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Fogo amicíssimo


Melhor o governo rezar antes da missa. O seminário do PT, domingo, em São Paulo, promete arrasar o quarteirão já combalido de sua política econômica. Sob o sugestivo título Queremos um outro Brasil, apesar de o deputado Ivan Valente, coordenador, garantir críticas leais e fraternas, o encontro vai colocar lenha na fogueira. Com palavras de especialistas. João Machado, professor da PUC-SP, que saiu da cúpula do partido em 1999, resume o que vai falar:

- Tem que tirar o Palocci. O governo deveria fazer, no mínimo, o que prometeu em campanha, já uma versão à direita do que sempre defendemos. Atirou no alvo errado com a política macroeconômica voltada para confiança dos mercados financeiros. Quis evitar o crescimento da dívida pública sobre o PIB e nem isso conseguiu - cresceu de 56% para 58% no último ano. Em vez de recompor as reservas cambiais, no 1º semestre de 2003, quando havia mais entrada de capital, supervalorizou o real. E continuamos muito dependentes.

O ministro Palocci, convidado, ainda não respondeu se irá ouvir o pedido de sua saída pelo professor. Mas seu colega Patrus Ananias confirmou presença. Para Valente, longe de ser fogo amigo, a crítica contribui com avanços, como a pequena diminuição da taxa básica de juros, ontem.

- Quando tinha 84% de aprovação, Lula deveria ter redirecionado a economia. Não seria cavalo-de-pau em transatlântico como ele disse. Sou engenheiro e sei: 10 anos de repetição dá fadiga de material.

Reforma já

Otimista, o presidente da Comissão Especial da Reforma Política, deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ), garante que ela será apreciada na Câmara em abril e terá como principal conseqüência a redução dos custos ''absurdos'' da campanha eleitoral, incluídos os showmícios e o marketing político. Aprovada a reforma nos termos propostos, a campanha de 2006 custará cerca de R$ 800 milhões, tendo como base de cálculo R$ 7 por voto. Sem ela, avalia que a gastança possa chegar a casa de duas dezenas de bilhões.

Reforma já era

O deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE) diz que só acreditam na aprovação da reforma este ano o presidente e o relator de sua Comissão Especial. E adverte que o financiamento público não será aceito pela sociedade, pelo próprio descrédito da classe política. Acha que os políticos, de um modo geral, não terão coragem de defender o uso do dinheiro do contribuinte em suas campanhas eleitorais. Mas descarta até este debate:

- A reforma já foi para o espaço.

Reforma de fato

O PTB prefere fazer a reforma política através de emendas constitucionais, em elaboração pelos deputados Luis Antônio Fleury (SP) e Roberto Magalhães (PE). O partido vai propor a extinção dos suplentes no Senado, assumindo em caso de vacância o mais votado depois dos eleitos. Quer acabar com a remuneração de vereadores em municípios dependentes de repasses financeiros estaduais ou federais e extinguir as figuras do vice-presidente, vice-governador e vice-prefeito. Os substitutos eventuais seriam os previstos na Constituição. Fleury explica:

- Vice só causa intrigas. Exceção do Marco Maciel.

Reforma Universitária

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino, que representa 300 mil empregados do ensino privado, entregou ontem ao ministro Tarso Genro propostas para o programa Universidade para Todos. Defende vagas públicas em instituições privadas que desenvolvam pesquisa, tenham gestão democrática e plano de carreira e não acumulem dívidas previdenciárias, fiscais e trabalhistas. Com universidades tradicionais como a Cândido Mendes atrasando salários por três meses, a busca pode ser igual a de agulha em palheiro.

Sob pressão

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) está sofrendo forte pressão dos deputados mineiros para se candidatar à Prefeitura de Belo Horizonte. O coro é engrossado pelo governador Aécio Neves, que insiste na tese de sua candidatura, por acreditar que ele dispõe de condições para derrotar o PT. Azeredo sintetiza:

- Não pretendo, mas não está fácil resistir.

Nova MP do Bingo

O deputado Cláudio Magrão (PPS-SP) entregou ao presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, lista de 10 itens pedindo uma MP para urgente regulamentação dos bingos. Egresso do sindicalismo de Osasco, não se considera expert em jogo mas acha possível combater irregularidades e preservar os 110 mil empregos, só com carteira assinada, que calcula o jogo possa proporcionar ao país.

Dos males, o menor

Líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC) diz que não é ironia ter feito projeto de regulamentação dos bingos. Só tentou evitar o pior, pois sempre foi contra o jogo. O projeto, diz, caducou com a MP que o proibiu.

Jogo rápido

  • Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim visita a Turquia, como convidado oficial do governo. Encontrará o presidente do país e os presidentes da Comissão de Relações Exteriores e do grupo parlamentar de amizade Brasil-Turquia. Também visitará o túmulo de Mustafa Ataturk, fundador da República turca.

  • Para discutir as mudanças nas contratações públicas que acontecerão a partir da aprovação da lei que regulamenta parcerias entre o poder público e a iniciativa privada - as PPP -, a Bidding Consultoria e Treinamentos promove em Fortaleza nos dias 22 e 23 o encontro Parcerias Público-Privadas e as Licitações.

    Com José Fonseca Filho e Bruno Arruda


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    [19/MAR/2004]


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