Os presidentes do PMDB e do PT, Michel Temer (SP) e José Genoino (SP), haviam anunciado para esta semana documento em que firmariam pacto para as eleições municipais. Mas, na hora do voto, alianças se tornam bem mais difíceis do que as que compuseram o primeiro e o agora reformado ministério de Lula. Ontem, conversas de cúpula indicaram que, para casar-se com o PMDB, o PT terá de desistir da cabeça de chapa onde o aliado estiver mais forte. O primeiro embate será o do Rio de Janeiro: o PMDB não abre mão da candidatura de Luís Paulo Conde. Já avisou ao PT: no primeiro turno, disputa cordial. Casamento, só se houver segundo. A decisão foi reforçada pelo afastamento da possibilidade de um racha interno. Michel Temer e o primeiro-secretário da Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), estremecidos pelo rumor da migração do grupo de Antonio Carlos Magalhães para o partido, fumaram o cachimbo da paz oferecido pelo deputado Eliseu Padilha (RS).
O embate eleitoral deste ano promete colocar o Congresso na berlinda. No PT, 22 deputados estão na disputa, em pré-candidaturas ou candidaturas já consolidadas. No PMDB, são 13. No PFL, de 12 a 15. E no PSDB, por enquanto, seis. Mas, pela vontade dos tucanos, um senador entrará para o grupo - Eduardo Azeredo, em Belo Horizonte.
Senadores unidos
A senadora Serys Shlessarenko (PT-MT) conseguiu as 27 assinaturas que precisava e mais uma para sua proposta de emenda constitucional que elimina o pagamento de jeton nas convocações extraordinárias. Sérgio Zambiasi (PTB-RS) chegou a telefonar pedindo para assinar. Depois dessa, Serys foi ao plenário e, em poucos minutos, assinaram, entre outros, todos os senadores do Rio, Pedro Simon (PMDB-RS) e Roseana Sarney (PFL-MA). O projeto já está em tramitação.
Bancada dividida
Apesar da má-criação do PMDB, que informou de véspera à coluna que não vai, ontem estavam confirmados 33 deputados mais os três senadores no café da manhã com o presidente da Petrobras com a bancada do Rio. José Eduardo Dutra dirá o que já disse à governadora Rosinha - o oleoduto Rio-SP, que ela quer embargar, vai gerar 34 mil empregos temporários e 3 mil permanentes, com investimento de R$ 4,6 bi.
Refinaria perdida
A sonhada refinaria, disputada por 12 Estados, dificilmente sai para o Rio, que refina 12% do petróleo nacional e consome 8%. Dutra não vê sentido em refinar onde não há demanda, pois há maior facilidade em transportar óleo que derivados.
Esquerda rachada
O PSTU saiu da reunião nacional da CUT, ontem atirando. Seu presidente, José Maria, diz que a central de que o presidente Lula foi líder, ''está cooptada'', por não aderir imediatamente à defesa de causas como o direito de greve para o setor público e a manutenção da estabilidade, em discussão na reforma sindical. Promete reunir em Brasília, em março, 500 dirigentes sindicais contra o neoliberalismo.
A luta continua
Desmente a acusação do PSTU a agenda aprovada pela CUT na reunião. Dia 11, com MST, OAB, ABI e movimentos sociais, será lançada campanha nacional pelo direito ao trabalho, com propostas ao governo de mudança na política econômica, em direção ao social. Dia 16, o manifesto, em Unaí, será contra a violência e, em 2 de março, pela redução da jornada sem redução do salário.
Extinção não
Projeto de lei da Mesa da Câmara, que reestrutura as comissões, extingue a da Amazônia. Seu presidente, Átila Lins (PPS-AM), fez discurso indignado ontem e foi recebido pelo presidente da Casa. João Paulo Cunha vai interferir, curvado aos argumentos do deputado:
- Conseguimos vitórias como a liberação dos recursos do Sivam em 2003. A extinção faria parecer que o Congresso faz pouco de uma região única, que concentra nove Estados, 40% do território nacional.
Sexo e política
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) chegou temeroso à estréia de Fernanda Torres em Brasília. Ouviu dizer que a atriz incluiria seu nome no texto da peça inspirada no livro erótico de João Ubaldo Ribeiro. Levava a tiracolo Henrique Meirelles, presidente do BC: ''Convidei de última hora. É bom ele estar no meio do público para mostrar que não vai cair.''
Samba na liderança
Ideli Salvati (SC) será a líder do PT no Senado. Sua articulação decolou em café da manhã com os senadores Tião Vianna (AC), atual líder, e Aloizio Mercadante (SP), líder do governo na Casa. Era o dia em que o presidente Lula jantaria com Zeca Pagodinho. Ideli, fora da lista de convidados, perguntou a Mercadante se poderia passar por sua esposa. Aceita a pequena fraude, entrou na Granja do Torto, sambou e angariou mais simpatias à sua candidatura.
JOGO RÁPIDO
Com a sessão do Senado
iniciada às 11h e muitos
itens na pauta, o senador
Ney Suassuna (PMDB-PB)
transferiu ontem para o cafezinho
ao lado do plenário
o almoço tipo open house
que oferece toda quinta-feira
em seu gabinete. O cardápio
foi de sua terra: carnede-
sol, arroz de leite e paçoca.
Mais de 20 senadores
marcaram presença para
matar a fome.
Na terça-feira, a partir das
17h30, no Espaço Cultural do
TRF do Recife (PE), acontece
o lançamento do romance Viu-
vinha casadeira, primeiro do
jornalista Jaques Cerqueira.
Com direito a comes e bebes
nordestinos, repentista e personagens
do livro circulando
entre os convidados.
Com José Fonseca Filho e Bruno Arruda