A disparada do petróleo nas últimas semanas já pesa nas contas da Petrobras. Com a política de protelar ao máximo os repasses das oscilações internacionais para o mercado interno, a defasagem dos preços da gasolina chegou esta semana a 10,3%, nas contas da economista Gina Montone, do ABN Amro Real. No óleo diesel, a diferença atingiu 8,2%. Nem a forte desvalorização do dólar foi suficiente para neutralizar a escalada das cotações do barril.
Vários fatores são apontados para explicar a alta da commodity: incertezas quanto à capacidade de refino num momento de demanda aquecida, notícias de queda na produção do Iraque (equivalente a 6% de toda a oferta da Opep), risco de greve de petroleiros na Noruega (terceiro maior exportador mundial) e a baixa nos estoques americanos. O problema é que, não importam as razões conjunturais, o avanço dos preços segue de forma consistente e já traz preocupações sobre o crescimento planetário.
A barreira dos US$ 60 o barril cairá logo. Resta saber até onde vai a dança das cotações. Enquanto os grandes fundos de hedge apostarem na demanda crescente, a curva permanecerá ascendente.
Economia blindada
De Fábio Barbosa, presidente do ABN Amro Real, sobre a crise política: ''A confusão tem servido para mostrar que a economia brasileira está firme, bem preparada para enfrentar tudo isso. Com as contas externas e internas ajustadas, o grau de vulnerabilidade, hoje, é bem menor. Não tenho idéia de qual será o desenlace de toda essa história, mas há maturidade para a economia brasileira não sofrer como já sofreu no passado''. (Adriana Cotias)
Fábio BarbosaA semântica do BC
A ata da última reunião do Copom traz nada menos que 40 vezes a palavra ''inflação'', contra 11 menções ao crescimento da economia. ''Desemprego'' foi tratado em duas passagens. ''Renda'', em apenas uma.
Preços a favor
O recuo do IPCA-15, espécie de trailer do índice oficial de inflação, foi comemorado por analistas. João Carlos Gomes, da Fecomércio-RJ, já prevê IPCA de 0,05% em junho, graças ao impacto da queda do dólar nos preços de alimentos, bebidas, remédios e artigos de limpeza. Relatório da LCA Consultores aponta ainda a deflação nos combustíveis, que, enfim, puxaram para baixo os preços administrados.
Foi-se o anel
O novo presidente da Bolívia, Eduardo Rodríguez, está preocupado com o chamado ''anel energético'', que ligará Brasil, Argentina, Chile, Peru, Paraguai e Uruguai. Caiu a ficha: com a obra bilionária, o país perderá importância no fornecimento de gás natural, única fonte de riqueza nacional. O problema é driblar a revolta popular em caso de recuo na Lei de Hidrocarburos, que triplicou a carga tributária do setor de petróleo e gás.
Porto dos polímeros
A Rio Polímeros mal foi inaugurada e já provoca disputas. O Porto de Angra tenta garantir o escoamento da produção destinada às exportações. Já houve reuniões com representantes da Unipar e da Secretaria Estadual de Energia, Petróleo e Indústria Naval para discutir a necessidade de obras no terminal portuário. A primeira opção da RioPol seria Sepetiba, mas a ligação rodoviária entre o porto e a Via Dutra custa a sair do papel.
Linha de Frente
Os ministros Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, e Roberto Rodrigues, da Agricultura, assinam hoje as regras para certificação de cachaças. Elaboradas pelo Inmetro, ficaram bom tempo na gaveta, esperando que o consumo de destilados saísse do noticiário político. O Brasil produz 1,5 bilhão de litros de aguardente por ano, gerando 450 mil empregos. Mas ainda exporta pouco: só 15 milhões de litros.
Dos negros que integram o mercado de trabalho fluminense, 23,7% recebem até um salário mínimo. Entre os brancos, o percentual é de 13%. A diferença mais gritante fica entre os que trabalham por conta própria: R$ 893 contra R$ 442. Os dados constam da pesquisa ''O negro e o emprego no Rio de Janeiro'', que a Firjan divulga hoje, durante o seminário ''Construindo a diversidade racial nas empresas''.