JB Online - Eleições 2002


















Passaporte

Tensa, a reunião do PFL teve momentos de descontração. Um deles foi protagonizado pelo deputado José Thomaz Nonô. Depois de ouvir o desabafo de seus colegas de partido, muitos ainda ressentidos com José Serra (PSDB), ele resumiu a situação: ''Nós temos três caminhos. Serra apesar de tudo, Lula depois de tudo ou ir para a Europa. Eu estou no último grupo.''

Conversa indiscreta

Em conversas reservadas, a equipe econômica do governo não poupa queixas a Lula e seus principais assessores. Acham que os petistas radicalizaram o discurso depois da passagem para o segundo turno e assustaram o mercado financeiro.

De passagem

Na noite de terça-feira, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer, fez a última tentativa de impedir o candidato do partido em Santa Catarina, Luiz Henrique, de aderir à Lula. Pediu, ao menos a neutralidade. Terminou sem esperanças. ''Luiz Henrique sempre foi um companheiro leal, mas precisa vencer a eleição.''

Herança

O marqueteiro de Ciro, Einhart da Paz, passou horas na produtora dos programas de Lula, reunido com o publicitário-chefe do PT, Duda Mendonça. Cunhado de Ciro, Einhart recebeu dele a missão de entregar a Lula toda a munição que a Frente Trabalhista reuniu contra José Serra no primeiro turno da eleição.

Dobradinha

Einhart e Duda já vinham trocando figurinhas desde o primeiro turno. O marqueteiro do PT deu conselhos em programas de Ciro na TV.

O especialista

Recém-eleito deputado pelo PMDB gaúcho, o ex-ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, vai passar uma temporada em São Paulo. Entrou para a coordenação da campanha de Serra. Credenciado como principal estrategista da surpreendente campanha de Germano Rigotto, no Rio Grande do Sul, Padilha é conhecido por bater firme nos adversários.

Ostracismo

Ninguém falou ainda em pedir o apoio do deputado mais votado no Pará. O ex-senador Jader Barbalho.

Apoio de cara feia

Na reunião do comando nacional do PFL surgiram muitos argumentos a favor da aliança com o PSDB. Mas ninguém fez elogios pessoais ao candidato José Serra, que continua entalado na garganta do partido. Derrotado na disputa pelo governo do Piauí, Hugo Napoleão é um dos que não perdoa Serra. Aliado de primeira hora, o senador ainda fica engasgado quando lembra da campanha: Serra foi ao Estado só uma vez, e o candidato do PSDB, Freitas Neto, jamais pediu um voto para ele. Mesmo assim, Napoleão transferiu votos ao presidenciável tucano, que teve 27% dos votos no Piauí.

Vilão

O presidente do PSDB, José Aníbal, é acusado de ser responsável pelas dificuldades do partido para amarrar apoios a José Serra no segundo turno. Para o PMDB, o quadro é mais grave na Paraíba, no Ceará e em Santa Catarina. Acham fácil reconquistar Sérgio Machado, derrotado na disputa pelo governo do Ceará. Mas impossível arrumar o palanque nos dois outros Estados.

Realismo socialista

José Dirceu ouviu com atenção as reivindicações do PSB, mas não se comprometeu com nenhuma. Disse que a oposição a Alca e o salário mínimo de R$ 280 são bandeiras que o PT não pode assumir. Prometeu apenas independência na política externa e esforço para melhorar os salários.

Radiografia

Auditores do Tribunal de Contas da União prepararam detalhado estudo sobre a Secretaria de Políticas de Emprego e Salário, vinculada ao Ministério do Trabalho. Conclusão: o desempenho do sistema público de emprego é ''fraco''. Segundo os técnicos, o principal motivo é a falta de definição sobre a finalidade do sistema. Outros problemas são a pouca integração entre os órgãos do governo e a baixa qualificação dos servidores públicos.

Com Doca de Oliveira e Diego Escosteguy



[10/OUT/2002]

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