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Inflação deve balizar apostas para Copom


SILVIA ARAÚJO

Os dados de inflação que serão divulgados hoje podem balizar a formação de um consenso entre os investidores sobre o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Para o Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os analistas estimam que o indicador deve situar-se no mesmo patamar do fechamento do mês passado, de 0,37%.

Essa primeira prévia de março do IPC-Fipe já deve contemplar o esgotamento do efeito de pressões sazonais, como mensalidades escolares, e alguns impostos que já começaram a ser pagos e outros que foram incorporados ao orçamento doméstico.

Já para o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as projeções apontam para 0,25% na primeira medição do mês. Os alimentos in natura podem pressionar os preços agrícolas nessa etapa de apuração do indicador.

Os especialistas entendem que os indicadores de preços devem apresentar um bom comportamento e, com isso, podem levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a reduzir o aperto monetário na reunião da próxima semana. Embora o relatório elaborado pelo BC junto as instituições financeiras aponte um novo ajuste de 0,50 ponto, a inflação pode justificar um aumento de 0,25. Essa, pelo menos, é a aposta embutida nos contratos de juros de abril, que projeta a taxa para o último dia útil de março. Ontem, esse contrato sinalizou 18,88%, acomodando uma Selic de 19% ao ano.

Risco

No mercado externo a taxa de risco subiu, mas se manteve abaixo dos 400 pontos (383 pontos), e o C-Bond foi cotado a 101% do seu valor de face no final do dia.

Se aproximando do consenso

A maioria dos executivos e finanças, em uma pesquisa realizada com 40 profissionais pelo Instituto que reúne esses profissionais (Ibef), estima que a Selic vai subir 0,25 ponto na próxima semana. Essa foi a resposta de 62% dos consultados. Outros 20% acreditam que a taxa básica da economia vai ser elevada em mais 0,50 ponto. Os mais otimistas corresponderam a 18% dos consultados. Essa ala acredita em manutenção da Selic nos atuais 18,75% ao ano.

Novo patamar

O dólar comercial pode se estabilizar entre R$ 2,70 e R$ 2,80 no final do ano, para a maioria dos profissionais financeiros consultados pelo Ibef. Esses patamares ficaram empatados, com 36% das respostas para cada um deles. Outros 15% dos entrevistados estimam uma cotação de R$ 2,90. Apenas 8% acham que o dólar chegará em dezembro cotado a R$ 3,00. E uma minoria de 2%, acredita que a moeda pode valer R$ 3,20 no último mês do ano.

Pé no freio

Se, no mês de janeiro, os brasileiros usaram suas reservas de dinheiro para saldar débitos e reabilitar o crédito no comércio, em fevereiro, para manter o nome limpo, a ordem foi colocar o pé no freio e comprar menos. É o que mostram os resultados das consultas para análise de crédito feitas ao banco de dados do varejo, o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) que, durante o mês de fevereiro, apresentou uma queda de 33,5% no volume de acessos comparado ao mês de janeiro.

Parceria

A Petrobras quer ser parceira do setor sucroalcooleiro e quer posicionar o álcool como produto ecológico e como commodity internacional de qualidade. A garantia partiu do gerente de Álcool da Petrobras, Sillas Oliva Filho. O executivo falou na abertura da mesa redonda Os desafios de um mercado em expansão: como consolidar a confiança dos mercados consumidores?, realizada na Feira de Negócios da Agroindústria Sucroalcooleira.

Mãos à obra

Segundo o executivo da Petrobras, com a questão do Golfo Pérsico, cada vez mais acirrada, abrem-se novas oportunidades para levar o álcool e o biodiesel para fora. Ele também disse que Petrobras está ampliando a sua infra-estrutura de escoamento e já estabeleceu uma coordenação única para tratar do fornecimento desses combustíveis alternativos.


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[10/MAR/2005]


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