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Os sons da mata


Artesãs, parteiras, agricultoras, extrativistas, agentes de saúde, educadoras, pesquisadoras, quebradeiras de coco, sindicalistas, indígenas e quilombolas, as mulheres da floresta têm encontro marcado em Brasília, nos dias 2, 3 e 4 de setembro. Provenientes de nove Estados, vão montar a Agenda 21-Conexão Amazônica, uma lista de reivindicações que inclui desde o acesso a direitos previdenciários a um programa de desenvolvimento integrado da região. Serão 280 organizações presentes. Quantas mulheres representam? Ninguém sabe. As estatísticas do IBGE não as registram. ''Elas não são recenseadas'', lamenta Concita Maia, coordenadora do Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia, um dos patrocinadores da Agenda 21.

Agentes políticos

As mulheres da floresta contam com três parceiros no Congresso: os senadores Fátima Cleide (PT-RO) e Geraldo Mesquita (PSB-AC) e a deputada Janete Capiberibe (PSB-AP). Querem atrair outros, para garantir a inclusão de suas reivindicações em leis e projetos.

Nada mais justo.

Tara

Várias servidoras do Incra andam resfolegando irritação por salas e corredores do instituto. Enquanto a reforma agrária não deslancha, funcionários graduados matam o tempo acessando páginas de pornografia na internet. Especialmente aquelas em que belas representantes do sexo feminino expõem a intimidade.

O ministro Miguel Rossetto que fique esperto. E identifique os assanhados.

No desenho

Dono do mapa do poder, o ministro José Dirceu tem concorrente. Não é de hoje que o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, controla a máquina de votos. Ao administrar Campina Grande, segunda maior cidade do Estado, o tucano manteve permanentemente atualizado o organograma das lideranças de ruas, bairros e doCentro da cidade. Está aplicando know-how no mapeamento político de todos os municípios paraibanos.

Informações que valem ouro. E deixam PMDB e PT locais apavorados.

Contra-regra

O PT não está preocupado com o crescimento da bancada do PMDB no Congresso porque já encontrou a saída para não ficar refém. Com maior número de parlamentares no Senado e segundo na Câmara, o PMDB se impõe como parceiro preferencial do Planalto, daí a ser agraciado, no fim do ano, com ministérios de peso. Até lá, para não levar sustos em votações importantes, petistas monitoram os passos do aliado-adversário. Se necessário, para contrabalançar, formarão um bloco com parceiros históricos - PC do B, PPS, PSB.

É jogo de profissionais.

Embornal cheio

Esta deve ser a melhor semana da CPI do Banestado. Terminou melhor que a encomenda a temporada de seis integrantes da comissão nos Estados Unidos. Além da promessa de ajuda do FBI, os procuradores distritais de Manhattan liberaram o sigilo bancário das contas relacionados com o Banestado na empresa Beacon Hill - dona do maior esquema de lavagem dos Estados Unidos.

As investigações americanas descobriram que a Beacon transferiu para contas off shore nas Ilhas Cayman, bilhões de dólares em 2001 e 2002. A empresa gerenciaria a tal conta Tucano e outras de brasileiros e latino-americanos.

Embora nenhum dos parlamentares ainda saiba o que é legal ou ilegal, o farto material trazido de lá pode ajudar a desvendar muito do esquema daqui.

Longo alcance

O deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ), que deverá integrar a comissão especial sobre a Alca, a ser criada no Congresso, resolveu estudar o assunto a fundo. E surpreendeu-se. Descobriu que a associação comercial engloba 35 países, alguns dos quais nunca ouvira falar. Como São Cristóvão e Neves, São Vicente Granadina, Dominica, Barbuda, todos na América Central. Observou ainda que, enquanto a balança comercial pende favoravelmente ao Brasil com São Cristóvão e Neves, fica negativa com o Canadá. Ou seja, com os grandes, o Brasil negocia mal, com os pequenos, vai bem.

- É esse processo de esquizofrenia comercial que precisa ser mudado na Alca - avalia Cardoso.

Vaga

Diagnóstico do vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS): falta um cobrador de resultados ao governo. Coordenação política e econômica vão bem nas mãos de José Dirceu e Antonio Palocci, avalia.

- Há necessidade de alguém para injetar ânimo nos vagarosos e desarticulados.

É conselho de aliado.

Afiando bicos

A tucanada está em polvorosa desde que Fernando Henrique Cardoso denunciou ''a fadiga'' do material partidário e apregoou a necessidade de se testar novas plumagens. O atual presidente da legenda, José Aníbal, e até o novo eventual comandante do ninho, José Serra, se controlaram para não vestir a carapuça. Mas, verdade seja dita, diagnosticar o mal é fácil. Indicar o remédio é que são elas. Renovar o discurso, tudo bem. Como FH?

Na dúvida...

O primeiro Orçamento Lula está aí. Bem minguado. Agora, sem a desculpa da herança maldita, o que virá?

com Doca de Oliveira


[31/AGO/2003]


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