A grande discussão da semana, no que tange ao tal do espetáculo do crescimento prometido pelo governo Lula, é a votação da PPP. A Parceria Público Privada está em debate hoje, no café da manhã que reúne os ministros Antonio Palocci e Guido Mantega, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e o relator, Paulo Bernardo (PT-PR), que confia na realização de obras que não poderiam ser feitas pelo poder público ou pela iniciativa privada isoladamente. Do presidente da Codevasf ouviu que uma das primeiras pode ser a Transnordestina, ferrovia que liga Petrolina ao Recife. Martus Tavares, ex-ministro e diretor do BID para o Brasil, disse-lhe que o banco poderá investir US$ 1 bilhão por ano. Os fundos de pensão Funcef, Previ e Petros - que são recebidos hoje, às 10h, pela comissão - informaram que podem aplicar mais de R$ 4 bilhões até o final do governo.
Sérgio Rosa, presidente da Previ, disse à coluna que considera o projeto inteligente e indispensável, por já ser consenso a incapacidade de o governo fazer sozinho os investimentos que a modernização da infra-estrutura exige. Elogio e constatação importantes quando se lembra que a Previ detém patrimônio de R$ 54 bilhões, 59% investidos em ações. Conseguir mais investimentos diretos que os R$ 1,6 bilhão que ela fez ano passado é um dos desafios da PPP.
Parceria no pedido
A Associação Comercial e Industrial de Taguatinga - cidade do Entorno de Brasília responsável por boa parte do PIB privado da região - divulgou ontem uma parceria com o governo do DF para ampliação da Avenida Comercial da cidade, que reúne mais de 5 mil comerciantes, fora camelôs, e atrai fluxo de quase 1 milhão de pessoas por dia. Os empresários fizeram plano urbanístico, mas quem vai entrar com a verba é mesmo o governo. Apenas benfeitorias como iluminação e novas lixeiras ficarão a cargo da iniciativa privada.
Crítica criticada
Alguns ministros do próprio tribunal consideraram inoportunos alguns trechos do discurso do presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Nilson Naves, que fez críticas ao governo em torno da questão do Judiciário, ontem, em evento de caráter internacional. Isso quando o presidente Lula teve a deferência de participar, mesmo sendo uma reunião preparatória para o encontro latino-americano de presidentes de cortes e tribunais supremos de Justiça, a ser realizado em julho, em El Salvador.
Aprova reforma
Em mais 40 dias, no máximo, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Edison Lobão, garante que a proposta de reforma do Judiciário estará aprovada no Senado. O projeto original do ex-deputado Hélio Bicudo passou 10 anos tramitando na Câmara e mais dois no Senado. Amanhã, a CCJ ouve depoimento do ministro Nelson Jobim e, na próxima semana, o do presidente do STF, Maurício Corrêa, e do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Depois volta à Câmara, para a consolidação do texto final.
Sarney paz e amor
Articulador da reaproximação entre o presidente Lula e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Maurício Corrêa, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AM), não pôde comparecer à cerimônia de reinício dos trabalhos do Judiciário para ver o resultado de seu esforço: Lula e Corrêa sentados lado a lado. Em nota de desculpas, fez apologia da paz. Afirmou que os ''conflitos entre Poderes na democracia devem ser resolvidos'' e que a ''reforma do Judiciário nasce do diálogo entre os Poderes''.
Volta ao batente
Sarney volta hoje a Brasília e começa a trabalhar no discurso que fará nos próximos dias, se defendendo dos ataques pelo projeto tido como de extensão dos benefícios da Zona Franca de Manaus ao Norte do país. Ao contrário do noticiado na mídia, dirá Sarney, seu projeto não prejudica nenhum Estado e visa apenas a beneficiar empresas das cidades de Macapá e Santana (AP) que utilizam matérias-primas e insumos da região.
Briga digital
A notícia de que o PT está informatizando seus 3 mil diretórios - dada aqui no Informe - reabriu o debate em torno do Fust (Fundo de Universalização do Sistema de Telecomunicações), parado desde 2001 por suspeita do PCdoB de favorecimento da Microsoft na licitação da compra de computadores para escolas públicas. A deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) participou da elaboração da lei que criou o fundo e vai pedir audiência aos ministros da Educação, Tarso Genro, e das Comunicações, Eunício de Oliveira. Quer saber quando serão aplicados os R$ 3 bilhões que compõem o Fust, formado com impostos pagos pelos usuários de telefonia.
Jogo rápido
Ano passado o Senado foi visitado por 59 mil pessoas, 2.804 das quais estrangeiras. O número é o maior da história da Casa, mesmo com a interrupção por 62 dias de visitas em função de manifestações, cerimônias ou reparos no plenário. A Subsecretaria de Relações Públicas trabalha para receber, este ano, 50% de visitantes a mais.
Quinta-feira, às 9h, dois navios serão batizados no Estaleiro Rio Nave - antigo Caneco -, no Rio de Janeiro. Os barcos, um de apoio a plataformas de petróleo e um rebocador costeiro, representaram a geração de cerca de 200 empregos. Trata-se da primeira encomenda entregue pelo estaleiro depois de 10 anos de inatividade.
Com José Fonseca Filho e Bruno Arruda