O corte radical no orçamento do Ministério da Integração Nacional não foi surpresa para Ciro Gomes. A decisão foi acertada entre o ministro e o presidente Lula, como parte da reformulação que será feita na pasta. No comando de um dos maiores orçamentos da Esplanada dos Ministérios e grande foco de denúncias de irregularidades, Ciro decidiu usar como base para as políticas do órgão os quatro fundos constitucionais atrelados à pasta, que dispõem de recursos vultosos. O ministro vai rever os critérios de aplicação do dinheiro.
Limpeza
Interlocutores próximos ao presidente Lula afirmam que essa estratégia foi adotada também em outros casos. Mais do que restringir gastos, em alguns casos, os cortes no Orçamento foram usados para suspender o repasse de recursos públicos a projetos viciados, sem fazer alarde. Não apenas na pasta de Ciro Gomes.
Negativa
O PMDB devolve a bola ao PT: apoio ao governo só diante de uma oferta consistente. Esse foi o tom de conversa reservada entre o presidente do Senado, José Sarney, e o líder da bancada na Casa, Renan Calheiros, ontem. O partido está unido na cobrança de um gesto político do presidente Lula para embarcar. A liderança do governo, sozinha, não será aceita.
Fraude
O Tribunal de Contas da União confirmou denúncia de que um dos grandes contratos de modernização da Imprensa Nacional foi fraudado. O TCU verificou a existência de combinação de preços e conluio entre as três empresas de informática que apresentaram propostas na licitação. Os empresários foram tão amadores que mandaram as propostas à Imprensa Nacional por meio do mesmo número de fax e no intervalo de menos de uma hora.
Multa
Alegando situação de emergência, a Imprensa Nacional contratou uma das empresas, sem licitação, e por R$ 894 mil. Os responsáveis negaram as acusações, mas o TCU mandou aplicar multas individuais e proibiu as três empresas de participarem de negócios com o governo nos próximos três anos.
Isolamento
O PMDB assiste, de braços cruzados, ao cerco fechado em torno do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz. Lideranças do partido avaliam como grave a situação política de Roriz, mas descartam qualquer movimento para defendê-lo. O comando do PMDB dá seu mandato como perdido e acredita que o rodízio de ministros do STF terá um peso decisivo em seu destino político.
Xadrez
Para os pemedebistas, quando indicar três novos ministros para o Supremo, o presidente Lula estará interferindo indiretamente na composição do Tribunal Superior Eleitoral, pavimentando o caminho para a destituição de Roriz. Para o PMDB, a eleição no DF será invalidada pelo tribunal.
Rabugice
Não é de hoje que os ministros do STF Nelson Jobim e Sepúlveda Pertence não se bicam. As diferenças de opinião e de ideologia entre Jobim (mais conservador) e Pertence (mais liberal) sempre rendem acaloradas discussões no plenário do STF, mas, na quarta-feira, o debate foi acima do tom. A discussão virou bate-boca e quase descambou para a grosseria. Na pauta, estava a votação sobre a constitucionalidade da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Telenovela
Na audiência concedida ontem pelo presidente do Senado em exercício, Paulo Paim (PT-RS), a atriz Lucélia Santos deu margem a piadinhas no Congresso. Os mais maldosos não perdoaram: o primeiro senador negro do Brasil recebeu a escrava Isaura.
Pit bull
Líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM) não descansa um só minuto na árdua tarefa de defender os anos FH. ''Grave não é a situação do país. É o país ser governado por gente despreparada e afeita à demagogia'', disparou ontem, respondendo a discurso do presidente Lula.
Com Doca de Oliveira e Diego Escosteguy