenda cheia no Rio, segunda-feira: na PUC, participa da missa e fala em aula inaugural sobre A política de Ciência e Tecnologia no atual governo, em seguida, almoça com empresários na Firjan, depois visita a reitoria da UFRJ e finalmente se encontra com a direção do Iuperj.
Com José Fonseca Filho e Bruno Arruda