Líder da oposição, o PFL trabalha duro para manter o Palácio do Planalto contra a parede. Depois de aprovar o Programa Primeiro Emprego, voltado para os jovens, o partido quer defender os trabalhadores de 40 anos e ver aprovado pelo Congresso o Projeto Nova Chance. É um programa similar ao do PT, para proteger quem tem perdido vaga no mercado de trabalho por causa da idade. Autor da proposta quando deputado estadual, Onyx Lorenzoni conta com o apoio do Ministério do Trabalho para levar o programa a todo o país. Diz que tem um aliado de peso: o ministro Olívio Dutra, que sancionou o projeto nos últimos dias de sua gestão no Rio Grande do Sul.
Esconde-esconde
O ex-senador José Serra vai mesmo assumir a presidência nacional do PSDB, mas o tucanato manterá o suspense só para infernizar a vida do PT, que anda preocupado com uma possível disputa com o ex-ministro na sucessão de Marta Suplicy, em São Paulo. Serra já tem até secretário-geral: o deputado Sebastião Madeira (MA).
Sal de frutas
Não é leniência nem falta de coragem o que segura a filiação dos dissidentes do PT. O comando nacional do partido vai mesmo expurgar apenas o trio ultra-radical de deputados para não emagrecer demais sua bancada na Câmara. Os petistas estão atentos com o perigoso crescimento do PMDB. Vitaminado pelo casal Garotinho, o partido se tornará uma noiva irresistível quando tiver espaço no governo.
Eminência parda
O deputado João Hermann (PPS-SP) ganhou um novo apelido entre os políticos mais influentes da Câmara. Amigo pessoal do ministro Ciro Gomes e com trânsito livre no Palácio do Planalto, ele é tratado, agora, como primeiro-ministro. São suas as agulhas que dão o arremate na costura política que vai reeleger a dupla João Paulo Cunha e José Sarney no comando das Casas do Congresso. O acordo está praticamente fechado entre os partidos governistas.
Sonho dourado
Secretário da Receita Federal, Jorge Rachid está convencido de que a aprovação da reforma tributária vai melhorar a arrecadação sem aumentar o peso dos impostos sobre o contribuinte. Contando com a aprovação da emenda ainda este ano, ele acha possível sonhar com a redução da pressão dos tributos nos próximos anos, quando o novo sistema estiver consolidado.
Papo firme
Presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP) anda mesmo sem papas na língua. Dias atrás, partiu para o ataque em telefonema ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci (PT), avisando que a Câmara iria mudar a reforma tributária.
- Ministro, não é possível uma proposta que desagrade a todo mundo.
- Não é assim presidente, essa proposta agrada ao Ministério da Fazenda.
- Bem, então mande seus técnicos votá-la no plenário.
A verve do deputado não tem poupado nem quem ele gosta.
Libertação
O Ministério do Trabalho executou, dias atrás, sua maior operação contra o trabalho escravo nos últimos meses. A blitz estourou as fazendas Roda Velha e Tabuleiro, na cidade de Barreiras, lugarejo encravado na divisa do Estado da Bahia com Goiás. Juntas, as duas propriedades mantinham mil trabalhadores em regime de escravidão. Doentes, 70 deles receberam atendimento médico.
Holofotes
Radical do PT, o deputado João Fontes (SE) descobriu os prazeres da ribalta. Virou figura carimbada nas sessões da Câmara, onde fica sentado na última cadeira da Mesa, pertinho da tribuna. É sempre o primeiro a aplaudir, efusivamente, os discursos inflamados da colega não menos radical Luciana Genro (PT-RS).
Polaroid
Políticos da oposição estão convencidos de que o governo está esbanjando gestos políticos na condução da reforma tributária para, na hora agá, acionar seu rolo compressor sem atender a ninguém.
Sedução do poder
Será dura a batalha interna do PMDB pela indicação para o ministério. Caciques do partido já contaram 10 pré-candidatos a uma das vagas no Senado. A contagem na Câmara é maior.
Balão-de-ensaio
Setores do PFL já se movimentam de olho no rodízio das lideranças de bancada do ano que vem. Radical na oposição ao governo petista, o deputado José Carlos Aleluia (BA) pode não ser reconduzido. Seu colega Pauderney Avelino (AM) não esconde de ninguém o desejo de assumir o posto, mas pode ser atropelado por Luís Carlos Santos (SP). Sua candidatura à liderança tem sido ventilada pelo grupo do senador Antonio Carlos Magalhães.
Na dúvida...
O presidente Lula assina, ou não, o acordo com o FMI?