O PFL vem digerindo, aos poucos, o impacto do escândalo do grampo baiano. O comando do partido está convencido de que a decadência de Antonio Carlos Magalhães (BA) não ajuda em nada, nem mesmo dará sobrevida a projetos políticos de outras lideranças que poderiam ser neutralizadas por sua ascendência. A derrocada do cacique baiano esvazia a determinação pefelista de fazer oposição aberta ao governo Lula. Guardado nas mãos da Polícia Federal e do Conselho de Ética, o destino de ACM é o freio tácito com que ninguém contava.
Juntando cacos
O partido trabalha em silêncio no projeto de poder com que pretende se recolocar no cenário político nacional. O partido esquadrinha a renovação em seu quadro de lideranças e quer unificar o discurso. O primeiro passo foi dado na Câmara, com a indicação de José Carlos Aleluia (BA) para a liderança da bancada. Outro será dado em maio, com a indicação da deputada Kátia Abreu para a presidência nacional do PFL Mulher, seção que mobiliza a militância feminina.
Cronograma
O comando nacional do partido espera concluir a reestruturação até julho. A partir daí, o PFL vai trabalhar na construção de candidaturas para as eleições municipais de 2004. O partido já está fazendo sondagens para sentir o pulso da sociedade e definir o novo discurso que colocará nas ruas a partir do fim do semestre, quando entra no ar a propaganda eleitoral do partido.
Bandeira branca
O chefe da Casa Civil, José Dirceu, ligou dias atrás para o ex-governador Anthony Garotinho, convidando-o para uma conversa. Foi um esforço do governo para desanuviar o ambiente. Embora não pareça, Garotinho é aliado do Planalto.
Letargia
Políticos ligados ao clã Sarney têm demonstrado certa preocupação com o destino político da senadora Roseana Sarney (PFL-AP). Eleita com boa votação, ela ainda não se recuperou do fracasso de seu projeto presidencial e tem demonstrado pouco interesse pelo mandato. O que mais chama a atenção, dizem seus interlocutores, é o grau de amargura que restou do caso Lunus.
Desagravo
O PSB volta a reunir sua Executiva Nacional no Rio de Janeiro esta semana. Os políticos do partido querem levar apoio e solidariedade à governadora Rosinha Matheus, emparedada por uma crise financeira e de segurança pública. Líder da bancada do PSB na Câmara, o deputado Eduardo Campos (PE) organiza o encontro.
Letra da lei
A Associação Nacional de Magistrados Estaduais entrou com ação ordinária no STF para anular os atos dos tribunais regionais federais, que modificaram seus regimentos internos e passaram a denominar seus integrantes de desembargadores federais. Os juízes dos TRFs adoram o título pomposo, mas não o merecem. Pela Lei Orgânica da Magistratura, desembargador é título privativo de integrantes dos tribunais de Justiça estaduais. Magistrado federal, é juiz mesmo.
Cofre cheio
A falta de vagas nas penitenciárias brasileiras não decorre da escassez de dinheiro para a construção de presídios. O Fundo Penitenciário Nacional fechou dezembro com saldo de R$ 328,9 milhões, dinheiro que continua lá guardado, esperando aplicação. Tem gente no governo Lula perguntando por que esses recursos não são usados imediatamente.
Reta final
PMDB e PT terão nova rodada de conversas esta semana. Os pemedebistas esperam proposta do presidente Lula na terça-feira e dão como certo um desfecho até o dia seguinte. Com ou sem espaço no ministério, diz um político ligado às negociações, o PMDB tomará sua decisão na quarta-feira, quando reúne sua executiva na capital federal. A novela, avisa, está pelo último capítulo.
Pressão
Uma guerra de dossiês varre os bastidores do Senado, contra integrantes do Conselho de Ética. Tem gente com medo.