Mantido em segredo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o modelo da reforma ministerial vai dirimir dúvidas quanto ao equilíbrio entre as forças que se combinam no chamado núcleo duro do governo. Esta é a expectativa de políticos com voz de comando nos partidos que apóiam o Palácio do Planalto. Gente ligada diretamente ao processo enxerga queda-de-braço entre cardeais do petismo instalados na ante-sala do poder. A pouco mais de uma quinzena do possível anúncio, caciques governistas estão convencidos de que o presidente Lula ainda não superou as sentimentalidades - um de seus mais fortes traços pessoais - que marcaram o início da sua gestão. E apostam que, pela pressão do próprio PT, poderá resultar numa reforma pífia e pontual, que negará ao governo a excelência operacional que a conjuntura exige. Com voz de comando em seus partidos, esses políticos ainda acreditam num gesto de ousadia. Se acertarem no diagnóstico, dizem, a principal vítima será o chefe da Casa Civil, José Dirceu, mais forte anteparo do presidente Lula e principal articulador de uma reengenharia mais ambiciosa.
Corpo mole
Exigência dos partidos de oposição, a começar do PFL, a criação de um mecanismo de redução da carga tributária vem sendo empurrada com a barriga pela equipe econômica. Preocupados com as dificuldades de caixa em 2004, técnicos da Fazenda têm deixado os senadores doidos. Até agora, nenhuma palavra sobre o tema.
Bom de papo
Vice-presidente da República, José Alencar (PL) anda bem na foto entre os políticos aliados. Senadores que têm ficado na fila de gabinetes da Esplanada dos Ministérios passam momentos de alegria quando decidem procurar o vice. Diferente de boa parte dos ministros, Alencar atende todas as ligações e marca, pessoalmente, as audiências que concede.
Tem gente encantada.
Globalização
O governo brasileiro quer incluir as áreas de ciência, tecnologia, educação e pesquisa científica entre os temas tratados como bens de interesse público nas negociações comerciais internacionais. A proposta será formalizada durante a primeira reunião da Comissão Mundial de Ética do Conhecimento Científico e Tecnológico fora da Europa. O Brasil conta com o apoio de governos vizinhos para ter acesso à produção intelectual mundial nas áreas de microeletrônica e produção de alimentos básicos.
Alerta laranja
O deputado Alberto Fraga (PTB-DF) declarou guerra à Agência Brasileira de Inteligência. Em audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, disse que Marisa Del'Isola Diniz, diretora-geral da Abin, era cega, surda e muda. Presente à sessão, ela calou. Quem assistiu à cena se convenceu de que a crise por que passa a agência, cujos funcionários ameaçam entrar em greve, ganhou eco no Congresso.
Marcha lenta
Editores espanhóis se dizem de mãos e pés atados em relação ao que fazer com a brusca queda de suas vendas no mercado brasileiro. Vendedores, principalmente, de livros didáticos e técnicos, viram o mercado se reduzir de 7 milhões de euros em 2002 para cerca de 2 milhões de euros este ano. Atribuem a queda acentuada à pirataria e a deficiências no nosso sistema de distribuição. Estão desolados, também, porque o Brasil ainda não adotou, como esperavam, o espanhol como segunda língua.
Rede de proteção
Governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) criou um grupo de apoio que extrapola os limites do seu partido. Atacado pelo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), o político mineiro acionou um grupo heterogêneo de colegas para defendê-lo. Os telefones do pemedebista tocaram freneticamente.
Numa hora, o paulistano Geraldo Alckmin (PSDB). Noutra o alagoano Ronaldo Lessa (PSB).
Voz a favor
Vice-presidente do TST, Vantuil Abdala é ardoroso defensor da fixação da idade penal em 16 anos. E mais: quer penas mais rigorosas para crimes - como o homicídio - cometidos por jovens de 16 até os 18 anos, ao lado da implantação de presídios especiais onde possam cumprir a condenação.
Relator sem voto
Os comitês criados na Comissão do Orçamento da Câmara para analisar a consistência do Plano Plurianual de Investimentos podem virar perfumaria política. Veja só: a primeira reunião está marcada para terça-feira, e nem todos os parlamentares escalados foram informados de suas atribuições. Para piorar, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), faz questão de votar o PPA até o dia 15.
Tem gente perguntando de que jeito.
JOGO RÁPIDO
Maior preocupação da sociedade
brasileira, a violência
estará em pauta esta semana.
Autoridades do Judiciário
e do Legislativo discutirão
o tema usando como
exemplo modelos de segurança
internacionais. O seminário
Cidade e Segurança
acontece quinta-feira, no
Auditório Freitas Nobre da
Câmara dos Deputados.
Na sexta-feira, diretores
de empresas e economistas
realizarão encontro dirigido
para empresários n o
Crowne Plaza Hotel, em São
Paulo, sobre as oportunidades
abertas pela nova modalidade
de licitação a ser implementada
no país, a Parceria
Público-Privada. Inscrições
podem ser feitas pelo
telefone: (11) 4702-9927.
Com Bruno Arruda