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Lua-de-mel


DOCA DE OLIVEIRA (interina)

O presidente Lula fecha setembro mantendo estáveis os índices de popularidade. Pesquisas divulgadas no fim de semana e sondagens que virão a público esta semana indicam que ele queimou quase nada do seu prestigio. Gurus da oposição apostam que dura pouco. Estrategistas do Planalto, contudo, avaliam que o cidadão vê o ex-metalúrgico e sua gestão por ângulo diferente do emprestado aos antecessores. E lembram que Lula foi eleito prometendo um jeito novo de fazer política e conduzir o país. Novidade que, registram pesquisas qualitativas, demanda tempo para ser percebida.

- Lula precisa errar muito para perder popularidade. E acertar pouco para mantê-la - diz um assessor palaciano.

Longa distância

O assédio do PT ao PMDB em São Paulo tem horizonte mais longo que a mera reeleição de Marta Suplicy. A indicação de um vice pemedebista é o instrumento de caciques petistas para amarrar a prefeita ao cargo até 2006. A senhora Favre - que briga por uma chapa puro-sangue - pretende fazer de sua reeleição trampolim para a sucessão de Geraldo Alckmin (PSDB), em 2006.

Deixando o comando da capital com seu partido.

Duelo de caciques

Marta terá de gastar toda a sua força para garantir que o vice de sua chapa seja o petista Rui Falcão. E contrariar projetos políticos de cardeais do partido, como o presidente José Genoino, que não abandonou o sonho de governar São Paulo.

Réveillon dourado

Gente bem informada anda babando de inveja do destino escolhido pelo presidente Lula para passar o Ano Novo. Se não houver mudança inesperada de rota, a família presidencial vai desembarcar na Praia da Barra Grande, em Camumu. É uma das dez mais bonitas e discretas paisagens brasileiras, encravada no litoral da Bahia.

Malabarismo

A Casa Civil da Presidência assumiu o comando das negociações das reformas no Senado. José Dirceu tem se esmerado para agradar os senadores. É todo gentilezas e reverências. Aos caciques da oposição, promete tratamento respeitoso do governo. Aos cardeais aliados, acena com tratamento de amigo pelo PT nas eleições municipais.

Codinome

Líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) ganhou novo apelido entre seus colegas: menino. E não é por causa da idade.

De mudança

Murchinho durante os anos FH, o diretório paulista do PMDB passa por profunda expansão. A proximidade do Planalto e as pazes de seus caciques - Orestes Quércia e Michel Temer - tornou pequeno o escritório de 200 metros quadrados que o partido ocupa no centro da cidade. Daqui a 40 dias, Quércia comanda um festão para inaugurar a nova sede: uma casa de 800 metros quadrados, erguida em um dos melhores cruzamentos da Vila Nova Conceição.

Ponta-de-lança

A situação não é diferente no Rio de Janeiro. O presidente estadual do partido, Wellington Moreira Franco, cumpriu a primeira etapa dos acertos impostos pela recente filiação do casal Garotinho. Acordos políticos estão selados com os 91 prefeitos que acompanharam o presidenciável, garantindo a paz interna no PMDB fluminense.

Recesso branco

Depois da pauleira pela aprovação das reformas da Previdência e tributária, deputados influentes trabalham por uma semana de calmaria na Câmara. Cansados de varar noites em votação e ainda abespinhados pela disputa política, tem gente pedindo uma pauta leve, para recuperar o ânimo.

Falta convencer o presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP).

'Cover' à direita

O senador Paulo Otávio (PFL-DF) era um dos convidados mais animados que passaram pela área vip do Brasília Music Festival no fim de semana. Só não estava mais roqueiro que o colega Eduardo Suplicy (PT-SP), que prestigiou o show do filho Supla.

Suplicy é mesmo coruja. Na sexta-feira, circulou por todo o Senado de braço com o filho roqueiro.

O adversário - José Agripino Maia (PFL-RN)

Líder dos pefelistas no Senado, José Agripino Maia é um dos cérebros da oposição ao Palácio do Planalto no Senado. Tranqüilo, raramente perde a compostura. Ataca o governo diariamente. E desdenha a popularidade do presidente.

- É difícil combater um governo com índices de aprovação tão altos?

- Não é difícil, desde que se faça com coerência. Os índices altos decorrem da atuação pessoal do presidente Lula. Em algum momento, as pessoas cobrarão ações de governo.

- Para o PFL, o que é bom no governo do PT?

- Até agora, se considerar as promessas que fizeram na campanha, eu não vi nada. A única coisa positiva deste governo é a política macroeconômica, herança do governo passado e que eles mantiveram. Só isso.

- Tem espaço para o PFL e o PSDB na oposição?

- Claro que tem. Desde que as diferenças de estilo entre nós sejam compreendidas e que os dois partidos procurem se completar sem competir entre si. Não vejo problema algum.

Na dúvida...

E o senador Edison Lobão, hein, vai atender a quem? O padrinho Sarney ou o cacique ACM?


[29/SET/2003]


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