Omercado brasileiro cambaleou, mas está longe de ir
nocaute, apesar da série de golpes sofridos – antecipação
da sucessão presidencial, CPIs, fogo amigo. O que
realmente preocupa os investidores é o atropelamento da
agenda de reformas estruturais pelo jogo de cena político.
– A conjuntura ainda é muito favorável. Os juros nos EUA
estão subindo lentamente, a China continua crescendo forte
devem ocorrer novas emissões de ações, o que aumentará
liquidez da Bolsa – avalia Marcelo Mesquita, estrategista do
UBS. – É só fazer o dever de casa que a gente não se afoga.
problema é que não estamos aproveitando o bom momento
para fazer as reformas necessárias, como a política, a sindical,
a da Previdência 2, a do código de processo civil. No Brasil,
o Congresso só funciona com crises. É uma pena.
De fato, passadas a reforma ministerial que não houve e a
eleição de Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara,
a agenda de votações relevantes no Congresso ficou em
banho-maria. Saiu a regulamentação das Parcerias Público-
Privadas, mas seus efeitos positivos só serão sentidos no longo
prazo. Com isso, o risco Brasil cai menos do que poderia, o
que exige taxas de juros ainda mais altas.
Apesar disso, o banco suíço projeta Ibovespa próximo à
casa dos 30 mil pontos, crescimento da ordem de 4%, em linha
com a previsão oficial, e a retomada dos cortes da taxa
básica de juros até o fim do ano. A dúvida é o ritmo que o Banco
Central seguirá na hora de afrouxar a política monetária.
– O BC precisa ter a medida certa do risco de desaceleração
da economia. Senão, o crescimento não chegará aos 4%.
Um Produto Interno Bruto mais fraco em 2006 introduzirá
uma volatilidade eleitoral – adverte Mesquita, que cita a elegibilidade
do ex-governador Anthony Garotinho e a liberação
de alianças partidárias regionais como grandes incógnitas
no cenário da sucessão.
Software que vale ouro
A indústria de software está prestes a viver uma onda
de fusões e aquisições, que permitirá a expansão e a
concorrência mais acirradas com asmultinacionais, no
segmento de sistemas integrados de gestão. Estudo de
Regina Maria Vinhais Gutierrez e Patrícia Vieira Machado
Alexandre, do Departamento da Indústria Eletrônica
do BNDES, revela que, entre as grandes empresas,
predominam os fornecedores estrangeiros, como
SAP eOracle. Já entre os pequenos e médios negócios,
os brasileiros – Datasul e Microsiga à frente – vêm emplacando
cada vez mais seus produtos. Em jogo, está um
mercado que, em 2003, girou US$ 503 milhões no país.
Prosoft decola
Desde que foi reformulado,
há um ano, o Prosoft, programa
do BNDES de apoio às
empresas nacionais que desenvolvem
software, já contabiliza
demanda para financiamentos
da ordem de R$
135,5 milhões. O total inclui
operação de participação
acionária de R$ 40 milhões,
para apoiar a compra da Logocenter
pela Microsiga. É
mais do que o dobro do valor
contratado entre 1997 e 2003
– R$ 57,8 milhões.
Pró-telinha
O crescimento espetacular
das exportações nacionais
inclui um dos itens que mais
rendem divisas à economia
americana: os produtos audiovisuais.
Passado um ano
do lançamento do Projeto Setorial
Integrado de Promoção
de Exportação da Indústria Brasileira de Audiovisual, as
vendas externas de novelas,
telefilmes, seriados e documentários
superou as expectativas,
totalizando US$ 7,75
milhões – a meta era bater
US$ 6 milhões até maio de
2006. O plano é uma parceria
entre Secretaria do Audiovisual
do Ministério da Cultura,
Apex, Sebrae e Associação
Brasileira de Produtoras
Independentes de Televisão.
Quem compra
Os principais importadores
de produtos audiovisuais
brasileiros no último ano foram
Chile, França, Kuwait,
Itália, EUA, Espanha, Canadá,
Japão, Polônia, México,
Áustria, Portugal e Suécia.
Os dados serão apresentados
no 6º Fórum Brasil de
Programação e Produção,
terça e quarta-feira, no ITM
Expo, em São Paulo.
LINHA DE FRENTE
A Associação Nacional dos Bancos de
Investimento promove em São Paulo,
terça e quarta-feira, o 3º Congresso Anbid
de Fundos de Investimento. Esperase
que o evento reúna, no hotel Gran Meliá
WTC, cerca de 500 representantes do
setor e personalidades como Henrique
Meirelles, presidente do Banco Central,
Marcelo Trindade, presidente da CVM,
José Roberto Gragnani, secretário-adjunto
do Tesouro Nacional, Alfredo Setubal,
presidente da Anbid, Edmar Bacha,
Gustavo Franco, Sergio Werlang,
Marcelo Giufrida e Nelson Rocha Augusto,
entre outros. Na ocasião, será divulgada
pesquisa inédita do Ibope sobre
o perfil do investidor brasileiro. A Anbid
também lançará o site “Como Investir
em Ações”, que traz explicações sobre
ações ordinárias, ações preferenciais, tag
along, governança corporativa e muitos
outros conceitos.