Economistas de variados matizes saúdam o renovado interesse - ou pelo menos anunciado - do governo em reforçar a política fiscal. Quinta-feira, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou que estuda proposta de emenda constitucional que permita aumentar a desvinculação de recursos orçamentários, ou seja, a parcela de recursos livres que a União tem para manejar, após as transferências obrigatórias (educação, saúde, estados, municípios, entre outros). Com isso, abrir-se-ia uma janela para o corte de gastos correntes (incluindo pessoal) e o ataque ao déficit nominal - aliviando, por tabela, as agruras do Banco Central que diz só ter a política monetária (juros altos, entenda-se) como arma para controlar a inflação.
Até agora, no governo e fora dele, tem se dado muita bola para o superávit primário, recheando o debate com alto coeficiente de marketing. Conquistaram-se tentos, é verdade, e o primário é importante, mas não basta para pagar os juros da dívida interna. Daí, quando se contabilizam os juros, resta um déficit nominal que está em torno de 2,5% do PIB. É decrescente (há dois anos passava de 5%), mas ainda assim elevado.
Muita gente boa gostaria que o ataque ao déficit nominal fosse feito em prazo curto, dois anos, no máximo. A Fazenda prefere ação gradual, de longo prazo. Ontem, informava-se que o plano é zerar o déficit em seis anos. Pode ser um prazo longo demais, vulnerável a eventos de toda sorte - da reeleição (ou não) aos humores de impiedosos investidores.
Paulo BernardoCooperar para competir
A Associação Brasileira de e-Business acaba de anunciar a criação do Icolab (Índice de Colaboração entre Setores), que visa calcular o grau de cooperação entre os elos de cadeias produtivas - e que pode levar a uma maior competitividade. Levando em conta que 100% representa o nível máximo de integração, o Icolab ficou assim para os setores pesquisados: química e petroquímica, 37,2%; automobilístico, 26,2%; papel, 17,2%; alimentação e bebidas, 12,1%; farmacêutico, 11,4%.
- As organizações mais conscientes começaram a enxergar que o diferencial competitivo não reside na retenção das informações, e sim na transparência. É preciso quebrar a barreira cultural para que todos visualizem com clareza os movimentos da demanda e do fornecimento e trabalhem como uma entidade única - adverte Richard Lowenthal, presidente-executivo da associação.
Café du Brésil
O empresário Nathan Herszkowicz, presidente do Sindicafe-SP (Sindicato da Indústria do Café de São Paulo), acaba de chegar de Paris. A cafeicultura brasileira quer aumentar as vendas de café torrado e moído - com marca própria, para fugir da dependência do café em grão - e aproveitou a carona do Ano do Brasil na França para realizar uma série de megaeventos marqueteiros na capital francesa.
Café du Brésil 2
O Programa Setorial Integrado de Exportação do Café Industrializado, promovido pela Apex-Brasil, Sindicafé-SP e Associação Brasileira da Indústria do Café, conseguiu colocar quatro marcas brasileiras nas vitrines da Heliard - a primeira vez nos 150 anos do famoso templo gastronômico francês. O slogan da campanha: ''Uma viagem ao Brasil através de suas regiões produtoras de café''. Quatro marcas representaram as cores nacionais: Bom Dia, do Paraná; Damasco, da Bahia; Minas Estate Coffee Group, de Minas Gerais; e Unicoffe, de São Paulo. Quem sabe não é reação do Café du Brésil frente ao Café de Colombia, esta sim a marca mais considerada pelos europeus.
Valor agregado
No ano passado, o Brasil exportou US$ 2 bilhões no complexo café (US$ 1,5 bilhão em 2003). Vende o produto basicamente como commodity, em grão (a participação do solúvel não passa de 15% do total). Se conseguir fazê-lo com marcas e embalagens próprias dará um grande salto de qualidade, oferecendo o que o mundo quer: valor agregado. (Regina Neves)
Linha de Frente
A famosa Fenit (Feira Internacional da Indústria Têxtil), de segunda a quinta, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, terá este ano o slogan ''Construindo a moda com história''. Promovida pela Alcântara Machado, pretende refletir o bom momento pelo qual passa a indústria brasileira, ''sem perder o glamour'', dizem os organizadores.