O Palácio do Planalto está, sim, preocupado com os desdobramentos da CPI do Banestado. Mais que o acirramento das relações políticas no Congresso, apavora o governo Lula a possível retomada de um tema que cobre de arrepios a área econômica, os investidores nacionais e os estrangeiros ao mesmo tempo: a adoção de quaisquer mecanismos de controle de capital.
Recado claro
O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, deixou claro em conversa com líderes aliados que o governo nada fará para atrapalhar as investigações, mas também não deseja que a CPI produza sinais trocados para a economia. Reiterou o esforço feito pelo governo nos últimos seis meses com o objetivo de resgatar a estabilidade econômica e a credibilidade junto ao mercado. Não querem jogar tudo fora pelos janelões do Congresso Nacional.
Batata quente
A definição do comando da CPI do Banestado divide os operadores políticos do governo Lula. Enquanto as lideranças no Senado se esfalfam para reverter a indicação de Antero Paes de Barros (PSDB-MT) para o posto, há quem defenda que o Planalto e o PT se retirem desta articulação. Para esse grupo, dado o depoimento prestado à Câmara pelo delegado José Castilho, é interesse do PSDB e do PFL garantir que a CPI seja conduzida com muita responsabilidade. A base governista, dizem, não precisa se mexer.
Fim de papo
O Tribunal Superior Eleitoral deverá arquivar recurso impetrado pelo ex-presidente Fernando Collor visando à cassação do mandato do governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, por prática de supostas irregularidades na campanha eleitoral. Deve ser acolhido o parecer do procurador-geral eleitoral, Geraldo Brindeiro, de que Collor não apresentou prova consistente contra o governador, ''como lhe cumpria fazer''.
Sinuca de bico
Determinado a concluir as investigações em torno do caso Banestado, o governo brasileiro trabalha para reconquistar a confiança do governo dos Estados Unidos e garantir acesso a todos os documentos necessários.
Conversa mole
Observadores das negociações em torno do destino político do ministro das Comunicações, Miro Teixeira, já estão convencidos de que uma migração para outro partido será consolidada apenas na reforma ministerial que o presidente Lula promete para o fim deste ano. Até lá, tudo fica como está.
Psicanálise
O secretário de Segurança Pública do Rio, Anthony Garotinho, continua mandando sinais trocados ao governo Lula. Dias atrás, teve novo encontro com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, a quem pediu:
- Não me deixe expulsar, eu quero ser governo e te ajudar. O ministro petista quase acreditou.
Saco de maldades
De um cacique pefelista, fazendo troça por causa da instalação da polêmica CPI do Banestado:
- O PSDB é agora muito bem vindo à oposição. Não tem mais como fugir.
Forró com pinhão
O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, espera seus colegas de partido para um encontro na segunda-feira. Quer apresentar, na cidade de Campina Grande, a maior festa de São João do país aos outros governadores tucanos. Mais que forró e iguarias típicas, o encontro deve embutir uma pauta política ainda não definida.
Fogo lento
A interlocutores, Cunha Lima tem dito que ainda não decidiu se deixará mesmo o PSDB. Nem conversou com o comando nacional do partido sobre suas insatisfações. Políticos aliados ao governador da Paraíba estão com uma pulga atrás da orelha por causa do encontro em Campina Grande. Há quem veja sinal de que o político tucano recuou de sua decisão de sair do PSDB. E há quem imagine que a reunião seja apenas mais uma jogada de marketing, para alavancar a imagem do Estado.
Alerta laranja
Líderes dos partidos aliados ao governo Lula levaram ao chefe da Casa Civil, José Dirceu, sua preocupação com o que qualificam como uma suave inversão do clima político.
- Acabou o treino, agora é para valer - disse um deles, na reunião desta semana. O ministro concordou.