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Déficit zero, meta do próximo governo


Tal como seu colega e amigo (de décadas) Yoshiaki Nakano, o economista Geraldo Gardenalli, professor da FGV/SP, puxa e engrossa o coro dos advogados do déficit nominal zero. Presidente do banco paulista Nossa Caixa por oito anos (nos governos de Mário Covas e no primeiro mandato de Geraldo Alckmin), assessor especial da Fazenda na época do ministro Luiz Carlos Bresser Pereira nos anos 80 e secretário de Fazenda do próprio Ministério no começo dos 90, Gardenalli diz que ''está na hora de mudar a política econômica''. Em que direção? Em linha com o que vem costurando o deputado Delfim Netto (PP-SP), com o apoio oficioso do presidente Lula e do ministro Antonio Palocci e de vários setores do empresariado: planejar um ataque ao déficit fiscal e tirar, assim, da política monetária o pesado fardo de enfrentar sozinha a inflação - com o que até o Banco Central parece concordar. Se isso acontecer, ''o juro cai, o dólar sobe, o crescimento volta''.

Esse novo caminho vai acabar se impondo inexoravelmente, na opinião de Gardenalli. Até agora, os sinais estão misturados. ''Há crédito farto lá fora, os credores parecem tranqüilos e a política de Palocci segura Lula, apesar de toda a conturbação política'', diz. Mas, se continuar esse quadro, ''em algum momento os gatilhos serão detonados e quem ainda compra títulos longos do Tesouro vai começar a encurtá-los, tal como aconteceu no fim do governo FH''. Em outras palavras: ''A ficha vai cair, porque esse governo é datado''.

Um ajuste fiscal mais sério, que corte gastos correntes, mergulhe nos meandros da administração, desvincule receitas - ''proposta responsável e conservadora'' - exige um poder que este governo não tem mais, na opinião de Gardenalli. ''Só um novo governo terá capital político para isso'', diz.

Muita gente acha que as atribulações políticas estão apressando o fim deste governo, embora o presidente Lula esteja preservado. Crítico, Gardenalli, que já não acredita na reeleição, prefere jogar para a frente: ''O próximo governo já tem agenda: perseguir o déficit zero''.

Classe média adota o genérico

Boa parte da população já aderiu aos remédios genéricos, mas ainda é alto o nível de desinformação - e isso não apenas afeta o bolso dos consumidores como interfere nos projetos da indústria. É o que revela pesquisada Data Market Intellect, que ouviu 2.500 famílias em 25 municípios brasileiros: no conjunto, 42% disseram que nunca solicitam ao médico a prescrição de genéricos, contra 39,7% que sempre solicitam. Relativamente falando, a classe B parece a mais consciente: é o menor contingente dos que nunca pedem (36,9%) e o maior (44,2%) dos que sempre fazem isso. Já na classe A, só 37,6% procuram opções aos medicamentos de marca. Na base da pirâmide, como seria de esperar, está o maior número dos que ainda não se preocupam com a questão.

Otimismo carioca

A desaceleração da inflação deu uma folga ao orçamento familiar. Pesquisa da Fecomércio-RJ mostra os consumidores mais otimistas: o Indicador de Situação Futura, termômetro para estratégias de investimentos dos varejistas, subiu 7,52% em junho, em relação a igual período de 2004.

Crédito farto

Projeção da Austin Rating para a evolução do crédito (com recursos livres) em 2005: quando dezembro chegar, o volume total deverá ter crescido 19,3%; os empréstimos às pessoas jurídicas, 12%; e às pessoas físicas, 29,5%. Este cenário é explicado pelo desconto em folha, que - embora ainda seja uma pequena costela do crédito pessoal - avança celeremente. De janeiro a maio, segundo o Banco Central, o consignado cresceu 41,4%, mais que o dobro das outras modalidades. E, no período de 12 meses encerrado em maio, subiu 120%. Pode até fustigar um pouco a inflação, mas é o motor da demanda atual.

Seguro morreu de velho

O brasileiro anda precavido. E, pelo jeito, os clientes da Caixa Seguros, ainda mais: enquanto o mercado de seguros residenciais cresceu 19% no primeiro trimestre, as vendas de apólices do braço do banco público cresceram 121%. A seguradora da Caixa Econômica Federal faturou nada menos que R$ 5,7 milhões no período.

Linha de Frente

nA segurança passará a ser o principal item na escolha de fornecedores da Lafarge Brasil, braço nacional da maior indústria de cimento do mundo. Nos próximos meses, somente as empresas que cumprirem uma lista de 10 pré-requisitos - envolvendo condições de funcionários e instalações - poderão participar das concorrências. Os fornecedores ainda terão de se submeter a vistorias para confirmar o uso de equipamentos de segurança. O projeto-piloto está caminhando: fornecedores das áreas de obras civis, manutenção mecânica e montagem mecânica deverão se qualificar dentro das novas normas até o fim do ano.


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[02/JUL/2005]


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