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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao tomar para si a tarefa de definir eventuais alterações no relatório da reforma da Previdência, aprovado na Comissão Especial da Câmara, assumiu também o ônus da decisão. Está disposto a pagar o preço. Líderes governistas estão inseguros. Lula nada deixou transparecer no encontro. Apesar disso, alguns avaliam que, se não quisesse mudanças, o presidente teria avisado ontem mesmo. Quer tempo, contudo, para pensar no fim de semana, ouvir governadores e ministros mais próximos. De qualquer forma, deixou claro que ninguém tem poder para decidir, nem as bancadas autonomia para deliberar. O poder é dele, única e exclusivamente.

Mancada diplomática

A reunião de ontem entre Lula e os governadores não foi adiada por desejo presidencial. Os administradores estaduais, avisados às 21h de quarta-feira, não tiveram como desmarcar as agendas para atender ao chamado do Planalto.

Não estão tão assim à disposição da vontade do poder.

E assim vai

Se o presidente ainda não bateu o martelo em relação à reforma da Previdência, quanto a tributária, já decidiu, vai ficar mesmo para depois.

Com tanto interesse envolvido nas mudanças fiscais, o melhor é negociar muito antes para ninguém passar pelo sufoco que está sendo o de enfrentar os servidores públicos e o Judiciário ao mesmo tempo.

Com os prefeitos e governadores o jogo é mais duro.

Cordel

Líder do PV, o deputado Zequinha Sarney (MA) disputou ontem com o líder do PT, Nelson Pellegrino (BA), a seqüência de elogios ao presidente Lula.

Eduardo Campos (PSB-PE) e Eunício Oliveira (PMDB-CE) estavam do outro lado. Puseram o dedo na ferida e avisaram que, sem alterações, a reforma não passa pelo plenário.

Os primeiros foram apelidados de Marias Bonitas. Os segundos, de Lampiões.

Em vão

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o relatório favorável do deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ) para a proposta de emenda constitucional que altera a incidência de ICMS nas operações interestaduais relativas a petróleo e energia elétrica. O projeto, do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), quer garantir o imposto para os Estados que produzem, não para os que consomem energia e combustível. Se aprovada garantiria ao Rio mais de R$ 1 bilhão/ano.

Tromba, contudo, com a reforma tributária.

Que pena!

Num encontro recente com o embaixador do Irã no Brasil, o senador Mão Santa (PMDB-PI) mostrou-se profundamente interessado na organização da sociedade daquele país. Quando o diplomata começou a explicar o regime político do Irã, o político interrompeu:

- Quero saber, mesmo, quantas mulheres cada homem pode ter em seu país.

- Sinto decepcioná-lo, senador, mas lá é um para uma.

Mão Santa ficou desolado.

Justiça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei concedendo indenização de R$ 52 mil ao agricultor José Pereira Ferreira. O texto foi publicado ontem no Diário Oficial da União. Ferreira, submetido a regime de trabalho escravo, foi ferido à bala quando tentou fugir da Fazenda Espírito Santo, no Pará, em 1989. O pagamento da indenização foi acertado entre as parte por recomendação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA.

Antes tarde do que nunca.

Principados

Entre os 50 municípios sorteados pela Corregedoria Geral da União para passar pelo exame da aplicação de recursos federais, os três do Rio de Janeiro são paraísos turísticos: Teresópolis, Cabo Frio e Búzios.

Terão as contas vistoriadas, obras escarafunchadas e administrações julgadas por auditores.

Será que vão passar incólumes? Serão aprovados?

Fuga

Em semana de recesso branco, a votação da Lei de Falências foi adiada mais uma vez.

Ontem, o painel de presença na Câmara registrava 300 deputados na Casa. Na hora de conferir, o número havia caído pela metade.

Os nobres parlamentares assinaram o ponto e correram para o aeroporto. De volta aos Estados.

PÍLULA AZUL

Relator da Lei de Falências, o deputado Oswaldo Biolchi (PMDB-RS) chegou ao limite com o colega Beto Albuquerque (PSB-RS), vice- líder do governo na Câmara. Beto discorda de tudo que Biolchi propõe e ainda apresentou um substitutivo para seu relatório. Biolchi pediu então ao líder socialista, deputado Eduardo Campos (PSBPE), que tirasse o gaúcho das negociações.

– Minha pressão está nas alturas. O médico me proibiu até de tomar Viagra – queixou-se Biolchi.

Com um argumento desses, Campos balançou.

Na dúvida...

O ministro José Dirceu culpa, o PSDB se defende, o ministro contra-ataca. E a tensão no campo, quando acaba?

com Doca de Oliveira


[01/AGO/2003]


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