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Estrangeiros sabem onde estão metidos


O diabo mora nos detalhes, e o presidente Lula parece pouco afeito a eles. Seus discursos de improviso têm potencial de causar estragos extensos no mercado financeiro. E isso não aconteceu ainda por um único motivo: não pára de entrar dinheiro de curto prazo no Brasil, atraído pelos juros estratosféricos e pelo potencial de valorização de ações espancadas por anos de desconfiança.

Não há amor desinteressado pelo país. Relatórios de bancos estrangeiros mostram que os investidores sabem muito bem onde estão se metendo. Sabem que a economia brasileira é vulnerável como admitiu o presidente e que a crise política se agiganta, com várias frentes de investigação das denúncias de falcatruas (Congresso, Polícia Federal, imprensa). Percebem, no entanto, que a atual condução da política macroeconômica não dá margem a guinadas de rumo, única hipótese que realmente preocupa.

Michael Hood e Gautam Jain, do Departamento de Pesquisas sobre Mercados Emergentes do britânico Barclays Capital, traçam três cenários de contágio do mercado pela turbulência política: 1) Temendo ser derrotado nas eleições, o governo afrouxa a política fiscal, minando a recente melhora na capacidade do país de honrar seus compromissos; 2) A disputa eleitoral produz um governo sem compromissos com a atual prudência na macroeconomia; e 3) A maré de denúncias força o impeachment ou a renúncia do presidente, com resultados imprevisíveis para a economia.

A terceira hipótese é considerada pelos analistas a mais improvável, mas já figura nas previsões. Os grandes bancos se sentiriam à vontade num eventual retorno dos tucanos ao poder, mas temem arroubos populistas – com ou sem Lula. “O ambiente político continuará ditando os rumos dos mercados financeiros brasileiros no curto prazo”, assinalam os pesquisadores do Barclays. “A deterioração representa um evento genuíno e não apenas ruído”.

Rio Previdência na mira da PF

Com indícios suficientes, a Polícia Federal instaura nos próximos dias inquérito para apurar as perdas do Rio Previdência no período em que Benedita da Silva esteve à frente do governo do Estado do Rio. Estima-se que o prejuízo na compra de títulos a preços acima da média do mercado tenha lesado o patrimônio do fundo de pensão em R$ 32 milhões. As operações foram comandadas pelas corretoras Turfa, CQJR e Quantia.

Para o povão

Quase um ano após o lançamento do seguro de vida popular, a Bradesco Seguros, com 800 mil apólices vendidas, partiu para nova estratégia. A convite de Lázaro Brandão, compareceu a um almoço de executivos do setor o diretor da Federação das Favelas do Rio, Roberval Uzeda. Na primeira oportunidade ao microfone, se disse maravilhado com a aproximação e alertou que os ''carentes não conhecem o produto''. ''Não adianta divulgar na internet, tem que atingir o povão'', bradou, garantindo que, na Rocinha, ''uma apólice de R$ 10 seria comprada por mais de 100 mil pessoas''. Prontamente, a SulAmérica pegou carona na iniciativa do concorrente e se propôs a receber o líder comunitário.

Seguro de morte

Depois de abocanhar um mercado da ordem de R$ 500 milhões com a regulamentação da garantia estendida, o setor segurador está de olho nos planos funerais. Mas a Superintendência de Seguros Privados (Susep) prontamente joga um balde de água fria: seguros pressupõem o pagamento de um prêmio para garantir indenização em um evento incerto - o que, como se sabe, não é o caso da modalidade em questão.

Kit Brasil

A estratégia de investimento dos estrangeiros nesse momento de crise interna e liquidez externa foi batizada pela Modal Asset: é o ''kit Brasil''. Compreende, em uma ponta, compra de bolsa (ações e Ibovespa futuro) e títulos da dívida externa e, na outra, venda de DI e câmbio no mercado futuro.

LINHA DE FRENTE

  • O Consulado Americano e o Ministério Público promovem, nesta quarta-feira, o seminário Lavagem de dinheiro: Últimas tendências em apreensão, acusação e prevenção.O evento, no Auditório do MP do Rio de Janeiro (Av. Marechal Câmara, 9º andar, Centro), contará com a presença de autoridades como o ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). De acordo com estimativas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, cerca de US$ 500 bilhões em dinheiro sujo são movimentados por ano em todo o planeta.


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    [31/JUL/2005]


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