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O juro que afaga e apedreja


Ainda não se sabe direito até que ponto a super-Selic ajuda a deter a decolagem da inflação ou até que ponto já provoca desaceleração da produção. Por isso, nada impede que, até mesmo dentro do governo, se mergulhe na discussão do “verdadeiro papel” que a taxa de juros exerce atualmente na economia. É o que estão fazendo, entre outros, dirigentes e técnicos da BB DTVM, a distribuidora de títulos e valores mobiliários do Banco do Brasil.

Opresidente da instituição, Nelson Rocha Augusto, pretende olhar os dois lados da conta e suas conseqüências. Entre os prós do juro alto, ele cita: constante redução na inflação anual de 2003 para cá (de 9% para 7%, e 6,3% talvez), apesar das pressões de curto prazo; firme apreciação do real, que permitiu quase extinguir a dívida interna indexada ao câmbio (que caiu de 17% para 5%em um ano) e a “enorme recomposição” das reservas externas líquidas (que pularam deUS$27 bilhões para quase US$ 40 bilhões em quatro meses). Com isso, lembra, “foi possível não renovar o acordo com o FMI”.

O outro aspecto do juro alto é que ele “não está sendo totalmente eficiente” no combate à inflação, por força dos preços e tarifas indexadas, e ainda pode trazer pressões inflacionárias (de custo) para as empresas. Além disso, “dificulta decisões de investimento” e repercute na relação dívida pública/PIB.

Rocha Augusto reconhece que o Banco Central só tem um instrumento para agir contra a inflação, que é a política monetária. Mas diz que recentes decisões da Fazenda – impondo teto para gastos e para a carga tributária – vão acrescentar importante ingrediente a essa receita anti-inflação. “A equipe econômica está inteiramente comprometida com a estabilidade fiscal”, afirma. Por isso, “as pré-condições estão postas para que no médio prazo recomece a curva descendente da Selic”.

No meio desse debate, resta ainda outra questão: a taxa de câmbio vai afetar o balanço de pagamentos? Quando? Como?

O avanço da BB DTVM

Maior gestora de recursos de terceiros do país, a BB DTVM fechou abril com R$ 140 bilhões em carteira, tendo começado o ano com R$ 124 bilhões. Sua participação atual no conjunto do setor de fundos é de 21%.

Milongas

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter considera que os integrantes do Mercosul precisam aperfeiçoar os mecanismos de solução de conflitos. As rusgas dos últimos dias demonstram isso. Para o presidente do Grupo Gerdau, dono de usina siderúrgica na Argentina, é preciso avançar. ''Não concordo com a posição argentina, mas nos processos de criação de mercados, tipo Mercosul, sempre existirão choques até que aprendamos, todos, a negociar''.

Très bon

Pelo jeito, o aumento da fatia no Pão de Açúcar será brindada com cachaça pelo grupo Casino. Os sócios de Abílio Diniz fecharam a compra de 10 mil garrafas da mineira Mito Brasil. Artesanal, será a única pinga nas gôndolas francesas da rede.

Cruzada por imposto

A Philip Morris vem cortejando o Ministério da Fazenda e a Receita Federal. Não quer desoneração, mas sim equalização tributária. A idéia é unificar o IPI de maços e caixinhas, o que, na prática, representará aumento de impostos e de preços. A indústria do fumo prefere pagar mais tributos e, por tabela, forçar a queda do consumo do que deixar os fumantes migrarem para o mercado pirata.

Linha de frente

  • Apesar da hegemonia da Ambev, a guerra das cervejarias ainda tem espaço para surpresas. Pesquisa ACNielsen mostra que a Cintra Pilsen já é a quarta marca mais vendida no mercado fluminense. Graças à reformulação da rede de distribuição, passou a deter, em março, 7,6% das vendas no Grande Rio.

  • A Caixa Econômica Federal vai abrir linha de crédito especial para locadoras de veículos. São R$ 280 milhões para a renovação da frota, disponíveis em 158 agências de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Alagoas. A parceria com a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis será assinada quarta-feira, em São Paulo.

  • O setor ferroviário virá à feira Brazil Rail, em junho, no Rio, animado com a expectativa de investimentos de R$ 11 bi nos próximos quatro anos. Os recursos elevarão em 57% a capacidade de transporte de cargas sobre trilhos em quatro anos, calcula a Associação Nacional de Transporte Ferroviário. Só a americana GE estima elevação de 35% nas vendas no Brasil este ano.


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    [09/MAI/2005]


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