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O mal pela raiz


Uma coisa é você dar o remédio para cuidar dos sintomas e outra é atacar a causa da doença. O médico explica a filosofia do tratamento para o qual o deputado elaborou a receita em mais de um ano de trabalho. Os dois são um só - Ronaldo Caiado (PFL-GO), relator da comissão especial da Reforma Política, que volta à pauta sob as bençãos do presidente Lula. Apesar de, em recente conversa com jornalistas tê-la considerado secundária, a crise o fez, em almoço ontem, aceitar a proposta do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP) de, já no dia 4 de março, reunir os líderes dos partidos para dar urgência aos projetos que mudam o sistema de votação e o financiamento de campanha.

- A CPI pune o crime. Mas o atual sistema é indutor a PCs e Waldomiros. É um meio de cultura para essas figuras. Sem voto nominal, acaba a personalização de candidaturas e restringe-se a prestação de contas aos partidos. É utopia controlar candidaturas indivisuais - diz Caiado.

Na ponta do lápis, certamente é mais fácil verificar a contabilidade dos 27 partidos existentes do que o caixa dos mais de dois mil candidatos inscritos só em Sâo Paulo.

João Paulo acredita que PT, PSDB, PFL e boa parte do PMDB votarão com o governo. Animado, acha que consegue a aprovação na Câmara até começo de junho.

Premier

Líder do PTB na Câmara, o deputado José Múcio (PE), antes de partir para seu estado, fez análise sucinta e clara da situação política:

- O país vive crise típica do parlamentarismo em pleno presidencialismo.

Ao pé da banca

O ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu tirou da cama antes da alvorada de ontem o secretário geral do PT, Sílvio Pereira. Pediu que montasse, em São Paulo, na porta de cada distribuidora das revistas semanais, uma equipe para ler a ele, por telefone, a íntegra - que poderia ser diferente das versões on line - das matérias sobre corrupção envolvendo governo ou partidários. Ficou, ao menos pessoalmente, aliviado com o que ouviu.

Efeito Waldomiro

Depois de o Rio aprovar CPI para investigar a Loterj de Waldomiro Diniz, a Lotergs, gaúcha, está perto de ganhar a sua. O deputado Marlon Santos (PFL) é quem coleta assinaturas para apurar envolvimento do governo Olívio Dutra com Carlinhos Cachoeira.

Com as denúncias de José Vicente Brizola, deve ser ampliada para incluir também a chapa petista derrotada no Rio Grande do Sul em 2002, da qual constava a ex-ministra da Secretaria Especial das Mulheres, Emília Fernandes, acusada por Brizola de mandante de achaques a donos de bingos.

Inspiração espírita

Dos pampas, o deputado estadual Paulo Brum (PSDB), cita o falecido médium Chico Xavier para aconselhar o PT a aprovar investigações rigorosas:

- Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

Guerra Santa

O programa em que foi anunciada, na quinta-feira , a demissão do Bispo Rodrigues da Igreja Universal, o Fala que eu escuto, da TV Record, promoveu debate ao vivo sobre corrupção e política. Em seguida, o tema passou a ser o BNDES ajudar empresas do setor de mídia. Com direito a comentário do jornalista Paulo Henrique Amorim, afirmando ser impagável a ''dívida de US$ 2 bilhões'' da emissora.

Iraque na pauta

Com a guerra política comendo solta, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, parou para conversar sobre paz. Recebeu Marc Grossman, sub secretário de Estado para assuntos políticos dos EUA. Veio dizer que, se o Brasil afinar um pouco em declarações sobre a presença de Tio Sam no Iraque, pode sair da lista negra e participar das obras de recuperação do país. O fundo, na ONU, é de US$ 30 bilhões. O do congresso norte-americano, de US$ 18,5 bi.

Gringos no carnaval

A comunidade diplomática aderiu ao carnaval de Brasília. Onze representações de países como Ucrânia, Argentina e Japão participam da festa no camarote da Secretaria de Cultura do Governo do DF.

De todos, os mais animados são os russos. Pediram 40 convites para acompanhar os desfiles da Passarela da Alegria, o sambódromo da capital.

Melhor ficar no samba

A invasão russa se deve a visita do primeiro ministro Boris Alioshin e negociações na área aeroespacial. Em reunião de técnicos, ontem, assessor quase se recusou a traduzir quando um ufanista brasileiro disse ao colega do país que levou Gagarin ao espaço, que o Brasil só tem tido sucessos no setor. Educadíssimo, o visitante não comentou que conhecia o caso Alcântara.

JOGO RÁPIDO
  • Nem só por denúncias de corrupção o Brasil tem sido citado na imprensa estrangeira. Sob o título A número dois de um filme ganha zero em glória na época do Oscar, O The New York Times revela ressentimentos da co-diretora de Cidade de Deus, Katia Lund. A nomeação para melhor diretor foi apenas para Fernando Meirelles.

  • Embora reconheça que o parceiro teve a palavra final, Lund diz que o trabalho foi conjunto. Meirelles retrucou que co-diretora não é o mesmo que diretor. O vicepresidente da Miramax, produtora do filme, sugeriu que Meirelles, caso vença, chame Kátia ao palco. Veremos na festa de premiação, domingo, dia 29.

    Com José Fonseca Filho e Bruno Arruda


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    [21/FEV/2004]


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