A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil vê com apreço - entenda-se apoio - a medida provisória do governo que proíbe o funcionamento dos bingos em todo o país. A possibilidade de legalização dos bingos, jogos de azar e de cassinos, por outro lado, é vista com muita reserva - leia-se condenação - pela CNBB, de acordo com observações do secretário-geral da entidade, Dom Odilo Pedro Scherer, que, por meio deste informe, trata pela primeira vez do assunto desde o caso Diniz. Trata-se de problema para o qual a CNBB chamou a atenção do país em 1982, quando divulgou comunicado específico de condenação ao jogo, válido na atualidade. Dom Scherer acha que a tendência nacional é pela rejeição à oficialização dos jogos e que a legalização conduz ao vício da jogatina. As conseqüências são ruins para a sociedade, o jogo não é exemplo construtivo para as famílias, mesmo considerado o aspecto da geração de empregos. Não é uma atitude ética, define, citando com reserva, por não dispor de dados, efeitos nefastos como a lavagem de dinheiro e outras irregularidades que contribuem para sua condenação pela sociedade.
Bornhausen defende
O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), opina abertamente sobre o tema que muitos parlamentares têm receio de falar. Defende a oficialização do jogo, com as naturais salvaguardas, e afirma que o governo mandou a MP ao Congresso com a proibição porque não tem coragem de decidir a respeito.
Bornhausen ataca
O pefelista acha ainda que acabará prevalecendo no Congresso a regulamentação, em cujo projeto haverá a participação do governo. Que, aliás, completa, é quem mais patrocina jogos no Brasil por meio das lotos, lotecas e megas da Caixa Econômica.
- Se é para proibir mesmo tem que acabar também com os jogos da Caixa - avança Bornhausen.
Não basta proibir
Para Antônio Sérgio de Moraes Pitombo, advogado especializado no assunto e autor de livro sobre lavagem de dinheiro, o problema gerado pelos bingos não acaba com a simples proibição. Para ele, o crime organizado e o Estado sempre conviveram em simbiose.
- No Brasil, há a corrupção e o clientelismo, com criminosos influenciando em decisões tomadas na gestão da coisa pública, porque as organizações criminosas atuam sobre agentes do poder público por meio dos recursos destinados a campanhas eleitorais - explica.
Baratear campanhas
Um dos objetivos da proposta de reforma política é baratear as campanhas eleitorais, que, no Brasil, são mais caras que nos Estados Unidos. Uma eleição geral aqui custa mais de R$ 10 bilhões, observa o relator da Comissão Especial da Reforma, deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO). Isso impede a renovação política, pois só se elege quem dispuser de recursos. Mas indica:
- A solução é o financiamento público das campanhas de proposto.
Culpa do marketing
A ação dos marqueteiros e os showmícios encarecem e desfiguram as campanhas eleitorais e serão inviabilizados pela reforma política, assegura o deputado João Almeida (PSDB-BA), relator das propostas anteriores de reforma. Para ele, hoje os marqueteiros mandam nas campanhas e cobram caro por seus serviços, assim como as bandas e os artistas.
- Bem pagos, eles se apresentam em nome de qualquer partido e candidato, ou de todos eles - acusa o parlamentar.
Grandes cidades
Hoje e amanhã o PFL reúne mais de cem candidatos e especialistas, em Brasília, para afinar o partido para as municipais. Pefelistas acham que vão aumentar a votação nas grandes cidades, com possibilidades de vitória para as prefeituras do Rio, com Cesar Maia, de Salvador, com César Borges, de Fortaleza, com Moroni Torgan, de São Paulo, com Romeu Tuma, e de Belo Horizonte, com Roberto Brant.
Grandes presentes
O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, recebeu do segundo vice-presidente da Câmara, Luiz Piauhylino (PTB-PE), uma coletânea de poemas do advogado José Paulo Cavalcanti Filho, que foi secretário-geral do Ministério da Justiça no governo Sarney e é nome cotado para assumir a vaga de Maurício Corrêa no STF. O nome do livro, sugestivo, é Aos amigos, tudo.
Fazendo sua parte
Em campanha pela paz no trânsito durante o carnaval, o Denatran investiu R$ 2,9 milhões. Veiculou o jingle ''Vá devagar'' na TV e nas principais praças carnavalescas. Além disso, teve apoio espontâneo de 19 companhias municipais de trânsito e de seis Detrans. Para saber o resultado do esforço, aguarda os números dos Estados, já que, nas interestaduais, a campanha não bastou para reduzir os acidentes. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, foram 2.017 - 9% a mais que em 2003.
Jogo rápido
O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) passou o carnaval em sua fazenda e volta hoje a Brasília confiante em que completará as 27 assinaturas necessárias para a criação da CPI do caso Waldomiro. Consta que já conseguiu o apoio de 23 senadores, embora ele não revele o número, por receio de pressões.
Quarta-feira, o presidente João Paulo Cunha (PT-SP) reúne os líderes partidários na Câmara para debater as indicações para as comissões técnicas, assim como a pauta de trabalhos. A bancada do PFL ainda terá de decidir, até lá, se continua com o deputado José Carlos Aleluia (BA) como líder ou elege um substituto.
com Bruno Arruda