Economistas que participaram da última reunião de avaliação da conjuntura com dirigentes do Banco Central estão assustados, e o motivo não é a turbulência política provocada pelas denúncias renovadas de corrupção no governo Lula. A preocupação geral é a desconexão entre o discurso oficial da autoridade monetária e os últimos indicadores econômicos.
Analistas vêm observando com lupa os sinais de desaceleração do crescimento, que só se sustenta hoje pelos contratos de exportação fechados há seis meses ou mais. O consumo está retraído, a população e o empresariado estão menos otimistas e até a agricultura - quindim dos dados sobre superávit comercial - fatura cada vez menos. Mesmo assim, segundo participantes do encontro, altos funcionários do BC negaram o desaquecimento e classificaram os números como ''acomodação do ritmo de crescimento'', que, prevêem, ainda seria espetacular no segundo semestre.
O eufemismo poderia colar em outro momento, mas, no cenário atual, foi muito mal digerido. Os números do IBGE sobre a estagnada produção industrial de abril corroboram as preocupações.
Pior: se levado a ferro e fogo, o modelo econométrico do BC prevê novo aumento da taxa básica de juros, semana que vem, para 20% ao ano. Uma decisão do gênero, quando até os mais conservadores entre os economistas acham que a autoridade monetária já foi longe demais na ortodoxia, seria mais óleo na fervura política - e uma pá de cal no PIB deste ano.
Cultura brasileira®
A cultura brasileira é um produto de grande aceitação no exterior. Mas rende pouquíssimos direitos autorais. ''Não adianta exportarmos filmes, CDs, se não trabalhamos os direitos correlatos'', aponta o superintendente de Economia da Cultura do Estado do Rio, Luiz Carlos Prestes Filho. ''Cada vez mais, não é a bilheteria que importa, e sim o licenciamento'', completa, citando o exemplo da saga hollywoodiana Guerra nas estrelas, que oferece toda uma gama de produtos, cujos contratos de comercialização foram selados até um ano antes do lançamento do filme.
De olho no potencial da indústria do copyright, as secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico e da Cultura e a Comissão Estadual de Defesa da Propriedade Intelectual realizam amanhã o 1º Seminário sobre Direito Autoral nas Instituições Culturais. O alvo é o público interno: os gestores de órgãos públicos. ''É preciso colocar a questão das marcas e patentes na área cultural. Elas precisam ser pensadas como um ativo econômico importante'', completa Prestes Filho.
A formiga e a cigarra
O sistema de câmbio flutuante será posto à prova nos próximos dias, com a economia no ritmo dos solavancos políticos. Ontem à noite, o Banco Central anunciou que não pretendia vender swaps (contratos de troca de taxas), ou seja, não realizaria qualquer tipo de intervenção no mercado cambial. Decisão corretíssima, já que a moeda americana parou de cair. O problema é que, nos últimos meses, o país perdeu a chance de engordar as reservas externas e ainda impedir uma queda exagerada do dólar. Não fez um nem outro. Resta saber como o BC vai proceder se as cotações dispararem nos próximos dias.
Flutuação limpa
Com a inação do Banco Central, o Brasil é hoje o único país a adotar um sistema cambial efetivamente flutuante. Todas as nações que adotam câmbio livre intervêm regularmente no mercado, evitando fortes oscilações que prejudiquem exportadores e consumidores. A prática é tão corriqueira que tem até nome: flutuação suja.
Mais do mesmo
Ex-ministro do Planejamento e presidente do Instituto Nacional de Altos Estudos, João Paulo dos Reis Velloso alerta que é muito difícil para uma economia de mercado funcionar com câmbio e juros fora do ponto. ''É importante não fazer mais do mesmo'', adverte.
Causa própria
A Caixa Econômica Federal vai financiar o próprio governo. Mas a causa é nobre: R$ 11,8 milhões serão repassados, até o fim do ano, ao Ministério do Trabalho, em convênio para modernizar a estrutura de fiscalização do recolhimento do FGTS.
Linha de Frente
O setor de franchising realiza, entre hoje e sábado, em São Paulo, sua principal feira de negócios, a maior da América Latina. Cerca de 170 expositores participarão da 14ª edição do evento. Redes como a Bonaparte, de Pernambuco, e a Number One, de Minas Gerais, estão em busca de empreendedores interessados em se estabelecer fora do eixo Rio-São Paulo. Novas marcas, como Habib's, Casa da Empada e Bob's, estarão presentes. Outra novidade: ao lado da ABF Franchising Expo 2005 ocorrerá a Brasilshop, feira da Associação de Lojistas de Shopping Centers (Alshop).